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Agricultura sustentável e segurança alimentar

Flávia Moraes

Após as discussões na COP17 sobre mudanças do clima, seus impactos em países menos desenvolvidos e os riscos para a produção agrícola, um grupo de especialistas internacionais em agricultura publica na edição de hoje (20) da revista Science o artigo What Next for Agriculture After Durban? (Como Ficará a Agricultura após Durban?). O texto aponta a segurança alimentar como pauta importante a ser debatida nas negociações climáticas de 2012.

Um dos autores é o Dr. Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Ele destaca como motivação à elaboração do artigo a criação de um novo paradigma de agricultura, a agricultura sustentável. “A agricultura tem sido voltada para atender necessidades de mercado, com alta produtividade e baixos custos, mas essa prática impacta o meio ambiente. A agricultura sustentável proporciona maior segurança alimentar, pois não deixa de cumprir o papel econômico e ainda garante alimento de qualidade para todos, baixo impacto ambiental, além de ser mais resistente às mudanças do clima”, explica.

Modificar o paradigma mundial da agricultura de mercado para a sustentável também é um convite aos pesquisadores da área, pois a ciência tem papel fundamental e é capaz de influenciar políticas públicas. “Ciência e cientistas precisam melhorar a comunicação com sociedade e tomadores de decisões para mostrar que isso é possível”, afirma Nobre. Os autores também consideram a necessidade de aumentar a produção de pesquisa integrada sobre práticas agrícolas sustentáveis mais adequadas às “diferentes regiões, sistemas de produção agrícola e paisagens”, especialmente nos países com baixo nível de renda, onde as mudanças climáticas representam o maior desafio. De acordo com o artigo, cientistas precisam de mais espaço para assegurar um diálogo esclarecido sobre perigos das mudanças climáticas para a segurança alimentar. “Ainda falta ao cientista dessa área adotar de maneira mais abrangente o novo paradigma da agricultura sustentável”, conclui o secretário.

FONTE: O Eco

Relatório “Estado do Mundo 2011 – Inovações que Nutrem o Planeta”

“Não podemos mais continuar crescendo em um planeta que é finito sem a readaptação dos diferentes setores, sem um novo modelo de produção e consumo que seja sustentável”, defendeu Eduardo Athayde, presidente do Worldwatch Institute no Brasil(WWI Brasil). Ele participou do debate sobre segurança alimentar e as inovações para a sustentabilidade no campo, tema do relatório “Estado do Mundo 2011 – Inovações que Nutrem o Planeta”.

O debate foi realizado na quarta-feira (19/10), em São Paulo, durante o lançamento da versão em português do documento.

“Somos 7 bilhões de pessoas. Um em cada sete de nós acorda pela manhã e não sabe o que comer. Sequer, se vai comer”, alerta. “Enquanto isso, especialistas discutem como produzir mais e não como consumir o que já é produzido de forma sustentável e igualitária.” Dados do relatório indicam, por exemplo, que entre 25% e 50% da colheita dos países mais pobres estraga ou é contaminada por pragas ou fungos antes de chegar à mesa.

Vale lembrar que 1804 a população humana atingiu o primeiro bilhão. Passados apenas 130 anos, isto é, em 1930, o número já era de 2 bilhões. O crescimento populacional continuou muito acelerado, tanto é que hoje somos quase 7 bilhões e caminhamos a passos largos para chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050. “Diante dessa realidade, como garantir segurança alimentar considerando ainda os 78 milhões de novos consumidores acrescidos anualmente à população humana”, questiona Athayde.

O presidente cita algumas ações protagonizadas no continente africano para o combate à fome. As inovações estão descritas no relatório Estado do Mundo:

– Na Gâmbia, 6.000 mulheres se organizaram em associação de produtoras, criando um planejamento de co-gestão sustentável para a exploração local de ostras;

– Em Kibera – uma das maiores favelas africanas que fica em Nairobi, capital do Quênia – mais de 1.000 agricultoras estão cultivando hortas “verticais” em sacos de terra perfurados, alimentando suas famílias.

Ainda segundo o estudo, “dando às mulheres o mesmo acesso que os homens aos recursos agrícolas, poderia aumentar a produção nos países em desenvolvimento em 20% a 30%” e isso poderia reduzir em até 150 milhões o número de pessoas com fome no mundo.

Para Athayde, o mundo precisa crescer readaptando os diversos setores de produção. “Isso significa decrescer os níveis de produção e consumo, gerando o crescimento de lucros por meio da inteligência, da eficácia da ciência e da capacitação para a sustentabilidade”.

O documento alerta também que “o preço mundial dos alimentos sofre forte pressão de aumento, impulsionado pela crescente demanda por carne na Ásia, trigo na África e biocombustíveis na Europa e América do Norte, entre outros fatores”.

Obtenha o documento completo aqui

FONTE: SEMIÁRIDO, por indicação de MariaPapirus

El Estado de la Inseguridad Alimentaria en el Mundo 2011

Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura – FAO

El Estado de la Inseguridad Alimentaria en el Mundo 2011
¿Cómo afecta la volatilidad de los precios internacionales
y la seguridad alimentaria?

En El estado de la inseguridad alimentaria en el mundo 2011 se hace hincapié en las diferentes repercusiones que tuvo la crisis alimentaria mundial de 2006-08 en los distintos países, y que afectó más a los más pobres.

En el informe se describen los efectos de la volatilidad de precios en la seguridad alimentaria y se presentan opciones en materia de políticas para reducir la volatilidad de manera eficiente (al menor coste posible) y para controlar dicho fenómeno cuando no se pueda evitar. El informe se centra también en los riesgos y oportunidades que plantean los precios elevados de los alimentos. El cambio climático y la mayor frecuencia de las perturbaciones meteorológicas, el aumento de los vínculos entre los mercados energéticos y agrícolas debido a la creciente demanda de biocombustibles y el aumento de la “financiarización” de los productos alimenticios y agrícolas básicos apuntan a que la volatilidad será una realidad perdurable.

