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Ranking da Anvisa aponta alimentos contaminados por agrotóxicos

Marco Aurélio Weissheimer (*)

Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos, relativo ao ano de 2010, indica produtos com problema de contaminação. O pimentão, o morango e o pepino lideram o ranking dos alimentos com o maior número de amostras contaminadas por agrotóxico no ano em questão. Dois tipos de problemas foram detectados pela Anvisa nestas amostras: presença de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou hoje (7) os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos, relativo ao ano de 2010. O pimentão, o morango e o pepino lideram o ranking dos alimentos com o maior número de amostras contaminadas por agrotóxico no ano em questão. Mais de 90% das amostras de pimentão analisadas pelo programa apresentaram contaminação. No caso do morango e do pepino, o percentual de amostras contaminadas foi de 63% e de 58%, respectivamente.

Dois tipos de problemas foram detectados pela Anvisa nestas amostras: presença de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. As amostras foram coletadas em 25 estados do país e no Distrito Federal. São Paulo foi o único Estado a não participar do programa em 2010

Outros produtos apresentaram problemas classificados como “preocupantes” pela Anvisa. Em 55% das amostras de alface e 50% das amostras de cenoura também foram encontrados sinais de contaminação. Beterraba, abacaxi, couve e mamão apresentaram o mesmo problema em 30% de suas amostras. No outro extremo, a batata foi aprovada como livre de contaminação em 100% das amostras analisadas.

O diretor da Anvisa, Agenor Álvares, definiu assim o resultado: “São dados preocupantes, se considerarmos que a ingestão cotidiana desses agrotóxicos pode contribuir para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, como a desregulação endócrina e o câncer”.

No balanço geral, das 2.488 amostras analisadas pelo programa, 28% apresentaram problemas. Deste total, em 24,3% dos casos, foi constatada a presença de agrotóxicos não autorizados para a cultura analisada. Em 1,7% das amostras foram encontrados resíduos de agrotóxicos em níveis acima dos autorizados. “Esses resíduos indicam a utilização de agrotóxicos em desacordo com as informações presentes no rótulo e bula do produto, ou seja, indicação do número de aplicações, quantidade de ingrediente ativo por hectare e intervalo de segurança”, observa Agenor Álvares. Em 1,9% das amostras foram encontradas as duas irregularidades simultaneamente na mesma amostra.

O relatório final do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos destaca que as doenças crônicas não transmissíveis – que têm os agrotóxicos entre seus agentes causadores – são hoje um problema mundial de saúde pública. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são responsáveis por 63% das 57 milhões de mortes declaradas no mundo em 2008, e por 45,9% do volume global de doenças.

A OMS prevê um aumento de 15%, entre 2010 e 2020, dos óbitos causados por essas doenças. No Brasil, elas já representam a principal causa de óbito, sendo responsáveis por 74% das mortes ocorridas em 2008 (893.900 óbitos).

O mercado brasileiro de agrotóxicos é o maior do mundo, com 107 empresas aptas a registrar produtos, e representa 16% do mercado mundial. Somente em 2009, foram vendidas mais de 780 mil toneladas de produtos no país. Além disso, o Brasil também ocupa a sexta posição no ranking mundial de importação de agrotóxicos.

A entrada desses produtos em território nacional aumentou 236%, entre 2000 e 2007. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Dez variedades vendidas livremente aos agricultores não circulam na União Europeia e Estados Unidos. Foram proibidas pelas autoridades sanitárias desses países.


(*) Com informações da Anvisa

FONTE: Carta Maior

Diminui consumo de arroz, feijão, frutas e hortaliças e aumenta de sal e açúcar

Paula Laboissière

O país enfrenta, atualmente, uma espécie de transição nutricional, já que hábitos até então comuns como o consumo de arroz e feijão registraram queda, enquanto carnes gordurosas e alimentos embutidos passaram a ser amplamente consumidos. A avaliação é da coordenadora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Déborah Malta.

