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É preciso regular a publicidade de alimentos para crianças

Ekaterine Karageorgiadis

Atualmente no Brasil, 30% das crianças de cinco a nove anos estão com sobrepeso e 15% estão obesas (POF 2008-2009). Os dados revelam uma epidemia, que acomete as cinco regiões do país e todas as classes sociais. Com o excesso de peso, surgem as doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes, problemas renais e alguns tipos de câncer.

O problema não é só brasileiro. Diversos países, desenvolvidos ou em desenvolvimento, preocupam-se hoje com a reversão de problemas de saúde em crianças, que antes eram característicos de idosos. Pesquisas demonstram que, se nada for feito, pela primeira vez na história a geração atual viverá menos do que seus pais.

Impossível não associar a queda da expectativa e da qualidade de vida e o aumento de gastos públicos com tratamentos de enfermidades relacionadas à obesidade (estimados em 488 milhões de reais anuais) à adoção de novos hábitos alimentares pela população, impulsionada pelas estratégias de comunicação mercadológica de produtos alimentícios industrializados e ultraprocessados, com alto teor de sódio, gorduras, açúcares e bebidas de baixo valor nutricional. Substitui-se os alimentos tradicionais da dieta brasileira (arroz, feijão, carne, verduras e legumes) pelos macarrões instantâneos, lanches, biscoitos, refrigerantes, refrescos em pó, etc, anunciados como nutritivos, convenientes e práticos, para serem ingeridos a qualquer hora, em qualquer lugar.

Televisão, rádio, páginas e jogos de internet, revistas, jornais, mídia externa, espaços públicos, e até mesmo escolas. Os anúncios estão por toda parte, e, muitos deles focam diretamente as crianças com menos de 12 anos que, em razão de sua peculiar condição de desenvolvimento biopsicológico, são vulneráveis e hipossuficientes. O mercado não desconhece essas características e, além disso, ciente de que os hábitos alimentares se formam na infância, estimula o consumo de produtos palatáveis e saborosos, com publicidades repletas de personagens infantis, animações, cores, músicas, etc., que enaltecem suas características positivas, associadas a valores distorcidos de poder, status, felicidade, liberdade.

As crianças e suas famílias, bombardeadas pelas publicidades atrativas e convincentes, consomem os produtos e, ao mesmo tempo, são culpabilizadas pelos seus problemas de saúde. São os pais que compram as guloseimas e «não exercem seu papel de educar», dizem alguns. Além disso, deveriam saber o que estão comendo, ter autocontrole, ter uma alimentação saudável e balanceada, e, ainda, exercitar-se.

As crianças são sujeitos de direito, e não simples objetos. Os pais têm o dever de cuidar e educar seus filhos, mas não podem ser responsabilizados exclusivamente pelos danos causados à saúde dessa geração de crianças. Estamos diante de um fenômeno global, que não se restringe mais às quatro paredes de uma casa. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 227, determina que cabe ao Estado, à família e à sociedade a responsabilidade, compartilhada e conjunta, pela proteção integral com absoluta prioridade das crianças, para protegê-las da violação a qualquer um de seus direitos.

Para viabilizar essa proteção, foi promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990. Além disso, o Código de Defesa do Consumidor  que hoje cumpre 23 anos de sua promulgação  determina, no artigo 37, §2º, que é ilegal e, portanto, proibida, a publicidade que abusa da deficiência de julgamento e de experiência da criança. Segundo o Código cabe aos órgãos de proteção dos consumidores aplicar as sanções de multa ou contrapropaganda às empresas infratoras, o que não exclui a responsabilidade penal dos responsáveis por sua veiculação.

A interpretação sistemática dessas normas determina, portanto, a proibição da publicidade direcionada ao público infantil, uma vez que todo anúncio que fala com a criança necessariamente se vale de sua ingenuidade para convencê-la a querer, e, consequentemente, a agir como promotora de vendas das marcas perante seus pais e responsáveis.

Se a responsabilidade pela proteção das crianças é de todos, cada um dos atores deve assumir seu papel. Ao Estado, cabe criar normas claras e efetivar a fiscalização de seu cumprimento. Às empresas, respeitar o melhor interesse da criança, que deve estar acima dos seus interesses comerciais, para deixar de seduzi-la em todos os seus espaços de convivência. Os anúncios devem ser feitos para os pais, adultos com real poder de compra, para que conheçam as características dos produtos, com informações precisas e claras, e possam exercer, com mais conhecimento, seu poder familiar.