Descargar el resumen

Descargar la publicación

Para mayor información, favor de contactar: sofi@fao.org
Departamento de Desarrollo Económico y Social, Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura, Viale delle Terme di Caracalla, 00153 Roma, Italy.

FONTE: FAO

Nicaragua, muestra esperanzas de lograr Seguridad Alimentaria y Nutricional

Tania Díaz Rivas

Nicaragua muestra avances en seguridad alimentaria, a través de los diversos programas ejecutados con apoyo de la cooperación externa; sin embargo, aún persisten personas en muy alta vulnerabilidad, por lo que se requiere mejorar y ampliar los programas de asistencia alimentaria, por medio de la sinergia de los diversos actores en los territorios.

Según datos de la FAO, en Nicaragua el 19% de la población está sub nutrida, es decir, que se encuentran en un estado de desnutrición leve, lo cual se relaciona con los niveles de pobreza y advierte sobre las condiciones de inseguridad alimentaria. Esto a la vez está relacionado con el comportamiento de los mercados de alimentos y con la producción de los mismos, ya que estos mercados determinan el acceso que las personas tienen a la alimentación. Por otro lado, las condiciones de seguridad alimentaria inciden en la capacidad productiva de las personas y por ende en las posibilidades de crecimiento y desarrollo económico de largo plazo.

Por tal motivo, la emisión de “EL OBSERVADOR ECONOMICO EN VIVO”, del día 11 de julio del presente año, abordó la temática sobre: Seguridad Alimentaria y Nutricional, con el objetivo de conocer la importancia de la seguridad alimentaria como requisito para mantener un nivel de vida aceptable y su incidencia en el desempeño escolar de los niños y jóvenes, así como en la productividad de los trabajadores. Para este efecto se entrevistó a la Licda. Vera Amanda Solís, Consultora de la FAO, quien actualmente se desempeña como Secretaria General de la Universidad Centroamericana (UCA)/ Ella es licenciada en Bioanalisis y nutrición, cuenta con una maestría en Nutrición y Tecnología de Alimentos y se destaca como conductora del Programa hablemos de nutrición, asimismo, se desempeña como coordinadora del Consejo Interuniversitario de Soberanía y Seguridad Alimentaria.

Nos podría explicar, ¿Qué se entiende normalmente por Seguridad Alimentaria?

El concepto de Seguridad Alimentaria que ha venido evolucionando a partir de los años 70, antes consideraba, que el problema del hambre se debía a una insuficiente producción de alimentos, debido al creciente aumento de la población, ya que las políticas durante ese periodo se enfocaban en aumentar la producción de alimentos.

Sin embargo, a pesar que se producían grandes cantidades de alimentos el problema del hambre no disminuyó, es decir, que la producción de alimentos no solucionó el problema. No obstante, en la actualidad se avanzó en el aspecto conceptual y se agrego el indicador de consumo de alimentos, el cual está referido a la capacidad y acceso que tiene la persona de poder comprar el alimento que está disponible; por lo que se precisa que el consumidor debe de tener un empleo o el acceso físico en la localidad en la que vive, también debe de existir suficientes alimentos disponibles en el mercado para que los pueda comprar.

¿Por qué razón el debate sobre Seguridad Alimentaria se ha vuelto tan importante en los últimos años?

En el año 2007 hubo una sequia muy marcada y el resultante incremento de los precios de los alimentos incidió de manera negativa en el crecimiento de los países más pobres. El reciente estudio que desarrollo la FAO con el Programa Mundial de Alimentos, señala que la zona seca de Nicaragua, es la más afectada por este fenómeno, particularmente los departamentos de Nueva Segovia, Madriz, Estelí, Matagalpa, Jinotega, Boaco, Managua, León y Chinandega, debido a que la mayoría de la población no dispone de reservas de alimentos; la sequia afecto la producción de postreras y las familias acabaron su reservas de alimentos.

Esta población no tiene trabajo, no tiene acceso a los insumos y está en riesgo de padecer mayores índices de desnutrición y la problemática de hambre, por lo que el tema de Seguridad Alimentaria y Nutricional, ha ganado importancia, tanto a nivel económico, como jurídico, a través de la ley 693 de Soberanía y Seguridad Alimentaria Nutricional, cabe señalar que Nicaragua, es uno de los países que dispone un marco normativo, lo cual se convierte en un compromiso para el estado, el tratar de asegurar a toda la población el acceso al alimento.

¿Cuáles son las condiciones actuales de seguridad alimentaria en Nicaragua?

Uno de los aspectos por los que se mide la inseguridad alimentaria es por el estado nutricional de la población, según la última encuesta realizada en el 2007 a nivel nacional, el 16.9 % de los niños y niñas menores de 5 años presentan desnutrición crónica, el 1% presentan desnutrición aguda y el 6.9% desnutrición global. Sin embargo, estos datos a nivel local pueden ser mayores o puede ser menor, probablemente es mayor en el corredor seco, ya que es la zona más vulnerable que es en la región del Caribe.

Si nos vamos a las cifras de hambre podríamos comparar un poco a Nicaragua con el resto de países de la región. En Centroamérica 5 millones de personas padecen hambre, según cifras de un estudio que realizo la organización Acción Contra el Hambre, lo cual representa el 15% de la población de los países centroamericanos. Esto no tiene ninguna explicación lógica, es una cifra absurda que en el siglo XXI existan 5 millones de personas hambrientas en Centroamérica, de las cuales 1.5 millones de niños y niñas que padecen de desnutrición.