Em entrevista à Agência  Brasil, ela explicou que o problema de alimentos como salsichas e linguiças é o alto teor de sal, responsável por aumentar o risco de doenças cardiovasculares. A presença de elevados níveis de açúcar na dieta do brasileiro, segundo a coordenadora, também representa uma agravante – sobretudo quando associada a um baixo consumo de frutas e hortaliças.

Os dados fazem parte da pesquisa Vigitel 2010, que mostra que 48,1% da população adulta no país estão acima do peso, enquanto 15% dos brasileiros estão obesos. O estudo indica ainda que apenas 18,2% das pessoas consomem cinco porções de frutas e hortaliças por cinco dias ou mais por semana; 34% consomem alimentos com elevado teor de gordura e 28% consomem refrigerantes cinco ou mais dias por semana.

O consumo diário de sal no Brasil, atualmente, é de 12 gramas – mais de duas vezes maior que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Já o açúcar é consumido de forma considerada exagerada por 61,3% da população.

“Temos, entre os brasileiros, uma piora dos hábitos alimentares”, avaliou Deborah. “Nos últimos anos, a desnutrição, que era um problema, recuou, mas a obesidade e o excesso de peso cresceram – em função de uma alimentação não adequada e não balanceada e também de níveis baixos de atividade física”, concluiu.

De acordo com a coordenadora, a meta do ministério é estabilizar o quadro de excesso de peso e obesidade entre adultos até a próxima década e, ao mesmo tempo, diminuir os índices entre crianças e adolescentes. A pasta firmou, em abril deste ano, um acordo com a indústria alimentícia com foco na redução de sal e de gorduras trans na fabricação de produtos como macarrões instantâneos.

FONTE: Jornal do Brasil

CNA defende campanha para estimular consumo de frutas e hortaliças

Ações de marketing para ampliar o consumo de alimentos saudáveis e programas de reeducação alimentar que incentivem o consumo de frutas entre as crianças são algumas iniciativas citadas pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, para melhorar os hábitos alimentares da população e, assim, reduzir os gastos públicos com saúde. A CNA divulgou nesta terça-feira, em Brasília, resultado de pesquisa encomendada pela entidade para avaliar o consumo de frutas, legumes e verduras no País.

A pesquisa, que ouviu 1.420 pessoas responsáveis pela alimentação de suas famílias, apontou a necessidade de alteração dos padrões alimentares dos brasileiros. De acordo com o estudo, 16% dos entrevistados têm problemas de obesidade e 34% apresentam sobrepeso. “A obesidade mata e é uma das grandes ameaças à saúde no Brasil”, afirmou o presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Carlos Prado. Segundo especialistas, esse quadro poderia ser revertido com o aumento do consumo de frutas, legumes e hortaliças. Os dados da pesquisa mostram que o consumo de frutas é muito reduzido, confirmando os dados do Ministério da Saúde que apontam que apenas 18,2% da população brasileira ingerem a quantidade de frutas recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 400 gramas por dia, o equivalente a quatro bananas ou três maçãs por dia.

A pesquisa mostrou que os entrevistados gastam, em média, apenas 6,2% de sua renda familiar com a compra de frutas, legumes e verduras, o que comprova o potencial para incremento do consumo. Segundo a senadora Kátia Abreu, os produtores brasileiros têm condições de produzir mais, desde que a fruticultura possa contar com políticas específicas para o setor. “O Brasil é o terceiro maior produtor do mundo e tem uma produção irrisória diante da extensão territorial e do potencial do País”, afirmou.

A presidente da CNA lembrou que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) formou 140 mil pessoas para trabalhar com atividades relacionadas com fruticultura e olericultura, no período de 2006 a 2010. Lembrou, ainda, que outras ações podem ser desenvolvidas com o objetivo de estimular o consumo de frutas e hortaliças. Defendeu que o Ministério da Educação atue em parceria com o Sistema CNA/Senar na distribuição nas escolas de cartilha educativa com recomendações alimentares.