Para subsidiar esse debate, Instituto Alana, Andi Comunicação e Direitos e Lids, centro de pesquisa da Universidade de Harvard, produziram o livro Publicidade de Alimentos e Crianças  Regulação no Brasil e no mundo, publicado pela Editora Saraiva, que traz um estudo comparativo sobre como funciona a regulação do tema no Brasil, Canadá, Estados Unidos, França, Suécia, Alemanha, Reino Unido, Austrália e União Europeia. A publicação traz ainda um artigo inédito de Corinna Hawkes, que foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças da Organização Mundial de Saúde, sobre as políticas mundiais existentes sobre o tema e seus efeitos, com base em relevantes pesquisas.

O objetivo do livro, ao analisar as leis em vigor, acordos de autorregulação, iniciativas do Poder Legislativo, políticas públicas vigentes, é debater e estimular a adoção de medidas efetivas que protejam as crianças dos efeitos da publicidade de alimentos.

Ekaterine Karageorgiadis é advogada da área de Defesa do Instituto Alana e conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea)

FONTE: CONSEA

Segurança Alimentar e Cidadania: Walter Belik no TEDxUnicamp 2012

MDS e parceiros lançam Marco de Referência em Educação Alimentar e Nutricional

Documento orienta a elaboração e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à melhoria dos hábitos alimentares da população.

Marco de Referência vai evoluir políticas de educação alimentar. Foto: Gilmar Felix/MDS

Marco de Referência vai evoluir políticas de educação alimentar. Foto: Gilmar Felix/MDS

Gestores e profissionais de assistência social, saúde e educação que lidam cotidianamente com os desafios da educação alimentar e nutricional no Brasil contam, a partir de agora, com um documento oficial para nortear as políticas públicas sobre o tema. Nesta sexta-feira (30), os ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), da Saúde e Educação lançaram o Marco de Referência em Educação Nutricional e Alimentar.

Construído a partir de discussões entre representantes dos três ministérios, de universidades e da sociedade civil, o documento consolida conceitos e práticas de educação alimentar e permite um olhar multidisciplinar sobre as políticas que promovem o direito à alimentação adequada, previsto na Constituição Federal e em vários documentos e tratados internacionais. “Essa é uma novidade e uma conquista muito importante, pois dá visibilidade à discussão sobre os hábitos alimentares da nossa população, além de contribuir para qualificar os debates e práticas em diferentes setores envolvidos”, avalia a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Maya Takagi.

Segundo ela, o momento atual é para incentivar o debate sobre o que o brasileiro coloca no prato, como a qualidade da alimentação reflete na sua saúde e qual a melhor forma de abordar as questões ligadas à insegurança alimentar na elaboração e execução das políticas públicas. “A insegurança alimentar tem muitas faces, que não se restringem à desnutrição ou subnutrição, mas também incluem a obesidade e outras manifestações.”

A secretária afirma que a evolução positiva na renda média do brasileiro, especialmente nos últimos anos, não se refletiu na melhor qualidade dos alimentos consumidos pelas famílias. “O consumo de alimentos processados, industrializados, com excesso de açúcares, sódio e gorduras e pobres em micronutrientes, é uma tendência em crescimento em todas as classes econômicas.”

A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Jaime, avalia que o Marco de Referência ajudará a consolidar as políticas de segurança alimentar e nutricional, assim como a fortalecer o tema da educação alimentar no país. “A educação alimentar é uma medida fundamental para enfrentar questões como a obesidade, a desnutrição e as doenças ligadas à alimentação insuficiente ou inadequada.” O documento lançado nesta sexta-feira, assinala ela, servirá de base para a revisão do Guia Alimentar da População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2006 e que está em processo de atualização.

Site – O primeiro desdobramento do Marco de Referência é o lançamento do espaço virtual Ideias na Mesa, dedicado ao debate permanente sobre educação alimentar e nutricional. A rede virtual, que entrou no ar também nesta sexta-feira, foi criada para compartilhar experiências de pessoas, instituições do governo e organizações da sociedade civil que pratiquem e ajudem a promover a alimentação adequada e saudável no país. A nova página tem também o objetivo de multiplicar conhecimento, oferecendo informações técnicas a todos os interessados no tema.