Los porcentajes de personas hambrientas son el 10% en El Salvador y el 22 % en Nicaragua, la desnutrición crónica infantil es 49.3 % en Guatemala, lo cual es un dato escandaloso, porque indica que casi el 50% de la población infantil esta desnutrida, en El Salvador el 19.2% de los niños y niñas padecen de desnutrición crónica, Costa Rica presenta la tasa más baja con un 5 % y Nicaragua alrededor del 16%.

¿Nicaragua ha avanzado en combatir los problemas de inseguridad alimentaria?

Definitivamente Nicaragua, ha realizado muchos esfuerzos por combatir el hambre y la inseguridad alimentaria, lo cual se ve reflejado con la aprobación de la ley 693 y es un aspecto prioritario en el Plan Nacional de Desarrollo Humano, se ha estructurado una arquitectura para que se cumpla la ley Soberanía y Seguridad Alimentaria Nutricional, ya que la obligación radica en una secretaria y otras estructuras que funcionan a nivel departamental, regional y municipal.

Los proyectos de cooperación internacional de las agencias se han mantenido en constante desarrollo con los programas relacionados con el hambre y la desnutrición. Es importante señalar, que los niveles de desnutrición aguda han bajado significativamente, la cual es la que se toman en cuenta en las medidas de desnutrición.

¿El aumento de los precios de los alimentos está afectando las condiciones de seguridad alimentaria de la población nacional? ¿En qué sentido?

Es uno de los factores que más incide en la situación de inseguridad alimentaria en la población, en los estudios que se han realizado y he mencionado anteriormente se les preguntaba a la familia qué cómo estaban haciendo ante el incremento en el precio de los alimentos para poder subsistir; la mayoría de las familia lo que hacen es disminuir los alimentos que consumen y eso lógicamente impacta sobre el estado nutricional de la familia, porque implica que hay un menor consumo energético y un menor consumo de proteínas.

¿Cuál será el impacto del cambio climático en la seguridad alimentaria de las personas?

La relación entre cambio climático y seguridad alimentaria está estrechamente ligada, hay que tomar acciones y medidas de prevención y de alerta ante eventuales desastres climáticos, porque es un fenómeno que estamos viviendo y se tienen que implementar acciones a nivel de los pequeños y medianos productores, para que puedan producir alimentos que se adapten al cambio climático. También hay que implementar instrumentos meteorológicos que ayuden a la predicción de los escenarios futuros del clima, con el propósito de tomar medidas que minimicen el impacto sobre la producción de alimentos.

¿Qué políticas económicas y sociales se deberían implementar para mejorar las condiciones de seguridad alimentaria de los nicaragüenses?

Hay muchas políticas que considero se deberían de implementar, sin embargo, me voy a referir al tema de la nutrición: es necesario colocar a la nutrición como el eje fundamental para el desarrollo social y económico del país, al inicio les decía que el concepto de seguridad alimentaria nutricional por lo general hace énfasis en la parte productiva pero se olvida de la disponibilidad, acceso a los alimentos y a la forma de consumirlos, lo cual está relacionado con aspectos culturales. Es necesario que los niñas, niñas se alimenten con la leche materna, lo que repercutirá en mayores niveles de nutrición, mejor nivel educativo y por ende incide de manera positiva en el desarrollo socioeconómico del país al disponer de capital humano capacitado, por lo que es necesario promocionar la lactancia materna, formular políticas que incentiven el estado nutricional, educación alimentaria y nutricional, reforzar los sistemas de vigilancia nutricional y alerta temprana.

FONTE: http://bit.ly/qFDs3h

ONU reconhece crise de fome em duas regiões do sul da Somália

Abdurashid Abikar

Duas regiões do sul da Somália sob controle de rebeldes islamitas shebab e afetadas por uma gravíssima seca sofrem com uma crise de fome, anunciou nesta quarta-feira a ONU em Nairóbi.

“As Nações Unidas declararam hoje que existe fome em duas regiões do sul da Somália: o sul de Bakool e Lower Shabelle”, segundo o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) na Somália.

“Se não agirmos agora, a fome se estenderá às oito regiões do sul da Somália nos próximos dois meses, devido às más colheitas e ao aparecimento de doenças infecciosas”, advertiu Mark Bowden, coordenador humanitário das Nações Unidas para a Somália.

A Ocha acredita que quase a metade da população somali, ou seja, 3,7 milhões de pessoas, das quais 2,8 milhões vivem no sul, se encontram em situação crítica.

O governo somali expressou sua esperança de que “o reconhecimento da gravidade da situação nestas regiões ajude a limitar as carências”, acelerando os envios de alimentos e material médico.

As pessoas diretamente afetadas pela fome são cerca de 350 mil, mas a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com sede em Roma, estimou que cerca de 12 milhões requerem assistência de emergência em toda a região e avaliou em 120 milhões de dólares (84 milhões de euros) as contribuições necessárias da comunidade internacional para garantir esta ajuda.

Bakool e Lower Shabelle estão controladas pelos insurgentes Shebab, que afirmam ser próximos da rede Al-Qaeda.

Estas milícias expulsaram há dois anos as organizações internacionais de ajuda humanitária, acusando-as de ser espiãs ocidentais e cruzados cristãos, mas recentemente anunciaram ter levantado algumas restrições e a ONU enviou na semana passada material humanitário por avião.

“Várias secas afetaram o país nos últimos anos, e o conflito (com os islamitas) dificultou enormemente as atividades das agências (humanitárias) e o acesso às comunidades no sul do país”, afirmou a Ocha em um comunicado.