Após a divulgação dos resultados da pesquisa, a senadora Kátia Abreu ressaltou o potencial do mercado externo e citou como exemplo a China. “Se cada chinês consumisse uma banana a mais e acrescentasse uma maçã à sua alimentação diária, passariam a consumir 53 milhões de toneladas de banana e 46 milhões de toneladas de maçã”, disse a senadora. Esses volumes estão muito acima da atual produção brasileira: 7 milhões de toneladas de bananas e 1,3 milhão de toneladas de maçãs.

Frente – Durante o evento na CNA, foi relançada a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Fruticultura, formada por 310 parlamentares. A senadora Kátia Abreu é uma das integrantes da frente, presidida pelo deputado Antonio Balhmann (PSB-CE).

FONTE: http://bit.ly/oUBWHV

POF 2008-2009: mais de 90% da população comem poucas frutas, legumes e verduras

O consumo alimentar da população brasileira combina a tradicional dieta à base de arroz e feijão com alimentos com poucos nutrientes e muitas calorias. A ingestão diária de frutas, legumes e verduras está abaixo dos níveis recomendados pelo Ministério da Saúde (400g) para mais de 90% da população. Já as bebidas com adição de açúcar (sucos, refrescos e refrigerantes) têm consumo elevado, especialmente entre os adolescentes, que ingerem o dobro da quantidade registrada para adultos e idosos, além de apresentarem alta frequência de consumo de biscoitos, linguiças, salsichas, mortadelas, sanduíches e salgados e um menor ingestão de feijão, saladas e verduras.

A ingestão de alguns componentes de uma dieta saudável, como arroz, feijão, peixe fresco e farinha de mandioca, diminui à medida que aumenta o rendimento familiar per capita. Já o consumo de pizzas, salgados fritos, doces e refrigerantes se eleva. A ingestão de frutas, verduras e laticínios diet/light também aumenta com a renda.

Na área rural, as médias de consumo individual diário foram maiores para arroz, feijão, peixe fresco, batata-doce, farinha de mandioca e manga, entre outros. Já na área urbana, destacaram-se refrigerantes, pães, cervejas, pizzas e biscoitos recheados.

O consumo médio de calorias fora do domicílio correspondeu a aproximadamente 16% da ingestão calórica total e foi maior nas áreas urbanas, na região Sudeste, entre os homens e para indivíduos na faixa de renda familiar per capita mais elevada.

Entre as prevalências de inadequação de consumo (percentuais de pessoas que ingerem determinado nutriente em níveis abaixo das necessidades diárias ou acima do limite recomendado) destacam-se o excesso de gorduras saturadas e açúcar (86% e 61% da população, respectivamente) e escassez de fibras (68% da população).

Essas e outras informações estão disponíveis no estudo “Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil”, realizado em parceria com o Ministério da Saúde, uma publicação da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009. Para a realização do estudo, foram coletadas informações sobre a ingestão individual de alimentos de todos os moradores com 10 anos ou mais de idade, distribuídos em nos 13.569 domicílios selecionados a partir da amostra original da POF-2008-2009, que contou com 55.970 domicílios. Pela primeira vez, foram levantadas informações sobre a ingestão de alimentos fora do domicílio.

Além destes resultados, o IBGE publica ainda outros dois produtos a partir dos dados da POF 2008-2009: a “Tabela de Medidas Referidas para os Alimentos Consumidos no Brasil”, publicação que apresenta as diferentes unidades de medidas relatadas pelos informantes para servir os alimentos que consumiram e suas respectivas quantidades em gramas; e as “Tabelas de Composição Nutricional dos Alimentos Consumidos no Brasil”. Estas tabelas foram amplamente utilizadas para a construção dos resultados apresentados.

Café, feijão, arroz e sucos apresentaram as maiores médias de consumo diário

As maiores médias de consumo diário per capita ficaram com o café (215,1g), feijão (182,9g), arroz (160,3g), sucos (145,0g), refrigerantes (94,7g) e carne bovina (63,2g). Os homens registraram menores consumos per capita do que as mulheres para as verduras, saladas e para grande parte das frutas e doces. O consumo per capita de cerveja e bebidas destiladas dos homens é cerca de cinco vezes maior do que o das mulheres.