“O Marco de Referência e a rede virtual são espaços valiosos que reúnem tudo o que sabemos e tudo o que precisamos saber sobre a educação alimentar e nutricional e que têm o papel de integrar o saber científico e os saberes populares e regionais na promoção do direito humano à alimentação adequada”, ressalta Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Nutricional e Alimentar da Universidade de Brasília (OPSAN/UnB), parceiro do MDS na construção do site.

O Ideias na Mesa conta ainda com um sistema de busca geográfica, que permitirá o rápido acesso às experiências já cadastradas. O site terá também um blog e contas em redes sociais como Facebook e Twitter, ferramentas que ajudarão a levar mais longe suas experiências. O endereço da rede virtual é www.ideiasnamesa.unb.br.

Ascom/MDS
(61) 3433-1021

www.mds.gov.br/saladeimprensa

Filme mostra a maior epidemia infantil da história

Um dos cinco melhores documentários da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em votação popular, foi o filme “Muito Além do Peso”, que aborda “a maior epidemia infantil há história – a obesidade”.

Crianças com doenças de adultos e números alarmantes transbordam da tela, revelando um jogo de responsabilidade entre Estado, família, escola, publicidade e indústria alimentícia. O documentário foi filmado em regiões do Brasil e dos Estados Unidos.

Em breve o filme estará nos cinemas brasileiros. No próximo dia 12 de novembro, 20h, acontece a pré-estreia, no Ibirapuera, em São Paulo. Após a exibição do filme, haverá um debate sobre obesidade infantil, com abertura de Amit Goswami e mediação de Cazé Peçanha. Debatem o assunto: Ann Cooper, Frei Betto, Amélio Godoy e Estela Renner.

A produção é da Maria Farinha Produções e do Instituto Alana, entidade de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Entre os especialistas que participam do documentário, uma é a professora Elisabetta Recine, da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

Clique aqui para assistir o trailer do filme.

Informações: www.muitoalemdopeso.com.br  ou contato@mariafarinhafilmes.com.br

Serviço

Pré-estreia do Filme “Muito Além do Peso”

Dia: 12 de novembro

Horário: 20 horas

Local: Auditório Ibirapuera, Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, São Paulo (SP)

Fonte: Instituto Alana

Plenária do Consea: palestrantes abordam obesidade

O crescimento da obesidade entre os brasileiros, especialmente em crianças, é uma das preocupações do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que concentrou neste tema a maior parte dos debates de sua reunião plenária, realizada nesta quarta-feira (10), em Brasília.

Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE, revela que cerca de 74 milhões de pessoas estão com excesso de peso no país. Um dado preocupante é que, deste universo, 5,7 milhões são crianças entre 5 e 9 anos de idade, e 6,8 milhões de adolescentes entre 10 e 19 anos.

Um dos palestrantes da plenária, o coordenador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, Carlos Augusto Monteiro, explicou que a recente epidemia mundial de obesidade resulta essencialmente de mudanças no sistema alimentar, com o aumento do consumo de produtos ultraprocessados (refrigerantes, biscoitos, por exemplo).

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, e a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Maya Takagi, abordaram o Plano Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade, em fase final de elaboração pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).

Já estão disponíveis no site do Consea as cinco apresentações feitas durante a a plenária desta quarta-feira. As apresentações são sobre o Plano Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade; o Marco Regulatório da Comissão de Presidentes dos Conseas Estaduais (CPCE); a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável; Experiência de Butantã; e Consumo Alimentar e Estado Nutriconal.

Para conhecer as apresentações da plenária, clique aqui.

Fonte: Ascom/Consea

Estudo associa bisfenol a obesidade em crianças

Suspeita-se que substância pode estar predispondo as pessoas ao ganho de peso; pesquisa é americana.

Um ano depois de a Anvisa ter proibido a fabricação e a importação de mamadeiras que continham bisfenol A em sua composição, um estudo associou a presença da substância no organismo de crianças e adolescentes com um risco maior de obesidade. O bisfenol aparece no plástico de garrafas e de embalagens de alimentos. Também é usado no revestimento de latas.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Nova York avaliaram 2.838 pessoas de 6 a 19 anos. A urina dos participantes foi analisada para quantificar a presença do bisfenol. Eles foram, então, divididos em quatro grupos, de acordo com a quantidade encontrada.