Segundo a ONU, a crise alimentar na região – que inclui Djibuti, Etiópia, Quênia e Uganda – é a pior em duas décadas.

“Dada a combinação da gravidade e da extensão geográfica, esta é a pior crise de segurança alimentar na África desde a fome de 1991-92 na Somália”, disse a entidade da ONU.

Os índices de mortalidade e desnutrição na região são equiparáveis ou inclusive superiores aos das recentes crises do Níger em 2005, Etiópica em 2001 e Sudão em 1998, acrescentou.

O estado de fome é declarado quando ao menos 20% dos lares de uma região sofrem com carências alimentares extremas com capacidades escassas de enfrentá-las, assim como desnutrição aguda de 30% da população e uma média de dois mortos em dez mil habitantes por dia, de acordo com a definição da ONU.

Os índices de desnutrição na Somália são atualmente os piores do mundo, e chegam a 50% em algumas regiões do sul, afirmou Bowden.

“Cada dia de atraso na assistência é literalmente uma questão de vida ou morte para crianças e para suas famílias nas zonas afetadas”, insistiu Bowden.

Cerca de 78 mil somalis deixaram suas terras e se refugiaram na Etiópia e Quênia nos últimos dois meses.

FONTE: http://bit.ly/pTA7GT

Escassez de água afetará segurança alimentar

Paulo Daniel

O mundo experimentará a crescente escassez de água para agricultura como resultado das mudanças climáticas, um fenômeno que afetará os meios de sobrevivência de comunidades rurais e a segurança alimentar de áreas urbanas, aponta o relatório “Mudança Climática, Água e Segurança Alimentar”, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O impacto afetará rios e aquíferos no Mediterrâneo e em semiáridos das Américas, Austrália e sul da África, regiões que já demonstram estresse hídrico. Na Ásia, áreas irrigadas que dependem do degelo e montanhas glaciais também serão afetadas, enquanto deltas de rios em zonas densamente povoadas estão em risco por causa de uma combinação de redução no fluxo de água, aumento da salinidade e elevação dos níveis do mar.

As chuvas aumentarão nos trópicos, mas diminuirão em semiáridos. Regiões onde a água já é escassa devem ficar ainda mais secas e quentes. O aumento das temperaturas ampliará o período de cultivo nas zonas temperadas mais ao norte e o reduzirá em quase todo o mundo. A perda de umidade também reduzirá a produtividade no campo.

A FAO recomenda governos a implementação de sistemas eficazes para gerenciar fontes, transferências e o uso da água, especialmente nos países em desenvolvimento. Produtores rurais podem alterar ciclos de plantio para otimizar a irrigação. A pesquisa aponta, ainda, que sistemas agro-florestais ajudam a reduzir temperaturas e evaporação, além de ampliarem a retenção da água e a conservação do solo.

Paulo Daniel, economista, mestre em economia política pela PUC-SP, professor de economia e editor do Blog Além de economia.

Relatório: Alterações climáticas irão afectar o fornecimento de alimentos

Um relatório do CCAFS (Alterações Climáticas, Agricultura e Segurança Alimentar) identificou o sul da Ásia e a África subsariana como as regiões do mundo onde o fornecimento de alimento será mais afectado pelas alterações climáticas.

De forma a avaliar o impacte das alterações climáticas sobre a capacidade de produção de alimentos no nosso planeta a CCAFS, uma iniciativa do Grupo Consultivo na Investigação Agrícola Internacional (CGIAR), pesquisou os hotspots das alterações climáticas e insegurança alimentar.

Através da análise dos dados climáticos reunidos pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC), a equipa previu quais das regiões com insegurança alimentar irão ter nos próximos 40 anos, maiores alterações na temperatura e precipitação.

O sul da Ásia e a África subsariana serão as zonas mais afectadas. “Estamos a começar a ver onde os efeitos das alterações climáticas na agricultura poderão intensificar a fome e a pobreza,” refere Patti Kristjanson, economista agrícola.

“A África Oriental destaca-se como problemática”, refere Bruce Campbell, o director da CCAFS. “Em muitos locais de África será necessário uma revolução nos sistemas agrícolas.”

Os países terão de passar a cultivar variedades mais resistentes à seca. Contudo, nos países, como a Nigéria, que já cultivam estas variedades “há pouco espaço para manobra”, sublinha Campbell.

Os governos têm o objectivo de limitar o aumento da temperatura média do planeta em 2ºC até ao fim do século. Mas se as temperaturas seguirem as trajectórias correntes, “enfrentamos um aumento de 3 a 4ºC”, explicou Gordon. Neste caso, “a situação torna-se bastante alarmante.”

Segundo Martin Parry, professor visitante no Colégio Imperial de Londres, que co-presidiu um dos grupos de trabalho no último relatório climático do IPCC, este avanço na investigação dos impactes das alterações climáticas no fornecimento de alimentos foi bem-vindo.

“Este relatório dá-nos uma fotografia local de quais serão as áreas mais vulneráveis mas, não faz conexões fortes entre as mudanças no clima e os seus impactes nos rendimentos. Torna difícil o planeamento para adaptações”, adverte Parry.

Leituras adicionais:

Alterações Climáticas: Subida das temperaturas prejudica produtividade das culturas

Alterações Climáticas – os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade

Crise Económica cria janela de oportunidade única no combate às Alterações Climáticas

Documentos recomendados:

Climas de Mudança: Vulnerabilidade Humana às Alterações Climáticas

Declínio Populacional e Alterações Ambientais

FONTE: http://bit.ly/je3UYA

A nova geopolítica dos alimentos, artigo de Lester R. Brown

“Preparem-se, tanto agricultores como chanceleres, para uma nova era em que a escassez mundial de alimentos vai moldar cada vez mais a política global”, alerta Lester R. Brown, presidente do Earth Policy Institute, em artigo publicado na revista Foreign Policy e reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo, 22-05-2011.