Sobre o percentual de consumo fora do domicílio em relação ao consumo total, segundo cada tipo de alimento, destacaram-se: cerveja (63,6%), salgadinhos industrializados (56,5%), salgados fritos e assados (53,2%), bebidas destiladas (44,7%), pizzas (42,6%), sanduíches (41,4%), refrigerantes diet ou light (40,1%), refrigerantes (39,9%), salada de frutas (38,8%) e chocolates (36,6%). O consumo fora do domicilio foi maior para os homens na maioria dos alimentos, exceto pão integral, biscoito doce, produtos diet, chocolates, sorvetes e salgadinhos industrializados.

População rural consome mais grãos, frutas e peixes

Na classificação por situação de domicílio, as médias de consumo diário per capita na área rural foram maiores do que na área urbana para vários alimentos, com destaque para arroz (181,2g contra 156,2g), feijão (208,1g contra 177,9g), peixes frescos (53,5g contra 17,5g) e farinha de mandioca (19,1g contra 4,7g), manga (10,7g contra 3,5g), açaí (6,8g contra 2,2g) e batata-doce (4,3g contra 2,1g).

Já na área urbana destacaram-se: refrigerantes (105g contra 42,7g), pão de sal (56,9 contra 33,4g), cerveja (33,8g contra 17,5g) e sanduíches (13,5g contra 2,2g).

Peixe fresco é destaque na região Norte, preparações a base de milho no Nordeste e chá no Sul

Entre as regiões, o Centro-Oeste registra o maior consumo de arroz (195,4g), carne bovina (88,1g) e leite integral (45,4g). O feijão se destaca nas regiões Centro-Oeste (206,2g) e Sudeste (218,1g) e a batata inglesa no Sudeste (23,2g) e no Sul (18,6g). O consumo de chá é maior na região Sul (147,6g). No Nordeste, destacam-se o milho e respectivas preparações (50,9g) e o feijão verde ou de corda (22,0g), que quase não é citado nas outras regiões. Na região Norte, destacam-se três produtos cujo consumo é muito baixo ou inexistente no restante do país: peixe fresco e respectivas preparações (95,0g), farinha de mandioca (46,2g) e açaí (28,4g).

Em relação ao percentual de consumo fora do domicílio, o consumo de batata frita foi muito maior no Nordeste (72,2%), do que nas demais regiões. O consumo de massas fora do domicílio foi quatro vezes maior na Região Centro-Oeste (27,9%) do que no Norte (7,6%). No Sul, o destaque foi de outros pescados (69,5%), pães, bolos e biscoitos diet/light (48,3%) e linguiça (27,0%). No Norte, 91,5% do consumo de cerveja e 96,2% dos salgadinhos industrializados ocorreram fora do domicilio, da mesma forma que 72,6% do consumo de vinho no Nordeste.

Consumo de queijo e salada crua aumenta com a idade

A frequência de consumo de vários alimentos diminui com a idade: iogurtes, embutidos, sorvetes, refrigerantes, sucos/refrescos/sucos em pó reconstituídos, bebidas lácteas, biscoitos, embutidos, sanduíches, salgados e salgadinhos industrializados. O consumo diário de biscoitos recheados é bem maior entre os adolescentes (12,3g) do que entre adultos (3,2g) e idosos (0,6g). Por outro lado, os adolescentes registraram menor consumo diário per capita de saladas cruas (8,8g) do que os adultos (16,4g) e idosos (15,4g). Para os queijos, a ingestão diária aumentou de 3,8g/dia entre os adolescentes para 9,2g/dia entre os idosos. Já o consumo de cerveja foi de 3,3g/dia (adolescentes) para 41,3g/dia (adultos) e voltou a cair para 19,8g/dia (idosos).

Consumo de verduras, frutas e leite desnatado aumenta com a renda

O consumo diário de vários itens considerados parte de uma dieta saudável e equilibrada diminui à medida que a renda familiar per capita aumenta, como no caso do arroz, cuja ingestão diária chegou a 168,1g nas famílias com renda per capita de até R$296 e caiu para 129,7g nas famílias com renda per capita acima de R$ 1.089. O mesmo ocorre com o feijão, com 195,5g e 127,5g respectivamente.