No grupo com menos bisfenol na urina, havia 10,3% de crianças e adolescentes obesos. Já no grupo com maior quantidade da substância, 22,3% dos participantes estavam com obesidade. O estudo foi publicado hoje no Journal of The American Medical Association (Jama).

Estudos em laboratório já tinham detectado uma relação entre o bisfenol e a obesidade. Essa é, porém, a primeira pesquisa em crianças e adolescentes a avaliar essa hipótese. A endocrinologista Tania Bachega, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e membro do Grupo de Trabalho dos Desreguladores Endócrinos da Regional São Paulo da SBEM, explica que, em cultura de células, já foi observado que o bisfenol seria responsável pela proliferação do tecido adiposo.

Tania alerta que as principais causas da obesidade continuam sendo o aumento do consumo de calorias e o sedentarismo. “Mas especialistas estão discutindo que, apesar do aumento da ingestão calórica, a obesidade está crescendo muito mais que o esperado.”

A hipótese seria que substâncias químicas, chamadas de obesógenos, poderiam estar predispondo ao ganho de peso. O bisfenol, que interfere no funcionamento do sistema endócrino, seria uma dessas substâncias.

Mesmo assim, os pesquisadores não descartam a hipótese de que crianças obesas consumam mais produtos como refrigerantes e alimentos enlatados, que conhecidamente têm maior quantidade de bisfenol em suas embalagens.

Outros malefícios associados ao bisfenol são câncer, diabete, infertilidade, endometriose e ovários policísticos, entre outros.

Segundo a endocrinologista Ieda Verreschi, da Unifesp, estudos demonstram atuações específicas do bisfenol em alguns períodos do desenvolvimento humano, como o nascimento, a puberdade e alguns momentos da vida adulta. Nos recém-nascidos, ele pode promover a alteração no desenvolvimento das gônadas, podendo levar à ambiguidade genital. Na adolescência, está relacionado à puberdade precoce. Em adultos, se relaciona a alguns casos de câncer, como o de mama e o de próstata.

FONTE: MARIANA LENHARO – O Estado de S.Paulo

Obesidade infantil está relacionada à propaganda de refeições fast-food

Fonte: Agência Câmara

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve aumento contínuo e substancial do percentual de crianças e adolescentes com excesso de peso e obesas nos últimos anos, atingindo mais de 30% do público entre 5 e 9 anos de idade e cerca de 20% de crianças e jovens entre 10 e 19 anos. Diante dessas estatísticas, especialistas apontam que o vilão seriam as peças publicitárias que se valem do licenciamento de personagens ou mascotes e da venda casada para estimular o consumismo nesse público.

“É impossível para os pais sozinhos, com o nível de ‘agressividade’ da publicidade infantil, tratarem de forma adequada o consumismo”, diz Inês Vitorino, coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Adolescência e Mídia, da Universidade Federal do Ceará (UFC). “A criança não pede ao pai o biscoito de um gosto específico, mas do personagem A ou B”, completa.

Atualmente, uma lei em vigor em Florianópolis (8.985/12) proíbe redes de fast-food de comercializarem produtos que acompanhem brindes voltados ao público infantil. É a primeira cidade do País a contar com a proibição.

Brinquedos

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputado Domingos Dutra (PT-MA), ressalta, entretanto, que a pressão publicitária não fica restrita aos alimentos. “Sou quilombola e tenho uma filha de sete anos que me pede sempre uma boneca Barbie de olhos azuis e cabelos loiros em datas comemorativas”, conta o parlamentar alertando para o poder da publicidade de interferir no imaginário infantil.

Vanessa Anacleto, mãe de um menino de quatro anos e integrante do Coletivo Infância Livre de Consumismo – entidade que nasceu de discussões nas redes sociais -, sustenta que somente a autorregulamentação do setor não está funcionando.

Sandra Amorim, que representa o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, reclama ainda que faltam recursos para garantir às crianças todos direitos previstos na Constituição e para protegê-las de toda a forma de exploração, violência e opressão. “Ao permitir que elas [crianças] recebam informações em excesso que as incitem ao consumismo estamos produzindo uma violação ao direto da criança de ter um desenvolvimento saudável”, afirma.

Projeto de lei

Em tramitação na Câmara desde 2001, o Projeto de Lei 5921/01 pode sinalizar o começo de uma solução para o assunto. A proposta, que aguarda análise na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, disciplina a publicidade destinada à venda de produtos infantis.