Segundo ele, “imagens de satélite mostram duas novas e imensas bacias de areia: uma se estendendo pelo norte e o oeste da China e oeste da Mongólia, a outra cruzando a África Central. A civilização pode sobreviver à perda de suas reservas de petróleo, mas não pode sobreviver à perda de suas reservas de solo”. “À medida que terra e água se tornam mais escassas – constata Lester Brown – que a temperatura da Terra sobe e a segurança alimentar mundial se deteriora, está surgindo uma geopolítica perigosa de escassez de alimentos”

Eis o artigo.

Nos EUA, quando os preços mundiais do trigo sobem 75%, como no ano passado, isso significa a diferença entre um pão de US$ 2 e um pão custando, talvez, US$ 2,10. Se você viver em Nova Délhi, contudo, essa alta exorbitante dos preços realmente conta: uma duplicação do preço mundial significa que o trigo custa duas vezes mais.

Bem-vindos à nova economia alimentar de 2011: os preços estão subindo, mas o impacto não será sentido de maneira equitativa. Para os americanos, que gastam menos de um décimo da sua renda no supermercado, a alta do preço dos alimentos que assistimos até agora é um incômodo, não uma calamidade. Mas para os 2 bilhões de pessoas mais pobres do planeta, que gastam de 50% a 70% de sua renda em comida, essa disparada dos preços pode significar passar de duas refeições por dia para uma.

Os que mal conseguem se segurar nos degraus mais baixos da escada econômica global correm o risco de se soltar de vez. Isso pode contribuir – e tem contribuído – para revoluções e insurgências.

Com a quebra de safra prevista para este ano, com governos do Oriente Médio e da África cambaleando em função das altas de preços, e com mercados nervosos enfrentando um choque após outro, os alimentos rapidamente se tornaram um condutor oculto da política mundial. E crises como esta vão se tornar cada vez mais comuns. A nova geopolítica dos alimentos parece muito mais vulnerável do que era. A escassez é a nova norma.

Até pouco tempo atrás, altas súbitas de preços não tinham tanta importância, pois eram rapidamente seguidas por um retorno aos preços relativamente baixos dos alimentos que ajudaram a moldar a estabilidade do fim do século 20 em boa parte do planeta. Agora, porém, tanto as causas como as consequências são sinistramente diferentes. Lamentavelmente, as altas de preços de hoje são causadas por tendências que estão contribuindo tanto para o aumento da demanda como dificultando o aumento da produção: entre elas, a rápida expansão da população mundial, os aumentos de temperatura que ressecam plantações, e o esgotamento de poços de irrigação.

Mais alarmante ainda, o mundo está perdendo sua capacidade de mitigar o efeito da escassez. É por isso que a crise dos alimentos de 2011 é genuína, e por isso ela poderá trazer consigo novas combinações de revoltas do pão e revoluções políticas. E se as sublevações que saudaram os ditadores Zine al-Abidine Ben Ali, na Tunísia; Hosni Mubarak, no Egito; e Muamar Kadafi, na Líbia não forem o fim da história, mas seu começo? Preparem-se, tanto agricultores como chanceleres, para uma nova era em que a escassez mundial de alimentos vai moldar cada vez mais a política global.

Demanda e produção

A duplicação dos preços mundiais dos grãos desde o início de 2007 foi impelida principalmente por dois fatores: o crescimento acelerado da demanda e a dificuldade crescente de expandir rapidamente a produção. O resultado é um mundo que parece chocantemente distinto da generosa economia mundial de grãos do século passado. Como será a geopolítica dos alimentos numa nova era dominada pela escassez? Mesmo neste estágio inicial, podemos ver ao menos os contornos gerais da economia alimentar emergente.

No lado da demanda, os agricultores agora enfrentam claras fontes de pressão crescente. A primeira é o crescimento populacional. A cada ano, os agricultores do mundo precisam alimentar 80 milhões de pessoas adicionais, quase todas em países em desenvolvimento.

A população mundial quase dobrou desde 1970 e está a caminho de 9 bilhões em meados do século. Ao mesmo tempo, os EUA, que um dia conseguiram atuar como um amortecedor global contra safras ruins, agora estão convertendo quantidades imensas de grãos em combustível para carros, embora o consumo mundial de grãos, que gira em torno de 2,2 bilhões de toneladas métricas por ano, esteja crescendo em velocidade acelerada. Mas a taxa em que os EUA estão convertendo grãos em etanol tem crescido ainda mais rapidamente.

Essa capacidade massiva de converter grãos em combustível significa que o preço dos grãos está agora atrelado ao preço do petróleo. Assim, se o petróleo sobe para US$ 150 o barril ou mais, o preço dos grãos acompanhará a alta já que se torna mais lucrativo converter grãos em substitutos do petróleo. E esse não é um fenômeno apenas americano: o Brasil, que destila etanol de cana de açúcar, é o segundo maior produtor depois dos EUA, enquanto a União Europeia, que pretende obter 10% de sua energia de transporte de energias renováveis, em sua maioria biocombustíveis até 2020, também está desviando terras de culturas alimentares para esse fim.

Escassez de água

Essa não é apenas uma história sobre a demanda crescente por alimentos. Do esgotamento de lençóis freáticos à erosão de solos e às consequências do aquecimento global, tudo significa que a oferta mundial de alimentos provavelmente não acompanhará nossos apetites coletivamente crescentes. Tome-se o caso a mudança climática: a regra prática entre ecologistas da produção vegetal é que, para cada 1 grau Celsius de aumento da temperatura acima do ótimo para a estação de crescimento, os agricultores podem esperar uma quebra de 10% no rendimento dos grãos. Essa relação foi confirmada dramaticamente durante a onda de calor de 2010 na Rússia, que reduziu a safra de grãos do país em quase 40%.