Por outro lado, o consumo de várias frutas e verduras aumenta com a renda, como por exemplo a banana (15,4g e 24,8g), maçã (5,9g e 18,3g), salada crua (7,9g e 21,8) e tomate (3,7g e 10,0g). O mesmo acontece com o leite desnatado (1,8g e 9,4g).

Alguns tipos de alimentos que indicam uma dieta inadequada também aumentam com a renda, como o consumo de doces à base de leite (4,8g e 7,6g), refrigerantes (54,3g e 135,1g), pizzas (0,7g e 11,0g) e salgados fritos e assados (6,3g e 16,6g).

Adolescentes têm maiores médias diárias de ingestão de açúcar e colesterol

O consumo energético médio da população brasileira variou de 1.490kcal a 2.289kcal. As maiores médias de ingestão de energia foram dos homens na faixa de 14 a 18 anos (2.289kcal/dia). O segundo grupo de maior ingestão energética foi o dos homens de 19 a 59 anos de idade (2.163kcal/dia). Para ambos os sexos, os menores valores de ingestão energética foram na faixa de 60 anos ou mais: 1.490kcal/dia para mulheres e 1.796kcal/dia para homens.

Os lipídios (gorduras) representaram 28% da energia da dieta dos adolescentes e 27% da dos adultos e idosos. O percentual das proteínas variou de 15% a 16% para adolescentes e de 16% a 17% nos adultos e idosos, valores acima da recomendação do Ministério da Saúde (de 10% a 15%). A contribuição dos carboidratos entre os homens variou de 54,8% (dos 19 aos 59 anos) a 57,0% (dos 10 aos 13) e, para as mulheres, de 56,2% a 57,6% (mesmos grupos etários).

As médias diárias de ingestão de colesterol foram menores para as mulheres (de 186,3mg a 237,9mg) do que os homens (de 231,1mg a 282,1mg) em todos os grupos etários. O grupo de 14 a 18 anos teve as maiores médias de consumo de colesterol. A ingestão de fibras foi maior entre os homens (de 20,4g a 23,5g) do que entre as mulheres (de 17,6g a 18,8g).

A ingestão média diária de açúcares totais variou entre as faixas etárias, sendo mais elevada a dos adolescentes, variando de 105,4g a 113,1g nos rapazes e de 106,8g a 110,7g nas moças. O consumo médio diário de açúcar total entre os adolescentes foi cerca de 30% maior do que o dos idosos e entre 15% e 18% maior que dos adultos.

Região Norte tem maior consumo energético, ingestão de colesterol e fibras

A região Norte apresentou as maiores médias de ingestão de energia diária, que variaram de 1660kcal a 2496kcal. As menores médias foram observadas no nordeste, que variaram de 1448 kcal a 2289 kcal.

Com relação à participação das proteínas no total das colorias diárias, destaca-se novamente a região Norte. O limite de 15% do total das calorias diárias provenientes das proteínas é também ultrapassado em todos os grupos de idade na nordeste.

As regiões Sul e Sudeste apresentaram as menores médias diárias de ingestão de colesterol. Por outro lado, a região Norte registrou os valores mais elevados de consumo.

Para os diferentes tipos de gordura (ácidos graxos, saturadas, monoinsaturados e trans) destacaram-se as regiões Sul e Sudeste como aquelas regiões que apresentaram as maiores médias de ingestão.

No que se refere à participação dos açúcares no total das calorias diárias, o limite máximo de 10% é extrapolado em todas as regiões. No caso do Sul e do Sudeste, foram identificadas as maiores participações dos açúcares totais no total das calorias diárias, como destaque para as adolescentes do sexo feminino, em torno de 26% de participação. A menor participação foi identificada na região Norte, para os idosos do sexo masculino, como 13,4%.

O consumo médio diário de fibras apresentou maiores valores nas regiões norte e nordeste, com resultados que variaram de 18,2g a 25,8g, no caso da região norte, e de 17,7g a 24,5g para a região sudeste.