O relator, deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP), explica que o objetivo é buscar um meio termo para que a propaganda não venha a ser proibida e para que também não continue havendo um estímulo absurdo ao consumo.

O texto original da proposta já foi alterado nas comissões de Defesa do Consumidor e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.

“Há cada vez mais pesquisas que demonstram o impacto da publicidade direcionada ao público infantil. Por isso o tema está sendo cada vez mais debatido tanto na Câmara como no Senado”, afirma Pedro Hartung, assessor do Instituto Alana – Projeto Criança e Consumo.

Mas Fernando Brettas, representante do Sindicato das Agências de Propaganda do Distrito Federal (Sinapro-DF), critica a proposta em análise na Câmara. “O debate está errado. O projeto de lei em votação está na contramão do mundo inteiro. O discurso é ideológico, fundamentalista, autoritário.”

Dirigente da Cruz Vermelha defende que pequenos produtores cultivem comida

Gláucia Chaves, Especial para o Correio Braziliense

Ao redor do mundo, todas as noites, quase 1 bilhão de pessoas vão para a cama com fome. Ironicamente, grande parte desses indivíduos são pequenos agricultores, responsáveis pela produção de metade dos alimentos consumidos no planeta. Cerca de 180 milhões de crianças de até 5 anos estão desnutridas e com retardo no crescimento e 925 milhões de pessoas sofrem de fome crônica. Ao mesmo tempo, no segundo semestre de 2010, os alimentos ficaram 30% mais caros, 10 milhões de hectares de terra foram inutilizados por conta da seca e 30% das sobras de alimentos foram perdidas. O orçamento do Banco Mundial utilizado para a agricultura caiu de 26%, em 1980, para apenas 10%, em 2000. Esses são apenas alguns números do Relatório Mundial sobre Desastres de 2010, divulgado em setembro deste ano.

No registro feito pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho sobre a situação da fome no mundo, os dados espelham a situação desesperadora de populações sem condições de se alimentar e a chamada “obesidade epidêmica” dos ricos. Em uma visita ao Brasil para acompanhar o lançamento da Frente Parlamentar de Apoio à Cruz Vermelha Brasileira (CVB) — iniciativa do líder da bancada do Partido Popular Socialista (PPS), Rubens Bueno, e do presidente nacional da CVB, Walmir Moreira Serra —, o subsecretário geral para a Sociedade Nacional e Desenvolvimento do Conhecimento da Federação Internacional da Cruz Vermelha e Sociedades do Crescente Vermelho (FICV), Mukesh Kapila, falou ao Correio sobre a fome no mundo, iniciativas governamentais para driblar o problema e a responsabilidade de cada um na luta contra a desnutrição.

Como uma reconfiguração do sistema alimentar global pode ser feita?
Com investimentos primários, agricultores irão cultivar alimentos na comunidade local. A maioria dos alimentos já é produzida por pequenos agricultores ao redor do mundo e isso certamente é suficiente para alimentar os continentes mais famintos. Então, por que tanto dinheiro está indo para a indústria agrícola, incluindo aqui no Brasil? O fato é que o preço para produzir nas terras é maior para os pequenos fazendeiros.

Quais as principais dificuldades que países como o Brasil enfrentam? São as mesmas enfrentadas pelo resto do mundo?
O Brasil é um país muito importante agora. Os desafios são os mesmos, na verdade: como criar um sistema justo de distribuição de recursos? Todo cidadão precisa ter acesso aos direitos humanos básicos para sobreviver e para que possa se desenvolver, como comida, água, cuidados de saúde e assim por diante. Logo, essa é a questão principal, esse é o verdadeiro desafio. A vantagem de países como o Brasil, que exportam comida, é que eles enriquecem muito rápido. E você precisa enriquecer para ter recursos para distribuir. Países como o Brasil, com grande extensão de terras e economicamente fortes, têm uma posição de liderança. A pergunta para o governo do Brasil e para os brasileiros é a seguinte: vocês estão preparados? Ou ainda: quando vocês estarão preparados para assumir fortemente essa posição de liderança no mundo? O mundo sem a liderança brasileira é um mundo que se move em velocidade média, quando poderia ir à toda velocidade. A questão do Brasil, então, é nacional — fazer o que é certo pelos cidadãos — e internacional, já que precisa assumir um lugar apropriado em um mundo em que ainda está à parte.