Com a elevação das temperaturas, os lençóis freáticos estão diminuindo na medida em que os agricultores bombeiam em excesso para irrigação. Isso infla artificialmente a produção de alimentos no curto prazo, criando uma bolha dos alimentos que estoura quando os aquíferos são esgotados e o bombeamento é necessariamente reduzido à taxa de recarga.

No conjunto, mais da metade da população mundial vive em países onde os lençóis freáticos estão diminuindo. O Oriente Médio árabe politicamente convulsionado é a primeira região geográfica onde a produção de grãos atingiu o pico e começou a declinar por escassez de água, apesar de as populações continuarem a crescer. A produção de grãos já está diminuindo na Síria e no Iraque e, em breve, poderá declinar no Iêmen. Mas as maiores bolhas alimentares estão na Índia e na China. Como esses países enfrentarão a escassez inevitável quando os aquíferos forem esgotados? Ao mesmo tempo em que estamos secando nossos poços, estamos também maltratando nossos solos, criando novos desertos. A erosão do solo decorrente do excesso de cultivo e do manejo indevido da terra está solapando a produtividade de um terço das terras cultiváveis do mundo.

Qual a gravidade disso? Imagens de satélite mostram duas novas e imensas bacias de areia: uma se estendendo pelo norte e o oeste da China e oeste da Mongólia, a outra cruzando a África Central. A civilização pode sobreviver à perda de suas reservas de petróleo, mas não pode sobreviver à perda de suas reservas de solo.

Nesta era de aperto dos suprimentos mundiais de alimentos, a capacidade de cultivar alimentos está rapidamente se tornando uma nova forma de alavancagem geopolítica, e os países estão tratando de garantir seus próprios interesses paroquiais às custas do bem comum.

Terras estrangeiras

Temendo não ser capaz de comprar os grãos necessários no mercado, alguns países mais ricos, liderados pela Arábia Saudita, Coreia do Sul e China, tomaram, em 2008, a medida incomum de comprar ou arrendar terras em outros países para cultivar grãos para si próprios. A maioria dessas compras de terras é na África, onde alguns governos arrendam terras cultiváveis por menos de US$ 2,5 por hectare/ano. Entre os principais destinos estão Etiópia e Sudão, países onde milhões de pessoas estão sendo sustentadas pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU.

Muitos dos acordos de terras foram feitos secretamente e, na maioria dos casos, a terra envolvida já estava em uso por aldeões quando foi vendida ou arrendada. Com frequência, os que já estavam cultivando a terra não foram nem consultados nem sequer informados dos novos acordos. A hostilidade local a essas apropriações de terra é a regra, não a exceção.

Em 2007, quando os preços dos alimentos começaram a subir, a China assinou um acordo com as Filipinas para arrendar 1 milhão de hectares de terras destinadas a cultivar alimentos que seriam embarcados para a China. Quando a notícia vazou, o clamor público obrigou Manila a suspender o acordo. Um clamor parecido abalou Madagáscar, onde uma empresa sul-coreana, a Daewoo Logistics, havia tentado obter direitos a mais de 1,2 milhão de hectares. Notícias sobre o acordo ajudaram a criar um furor político que derrubou o governo e obrigou o cancelamento do acordo. Aliás, poucas coisas são mais propensas a alimentar insurgências do que privar pessoas de suas terras. Equipamentos agrícolas são facilmente sabotados. Os campos de grãos maduros queimam rapidamente quando se lhes ateia fogo.

Essas aquisições representam um investimento potencial de estimados US$ 50 bilhões em agricultura em países em desenvolvimento. Então perguntamos: quanto isso tudo ampliará a produção mundial de alimentos? Não sabemos, mas a análise do Banco Mundial indica que somente 37% dos projetos serão dedicados a culturas alimentares. A maioria da terra adquirida até agora será usada para produzir bicombustíveis e outras culturas de interesse industrial.

Mesmo que alguns desses projetos acabem por aumentar a produtividade da terra, quem se beneficiará? Se virtualmente todos os insumos – o equipamento agrícola, o fertilizante, os pesticidas, as sementes – são comprados do exterior e se toda a produção é enviada para fora do país, eles pouco contribuirão para a economia do país hospedeiro. Por enquanto, as apropriações de terras contribuíram mais para provocar agitação social do que para aumentar a produção de alimentos.

Disputa

Ninguém sabe onde chegará essa crescente competição por suprimentos alimentares, mas o mundo parece estar se afastando da cooperação internacional que evoluiu em muitas décadas depois da 2ª Guerra para uma filosofia de cada país por si. O nacionalismo alimentar poderá ajudar a garantir suprimentos alimentares para países ricos individuais, mas faz pouco para melhorar a segurança alimentar do mundo. Aliás, os países de baixa renda que hospedam apropriações de terras ou importam grãos provavelmente sofrerão uma deterioração de sua situação alimentar.

Depois da carnificina de duas guerras mundiais e dos descaminhos econômicos que levaram à Grande Depressão, os países se uniram em 1945 para criar a ONU, percebendo, finalmente, que no mundo moderno não podemos viver em isolamento por mais tentador que isso possa parecer. O Fundo Monetário Internacional foi criado para ajudar a gerir o sistema monetário e promover a estabilidade econômica e o progresso. Dentro do sistema da ONU, agências especializadas, da Organização Mundial de Saúde (OMS) à Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) jogam importantes papéis no mundo de hoje. Tudo isso promoveu a cooperação internacional.