A recomendação da participação dos carboidratos, de 55% a 75% do consumo calórico diário total, foi observada em todas as regiões, como algumas poucas exceções. A menor participação observada, de 52,3%, foi estimada para os homens com 60 anos ou mais de idade na região Centro-Oeste.

Consumo baixo de cálcio e alto de sódio atinge todos os grupos etários

Na análise de inadequação de consumo (o percentual de pessoas que consomem determinada substância fora dos limites recomendados, para cima ou para baixo), chamam atenção algumas informações levantadas sobre crianças e adolescentes.

Na faixa dos 10 aos 13 anos de idade, 96,4% dos adolescentes do sexo masculino e 97,2% do sexo feminino registraram ingestão de cálcio abaixo do valor mínimo diário recomendável (1.100mg); o mesmo ocorreu com a vitamina D (10mcg) para 99,4% dos meninos e 99,0% das meninas; e, com a vitamina E (9mcg), para 99,2% e 99,8%, respectivamente. Já a ingestão de sódio acima do limite diário máximo tolerável desse grupo (2.200mg) foi registrada para 81,5% dos meninos e 77,7% das meninas nesse grupo etário.

Na faixa de 14 a 18 anos, o consumo diário inadequado de cálcio (abaixo de 1.100mg) foi registrado para 95,1% dos adolescentes do sexo masculino e 97,3% do sexo feminino; para a vitamina D (abaixo de 10mcg), para 99,4% e 98,8%; e, para a vitamina E (menos de 12mcg), para 99,9% e 100%, respectivamente. O consumo diário excessivo de sódio para este grupo etário (acima de 2.300mg) foi visto para 88,9% para o sexo masculino e 72,9% para o feminino.

Na faixa etária de 19 a 59 anos, as maiores prevalências de inadequação de consumo diário ficaram com a vitamina D (menos de 10mcg), que atingiu 99,6% dos homens e 99,2% das mulheres; a vitamina E (menos de 12mcg), que chegou a 99% e 100%, respectivamente. Já o consumo diário insuficiente de cálcio (menos de 800mg para homens de todo o grupo e mulheres até 50 anos e de 1.000mg para mulheres de 51 a 59 anos) atingiu 83,8% dos homens, 90,7% das mulheres até 59 anos e 96,7% das mulheres de 51 a 59 anos. O consumo diário em excesso de sódio (acima de 2.300mg) foi registrado para 88,7% dos homens e 69,7% das mulheres.

No grupo etário de 60 anos ou mais, a inadequação da vitamina E (menos de 12mcg/dia) teve prevalência de 100% para ambos os sexos. Já a da vitamina D chegou a 99,6% dos homens e 99,4% das mulheres. No caso do cálcio, os limites mínimos são de 800mg para os homens até 70 anos e de 1.000mg acima dessa idade e, para as mulheres, de 1.000mg para todo o grupo. A prevalência de inadequação no grupo chegou a 85,9% para os homens até 70 anos, a 94,3% dos homens a partir dessa idade e a 95,8% das mulheres. Já a ingestão diária de sódio acima do limite tolerável de 2.300mg chegou a 80,4% dos homens e 62,2% das mulheres.

FONTE: IBGE

Açúcar causa dependência como álcool e cigarro, diz médico

Açúcar é veneno. Do mais natureba, o mascavo, até o suco de fruta ou o famigerado xarope de milho, o açúcar está por trás de doenças cardíacas, diabetes e câncer. E deveria ser proibido para menores de 21 anos, como o álcool e o cigarro.

É com essas declarações polêmicas que o americano Robert Lustig, endocrinologista pediátrico da Universidade da Califórnia em San Francisco, ganhou fama internacional nos últimos anos.

Sua palestra “Sugar: The Bitter Truth” (Açúcar: a verdade amarga) teve mais de 900 mil acessos no YouTube. Há duas semanas, suas teses foram tema da reportagem de capa da revista do “New York Times”. Abaixo, os principais trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, por telefone.