Segundo o World Disaster Report, 27% da população dos Estados Unidos é obesa, enquanto 925 milhões de pessoas sofrem de fome crônica. Como a especulação financeira do mercado de alimentos se relaciona com esse dado? O preço dos alimentos é o principal motivo? Quais os outros?
Isso não é surpreendente, na verdade. Acho que se houvesse investimentos em diferentes formas de agricultura, o custo da comida cairia. Os fabricantes descobriram que a presença do açúcar e do sal em excesso na comida processada faz com que ela possa ser distribuída para locais mais distantes. E ela ainda é mais barata. Logo, as pessoas pobres à procura de algo para comer naturalmente irão em busca dos alimentos mais baratos, que tendem a ser menos saudáveis. Como resultado, elas se tornam obesas e doentes. Elas não consomem a quantidade necessária de vitaminas e outro elementos nutricionais que são necessários a todos. O fato de o país mais rico do mundo ser também o mais gordo é um reflexo de uma sociedade infeliz. Pode ser porque eles estão mais tristes e não têm condições de bancar alimentos mais saudáveis. É um paradoxo mental estranho. É por isso que é preciso uma abordagem social. As pessoas devem ser educadas a confrontar o problema que as está forçando a comer alimentos prontos — que só são consumidos por serem a única opção.

Como tornar a comida saudável mais barata, então?
Esse é um problema político para todos os governos. Tudo em relação à comida é político. Nenhum governo sobrevive se não abordar aspectos políticos relacionados à alimentação. O mundo inteiro tem se tornado mais rico, e os governos precisam fazer escolhas difíceis. Basta tomar como exemplo os alimentos que não são saudáveis, como os com excesso de sal, sódio e açúcar: ele (o governo) pode tentar tarifar esses alimentos ou esses ingredientes de forma diferente, reduzir os impostos sobre os alimentos saudáveis, enfim, há maneiras para se fazer isso. Contudo, muito mais importante que tributação é a parceria que os governantes devem fazer com a sociedade e com grupos como a Cruz Vermelha, que têm como objetivo educar a comunidade, fazer com que as pessoas entendam que cada um é responsável pela própria vida. Isoladamente, o governo não pode fazer muita coisa. Apenas quando os cidadãos comuns tiverem o controle de seu próprio comportamento é que a mudança poderá ser feita. Então, não é justo culpar apenas o governo o tempo todo, como também não é certo esperar que ele resolva todos os problemas. Os cidadãos é que precisam fazer isso.

O primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, é reduzir pela metade o percentual de pessoas que sofrem de fome até 2015. Essa é uma meta viável? O que é preciso ser feito para que ela se torne realidade?
Bom, talvez. Acredito que seja possível e isso já foi alcançado em muitos países, mas acho que números como esse, estatísticas sobre quantos por cento estão melhorando ou piorando não nos dizem o suficiente sobre a questão humana que está por trás disso. As estatísticas escondem desigualdades. Na China, por exemplo, o chinês médio tem 50% mais calorias disponíveis que há alguns anos. Ao mesmo tempo, a pobreza tem aumentado. Isso significa que temos que ter muito cuidado ao interpretar esses números e estatísticas. Enquanto grande parte do mundo melhorou, uma parcela significativa da população em vários países tem ido para outra direção. A coisa mais importante para os que fazem as políticas, na minha opinião, é focar-se nos esforços mais valiosos — o que também é o trabalho da Cruz Vermelha. Os governantes precisam andar ao lado dessas organizações.

FONTE: http://bit.ly/ukFWTf

Diminui consumo de arroz, feijão, frutas e hortaliças e aumenta de sal e açúcar

Paula Laboissière

O país enfrenta, atualmente, uma espécie de transição nutricional, já que hábitos até então comuns como o consumo de arroz e feijão registraram queda, enquanto carnes gordurosas e alimentos embutidos passaram a ser amplamente consumidos. A avaliação é da coordenadora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Déborah Malta.

Em entrevista à Agência  Brasil, ela explicou que o problema de alimentos como salsichas e linguiças é o alto teor de sal, responsável por aumentar o risco de doenças cardiovasculares. A presença de elevados níveis de açúcar na dieta do brasileiro, segundo a coordenadora, também representa uma agravante – sobretudo quando associada a um baixo consumo de frutas e hortaliças.