Mas embora a FAO colete e analise dados agrícolas globais e forneça assistência técnica, não há nenhum esforço organizado para garantir uma adequação dos suprimentos mundiais de alimentos.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, está propondo lidarmos com a alta dos preços dos alimentos com uma redução da especulação nos mercados de commodities. Por útil que isso possa ser, trata os sintomas da insegurança alimentar crescente, não as causas, como o crescimento populacional e as mudanças climáticas. O mundo precisa se concentrar hoje, não só na política agrícola, mas numa estrutura que a integre com políticas para energia, população e água, que afetam diretamente a segurança alimentar.

Perigo

Isso, porém, não está ocorrendo. Em vez disso, à medida que terra e água se tornam mais escassas, que a temperatura da Terra sobe e a segurança alimentar mundial se deteriora, está surgindo uma geopolítica perigosa de escassez de alimentos. A apropriação de terra, de água, e compra de grãos diretamente de fazendeiros em países exportadores são hoje partes integrantes de uma luta pelo poder global para segurança alimentar.

Com estoques de grãos baixos e a volatilidade climática aumentando, os riscos crescem. Hoje estamos tão perto da borda que uma ruptura do sistema alimentar poderá surgir a qualquer momento.

Talvez não tenhamos sorte para sempre. O que está hoje em questão é se o mundo conseguirá ir além de se concentrar nos sintomas da deterioração da situação alimentar e atacar suas causas subjacentes.

Se não conseguirmos aumentar o rendimento agrícola com menos água e conservar os solos férteis, muitas áreas agrícolas deixarão de ser viáveis. E isso vai muito além dos agricultores. Se não conseguirmos nos mexer com velocidade de um tempo de guerra para estabilizar o clima, talvez não sejamos capazes de evitar uma disparada dos preços dos alimentos. Se não conseguirmos acelerar a mudança para famílias menores e estabilizar a população mundial, mais cedo do que mais tarde, as filas de famintos continuarão a aumentar. A hora de agir é agora – antes que a crise dos alimentos de 2011 se torne a nova normalidade.

FONTE: http://bit.ly/leCDZ3

Seguridad Alimentaria, en la agenda campesina

Carla Paz Vargas

Crisis. En varios países de América Latina están trabajando para lograr autoabastecerse de alimentos
 
El Centro de Investigación y Promoción del Campesinado (Cipca) realizó el seminario internacional Modelos de desarrollo, desarrollo rural y economía campesina indígena. El tema recurrente fue la ‘soberanía alimentaria’, que se refiere a la capacidad que tiene un país de autoabastecer a su población y no depender de otros países.

Los panelistas invitados de Ecuador, Argentina, Brasil, México, India y España han insistido mucho en que la causa de la crisis alimentaria es el cambio climático. Confirmaron que las sequías, inundaciones, granizadas, etc. han mermado las cosechas y faltan alimentos.

Sin embargo, apuntaron que junto con estas causas, hay otros factores de orden político, económico y técnico. 
Armando Bartra, sociólogo e investigador de la Universidad Nacional Autónoma de México, explicó que Bolivia debe trabajar por su soberanía alimentaria y reducir la dependencia de alimentos que se producen en el exterior, porque recordó que en su país hasta el 50% de los alimentos son importados.

Bartra postuló que el problema de la agricultura en el mundo se relaciona con una crisis alimentaria, que no perjudica a los productores ni a los comercializadores sino a los consumidores, que se ven cada vez más empobrecidos. “El desmantelamiento del mercado interno, pensando solo en las ventajas de la agroexportación, nos puso un límite”, explica el especialista.
Agrega que la crisis alimentaria está mostrando que los países que no tienen capacidad para producir sus propios alimentos. “Aun sí poseen economías lo suficientemente fuertes como para comprarlos, están realizando un mal negocio porque los alimentos se han vuelto muy caros”, señaló. 

A su vez, Dhansidh Lakra,  fundador de la Asociación Creciente de Chotanagpur, de los pueblos indígenas de la India, con sede en EEUU, en su exposición habló sobre las tribus que coexisten en la India y cómo desarrollan su producción. “La idea es volver la mirada a la agricultura para que podamos enfrentar la crisis alimentaria con soberanía. América Latina, y obviamente Bolivia, debe cuidar sus tierras porque son el futuro de las generaciones venideras”, precisó el economista.

Francisco Hidalgo, representante del Sistema de la Investigación de la Problemática Agraria del Ecuador, sostuvo que viven situaciones similares con Bolivia a partir de la aprobación de la nueva Constitución Política del Estado. “También trabajamos con el objetivo del ‘vivir bien’ (eslogan que promueve el Gobierno) que impulsan en este país”, indicó.
En este sentido, también demanda políticas públicas para autoabastecerse en el marco de la soberanía alimentaria.

Hidalgo dijo que en Ecuador importan hasta un 30% de los alimentos que demandan, pero son autosuficientes en frutas y hortalizas. “No es posible que sigamos con políticas que nos vuelven vulnerables, porque la producción de alimentos está relacionada con el crecimiento de la población campesina”, indicó.

Lorenzo Soliz, director del Cipca, señaló que tomarán en cuenta modelos de desarrollo vigentes, emergentes y el lugar del desarrollo rural, y analizan el paradigma del ‘vivir bien’.

Consultado sobre los esfuerzos del Gobierno para garantizar la soberanía alimentaria, el viceministro de Desarrollo Agropecuario, Víctor Hugo Vásquez, dijo que trabajan con productores pequeños, medianos y grandes en la conservación de suelos, otorgación de semillas y créditos para el sector público y privado. 