O senhor defende que as pessoas eliminem totalmente o açúcar da dieta?

Robert Lustig – Não, eu não sou um “food nazi”. Eu como açúcar, mas muito pouco. Nosso corpo tem uma capacidade muito limitada para metabolizar o açúcar e nós vivemos muito acima dela. Não precisamos de frutose para viver. Nosso corpo ficaria muito bem sem nenhuma frutose [açúcar refinado, a sacarose é composta de 50% de frutose e 50% de glicose].

Qual é o máximo de frutose que deveríamos ingerir?

Não temos certeza. Mas uma estimativa é 50 g por dia. Meus estudos mostram as similaridades entre frutose e álcool. Eles são metabolizados da mesma forma, no fígado. E nós sabemos qual é o limite de toxicidade para o álcool: 50 g. A epidemia de obesidade começou quando o consumo de frutose ultrapassou os 50 g por dia [ou 100 g de açúcar, o mesmo que duas latas e meia de refrigerante].

A Associação Cardiológica Americana publicou uma orientação, em agosto de 2009, da qual eu sou coautor, dizendo que o consumo atual de açúcar nos EUA é de 22 colheres de chá por dia. Deveríamos reduzir isso para nove colheres no caso de homens e seis no caso de mulheres.

Qualquer açúcar é ruim, não importa se é mascavo ou xarope de milho?

Todos são igualmente ruins.

Deveríamos substituí-los por adoçantes artificiais?

Adoçantes artificiais são uma questão complicada. Não fizemos todos os testes para saber o que os adoçantes fazem no organismo. Segundo uma linha de estudos, uma vez que a língua sente o sabor doce, o cérebro se prepara para a entrada do açúcar no sangue. Se ele não entra, o cérebro fica confuso, o que pode levar a um aumento no consumo de açúcar. Há estudos ligando o consumo de adoçantes a obesidade e doença cardíaca.

Qual a alimentação que os pais devem dar a seus filhos?

Crianças devem comer comida de verdade.

Mas isso inclui suco de fruta natural…

Não, suco de fruta, mesmo natural, não é comida de verdade. Deus fez suco de fruta? Não. Deus fez fruta. Qual é a diferença entre a fruta e o suco? Fibras. A fibra é a parte boa da fruta, e o suco, a má. Sempre que há frutose na natureza, há muita fibra – há uma exceção, o mel, mas este é policiado pelas abelhas. As fibras limitam a velocidade da absorção dos carboidratos e das gorduras do intestino para a corrente sanguínea. Quanto mais rápido a energia sai do intestino e vai para o fígado, maiores as chances de danificar o órgão.

Quando o senhor diz que crianças devem comer comida de verdade, isso inclui um sorvete no fim de semana?

Sim. Quando eu era pequeno, sobremesa era uma vez por semana. Hoje, é uma vez por refeição. Esse é o problema. Eu tenho duas filhas pequenas e é isso que faço. Se é dia de semana e elas querem sobremesa, ganham uma fruta. Uma bola de sorvete, só no fim de semana. Elas seguem as regras e não ficam sonhando com doces.

O senhor propõe que a venda de doces e refrigerantes seja proibida para menores, como cigarros e álcool.

Sim. Refrigerantes não têm valor nutritivo, não fazem nenhum bem às crianças. Se os pais quiserem que seus filhos tomem refrigerante, que comprem para eles.

Não é exagero comparar açúcar a álcool e cigarros?

Não. Cigarros e álcool causam dependência, e açúcar também. Nos refrigerantes, tanto a cafeína como o açúcar causam dependência. Sal e gordura causam hábito, mas não dependência.

Como o senhor explica os efeitos nocivos do açúcar?

Quatro alimentos foram associados à doença metabólica crônica: gorduras trans, aminoácidos de cadeia ramificada [soja], álcool e frutose.
A frutose, quando é metabolizada, libera substâncias tóxicas chamadas espécies reativas de oxigênio [radicais livres], que levam a danos nas células no longo prazo, envelhecimento e, potencialmente, câncer.

FONTE: http://bit.ly/oF4b6h

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