Os dados fazem parte da pesquisa Vigitel 2010, que mostra que 48,1% da população adulta no país estão acima do peso, enquanto 15% dos brasileiros estão obesos. O estudo indica ainda que apenas 18,2% das pessoas consomem cinco porções de frutas e hortaliças por cinco dias ou mais por semana; 34% consomem alimentos com elevado teor de gordura e 28% consomem refrigerantes cinco ou mais dias por semana.

O consumo diário de sal no Brasil, atualmente, é de 12 gramas – mais de duas vezes maior que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Já o açúcar é consumido de forma considerada exagerada por 61,3% da população.

“Temos, entre os brasileiros, uma piora dos hábitos alimentares”, avaliou Deborah. “Nos últimos anos, a desnutrição, que era um problema, recuou, mas a obesidade e o excesso de peso cresceram – em função de uma alimentação não adequada e não balanceada e também de níveis baixos de atividade física”, concluiu.

De acordo com a coordenadora, a meta do ministério é estabilizar o quadro de excesso de peso e obesidade entre adultos até a próxima década e, ao mesmo tempo, diminuir os índices entre crianças e adolescentes. A pasta firmou, em abril deste ano, um acordo com a indústria alimentícia com foco na redução de sal e de gorduras trans na fabricação de produtos como macarrões instantâneos.

FONTE: Jornal do Brasil

Nutricionista comenta lei de regulamentação de cantinas nas escolas de Campo Grande

Evelin Araujo

Willie Zampiere

A nutricionista Daniela Wanderley de Mendonça é especializada em nutrição em pediatria na escola e na adolescência.  Ela trabalha há dez anos com nutrição infantil e ajudou a implantar um sistema semelhante ao extinto TOI (Tratamento da Obesidade Infantil) do Hospital Regional na Uniderp. Atualmente ela atende crianças em uma clínica para programação de perda de peso e trabalha em uma escola particular em um projeto chamado “Alimente-se bem na escola”.  Ela fala sobre a importância da alimentação saudável ainda na infância e da lei sancionada nesta semana pelo prefeito Nelsinho Trad, que regulamenta o que pode ou não ser vendido nas cantinas das escolas de Campo Grande.Midiamax – A realidade antes do projeto na escola era diferente? O consumo de balas e doces era alto?

Daniela – apesar dos profissionais da escola orientarem e fazerem um trabalho de conscientização das crianças na escola, a adaptação ainda não era grande. Agora a gente observa a diferença nesses alunos. As pessoas colocam seus filhos desde os 4 meses nas escolas, nos berçários e muitos centros de educação funcionam em período integral. A criança acaba realizando todas as refeições na escola que é o local onde ela aprende o que é certo enquanto pessoa e cidadã, a educação alimentar é fundamental.

Além disso, o número de adultos com problemas decorrentes da má alimentação é muito grande, porque eles não tiveram a orientação desde o início e também não havia tanta informação a respeito do que o consumo alto de açúcar podia acarretar. O número de alimentos industrializados é enorme, porque ele é muito mais prático. O tempo para os pais prepararem alimentos em casa para os filhos é muito pequeno, então eles acabam comprando o industrializado. Também tem a quantidade grande de sal e açúcar nos industrializados, porque o sal que conserva e dá um tempo maior pro alimento ficar na prateleira. A criança que consome isso todos os dias pode vir a desenvolver pressão alta. Eu tenho um caso de um paciente meu com 5 anos de idade que toma remédio controlado para a pressão por causa da alimentação. E já não é um caso esporádico, isso está virando uma epidemia.

Aqui no nosso estado 35% das mulheres do nosso estado estão obesas. Então a escola tem que ser um ambiente coerente, a cantina tem que ser um ambiente saudável, de acordo com o que é ensinado em sala de aula. Toda a população tem a ganhar. Nem os donos das cantinas vão perder dinheiro e nem os alunos serão induzidos mais a comprar os produtos que não são saudáveis.

A criança não tem a condição de escolher o que é saudável ou não. Ela é influenciada pela cor, pelos desenhos, pelos “bichinhos” da embalagem.

Midiamax – E para um adolescente, que recebe já com dificuldade essa questão de normatização das coisas? Como é lidar com reeducação alimentar nessa faixa etária?