Los mercados también son importantes, según la autoridad. “Si el productor pierde deja de producir, entonces trabajamos en el equilibrio que favorezca al productor y al consumidor”, agregó.

FONTE: http://bit.ly/kWIaeS

Como os “mercados livres” matam milhões todos os anos – Ricardo Coelho

O ano de 2008 foi marcado por uma crise alimentar que arrastou mais 200 milhões de pessoas para a fome, revertendo os resultados de uma década de avanços na luta contra a fome.

O ano de 2008 foi marcado por uma crise alimentar que arrastou mais 200 milhões de pessoas para a fome, revertendo os resultados de uma década de avanços na luta contra a fome.

A crise mostrou-nos de forma cruel o resultado da crescente instabilidade deste mundo em que vivemos, marcado pela entrega da produção a mercados financeiros voláteis, pela precarização das relações laborais e pelas alterações climáticas. Quando se juntam todos estes factores de instabilidade, temos um ciclo de pobreza e uma sucessão de crises ambientais, económicas e sociais que se acumulam, complementam e reforçam. Os factores de instabilidade não desapareceram, pelo que se espera de novo um aumento da fome no mundo.

O ano que passou ficou empatado com 2005 no lugar do ano mais quente de sempre. Dezanove países registaram temperaturas recordes, um número sem precedentes, com o Paquistão a registar a temperatura mais elevada alguma vez medida na Ásia. O ano de 2010 marcou também um novo recorde de extremos climáticos, destacando-se as inundações no Paquistão e na Austrália e a onda de calor na Rússia. As consequências destes desastres “naturais” sem precedentes também se fazem sentir na produção alimentar dos países afectados, tendo alguns países, como a Rússia, banido as exportações de cereais.

Quando um país sofre uma quebra significativa na sua produção alimentar, apenas poderá evitar uma diminuição na quantidade de calorias ingerida pelos seus habitantes se tiver recursos para importar alimentos. A mesma catástrofe climática terá, portanto, um impacto muito diferente num país rico ou num país pobre. Mas nos anos recentes há um factor ainda mais importante do que a variação da produção na determinação de quantos seres humanos morrem à fome por ano: a especulação com os preços.

O segundo semestre de 2010 foi marcado por um enorme aumento na especulação com bens alimentares essenciais. Num período sem grandes mudanças na procura ou na oferta mundiais, o custo dos bens alimentares subiu em 32%, de acordo com a FAO. No mesmo período, o preço do trigo aumentou em 70%, apesar de os stocks mundiais se terem mantido estáveis. Em cada mês deste semestre, o aumento do índice de preços dos alimentos registou um novo recorde, um cenário que se repetiu em Janeiro deste ano.

Na raiz deste pico na especulação com commodities está a crise financeira. De cada vez que uma bolha especulativa rebenta, o preço da maior parte dos activos desce a pique, pelo que os especuladores ficam com muito dinheiro na mão sem ter muitas opções rentáveis onde o aplicar. A consequência é um aumento na especulação com activos cujo rendimento seja mais seguro, nomeadamente os baseados em bens energéticos ou alimentares. Assim, não só o laço entre produtores e consumidores de alimentos é quebrado pelo jogo bolsista como os custos de produção de alimentos se encontram à mercê das flutuações do mercado de petróleo. No fim, temos um mundo em que se torna cada vez mais ténue a relação entre o preço final dos alimentos e as flutuações nas variáveis climatéricas, como a temperatura e a pluviosidade.

Para Olivier De Schutter, Relator Especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, a especulação com bens alimentares foi a principal causa da crise alimentar de 2007-08. As ONGs de desenvolvimento resumem o problema com uma fórmula simples: não é uma questão de não ter que comer mas antes de não ter dinheiro para comprar comida. Estamos claramente perante uma manifestação extrema da desigualdade no acesso aos recursos naturais.

No centro de toda esta miséria, estão as grandes multinacionais que dominam grande parte da produção alimentar. As políticas seguidas pelas instituições internacionais nas últimas décadas, como a Revolução Verde, a abertura das fronteiras dos países do Sul, o reforço dos subsídios agrícolas nos países do Norte e as medidas de liberalização do sector agrícola, tiveram como resultado a destruição de grande parte do aparelho produtivo baseado na agricultura de pequena escala e a sua substituição pela agricultura intensiva de grande escala.

O aumento da produção alimentar conseguido com a intensificação da agricultura trouxe significativos aumentos na produtividade agrícola, mas a fome continuou a aumentar. A generalidade dos países menos desenvolvidos passaram de exportadores a importadores de alimentos e a sua população rural passou por um processo de proletarização, sendo cada vez mais composta por trabalhadores mal remunerados. Enquanto as empresas do sector agro-industrial registam aumentos nos lucros ano após ano, quase um bilião de pessoas no mundo passa fome porque não tem como comprar alimentos nem como os plantar. O cúmulo do escândalo atinge-se quando são estas as empresas que fornecem alimentos às agências de ajuda humanitária, aproveitando inclusive para escoar a sua produção de sementes geneticamente modificadas.

O caso da Somália mostra como a ganância do lucro, a volatilidade dos mercados desregulados e os extremos climáticos se podem conjugar para criar o inferno na terra. Uma seca extrema levou a que a proporção da população dependente de ajuda externa para sobreviver tenha aumentado para um terço. Em algumas regiões, estima-se que 30% das crianças estão seriamente sub-nutridas. Isto apenas um ano depois de o país ter registado uma boa colheita. Quem ainda pensa que o capitalismo pode resolver o problema da pobreza em que vive a maioria da humanidade deveria colocar lá os seus olhos.

FONTE: http://bit.ly/h0v5Gz

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