Daniela – É fase de entusiasmo, de mudar o mundo, de agir conforme eles acham que está certo, mas a gente vê até uma aceitação boa deles. Eles estão preocupados com a saúde deles. Eles vêm conversar e contar que estão acima do peso, com colesterol elevado, preocupados mesmo. Na escola onde eu atuo, a cada 20 alunos, 4 são obesos. Eu vejo que eles precisam de um profissional da área trabalhe com eles nesse processo de transformação. Hoje em dia existem produtos industrializados que são saudáveis e que a garotada gosta também. Falta a informação por parte desses cantineiros também. É função do nutricionista orientar as cantinas, mostrar opções para o estabelecimento que fica dentro da escola.

Estamos ali pra isso, para dar um suporte. Existem muitos alimentos no mercado e eles não são caros. Uma das grandes preocupações da aprovação da lei é a questão do custo.
É preciso entender também que o salgado não está proibido, só a fritura. Tem empada, pão de queijo, que é saudável, pastel assado. A mudança maior é no refrigerante e no doce.

A adaptação é a curto prazo. A maioria dos pais vai agradecer, eles não têm tempo de preparar algo saudável em casa, recorrem ao supermercado e compram um produto industrializado e calórico. Se tiver a opção do alimento saudável na cantina fica mais fácil para o aluno comprar do que levar de casa.

Midiamax – E quando o aluno não tem dinheiro, não pode comprar? Há a ideia de que o alimento saudável é mais caro. Isso é certo?

Daniela – É errado. Uma banana custa R$ 0,20, uma maçã R$ 0,80, um mamão R$ 1,00. Isso é muito barato em relação a um pastel frito de R$ 2,50.
O próximo passo após essa lei é a confecção de uma cartilha para orientar e dar embasamento aos cantineiros sobre cursos e receitas de alimentos saudáveis nas cantinas.
Midiamax – É mais fácil para a pessoa se adaptar a uma alimentação mais saudável na infância?

Daniela – Todo mundo tem a capacidade de se alimentar, o processo de adaptação é um período curto. Mas é muito importante que o hábito seja desenvolvido na infância e tenha a continuidade que a consciência já foi desenvolvida. Por exemplo, eu trato de crianças com alergias e intolerância a lactose. Como elas sobrevivem? Elas não pedem um doce, um bolo, nos aniversários? Quando ela tem a consciência ele simplesmente não faz questão de consumir aquele produto, ela sabe que aquele alimento causa um mal para o corpo dela. Ela registra isso na cabeça dela e quando ela cresce, pensa: isso aqui não. Ela se lembra da orientação que recebeu.
O adulto tem que ter mais disposição para isso. Por exemplo, a sacarose, esse açúcar de mesa. Nós não precisamos dele. É um vício das pessoas, as frutas e alimentos já têm a quantidade necessária de açúcar, a frutose.

Midiamax – E o efeito sanfona nas pessoas, como acontece?

Daniela – existem células responsáveis por armazenar gordura no nosso corpo. A gordura é importante por manter a temperatura do nosso organismo, proteger os órgãos. Ela é fundamental na nossa alimentação, só que o tipo da gordura é que vai causar o dano ou não em nós.

Essas células têm a capacidade de se multiplicar em grande quantidade e porque ela se multiplica? Porque está entrando uma grande quantidade de gordura no organismo, que precisa ser armazenada de alguma forma. Essas células de gordura não morrem. A pessoa, desde criança, por vezes, tem uma alimentação que não é equilibrada e recebe um excesso de açúcar, gordura. Então a pessoa faz um regime e emagrece. Ela não perdeu as células de gordura, elas estão lá. Por isso tem que haver um controle da alimentação, que a capacidade de preencher novamente essas células ainda existe.
Midiamax – A obesidade e a aparência – existem “gordinhos” que se aceitam e se gostam como são. Alguns são saudáveis, não têm problemas de saúde. Qual o recado para eles.

Daniela – Existem também os falsos magros. São pessoas com a aparência esguia, mas que quando fazem exames descobrem colesterol, diabetes e doenças relacionadas à obesidade. O recado é que todos façam exames periodicamente, de seis em seis meses, para verificar a saúde. Quando adolescente, os obesos sofrem preconceito pela aparência, porque mesmo saudáveis os obesos algum dia desenvolverá algum tipo de doença pela má alimentação. Por isso é preciso fazer, além do acompanhamento com um nutricionista, acompanhamento com psicólogos, cardiologistas.

FONTE: http://bit.ly/pdxvr3

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