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Comparando a alimentação dentro e fora do domicílio, no Brasil, em 2008-2009

Rodolfo Hoffmann

Alguns artigos sugerem que a alimentação fora do domicílio, no Brasil, é menos saudável que a consumida no domicílio, associando a primeira com fast food. A análise dos dados do inquérito alimentar da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009 não sustenta essa ideia. É usual comparar a alimentação de quem eventualmente come fora do domicílio (40,2%) com a de quem se alimenta somente no domicílio (59,8%). Isso implica comparar grupos de pessoas muito diferentes. Os que eventualmente comem fora do domicílio têm maior renda per capita (45% maior) e escolaridade (8,8 versus 6,4 anos), são mais jovens (32,1 versus 40,5 anos) e têm maior ingestão calórica diária (2.063 kcal versus 1.801 kcal). Para estimar o efeito de “comer fora” é necessário controlar o efeito de outros fatores, incluindo alguns não observáveis. Usando os dados referentes às pessoas que comem tanto dentro como fora do domicílio (amostra de 12.045 pessoas), foi estimado o efeito de “comer fora” controlando o efeito de todas as características pessoais. Essa estimativa é obtida utilizando, para cada pessoa a diferença, no valor da variável dependente, entre alimentação fora e dentro do domicílio. Verifica-se que, para cada 100 kcal de alimentos, a alimentação fora do domicílio apresenta menos sal e mais frutas e vitamina C. Por outro lado, a alimentação fora do domicílio apresenta maior teor de açúcar e menor teor de vitamina A. Mostra-se, também, que o fato de comer fora do domicílio está associado a uma menor probabilidade de uma mulher apresentar sobrepeso ou obesidade.

Rodolfo Hoffmann é Professor Sênior da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), Universidade de São Paulo (USP), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). E-mail: hoffmannr@usp.br

Veja o artigo completo aqui

FONTE: REVISTA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL, Volume XX(1), 2013

Eduardo Amorim destaca projeto que proíbe venda de refeição com brinquedos

O senador Eduardo Amorim (PSC-SE) destacou no Plenário a aprovação do PLS 144/2012 de sua autoria, que proíbe venda de sanduíches e refeições com brindes de apelo infantil. Para o parlamentar, o mais importante “é não perdermos o foco do projeto que visa a proteção da saúde infantil”. Pesquisas recentes comprovam que uma em cada quatro crianças menores de seis anos, já apresenta sobrepreso e quase 11% apresentam obesidade.

O senador afirmou, em discurso, que não há dúvidas de que as grandes redes de lanchonetes de refeições rápidas costumam associar a venda de lanches à distribuição de brinde ou brinquedo, e essa associação cria uma lógica de consumo equivocada. “Além de incentivar a formação de hábitos alimentares prejudiciais à saúde das crianças, uma vez que esse tipo de alimento apresenta um baixo valor nutritivo e um alto teor de gordura, açúcar ou sal”, informou Amorim.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), preocupada com a situação atual de pandemia da obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis, lançou em abril deste ano um documento com “recomendações” sobre a promoção e a publicidade de alimentos e bebidas não alcoólicas para crianças das Américas. Segundo o senador o documento tem o propósito “de formular sugestões de políticas concretas aos Estados Membros com base nas recomendações aprovadas pela Assembleia Mundial de Saúde”.

“Faço questão de citar uma das recomendações, principalmente, quando relaciona a exposição das crianças à promoção e à publicidade de alimentos ricos em gordura”, disse Eduardo Amorim que informou ainda “a Legislação a favor da Alimentação Saudável para a População Infantil mostra que a obesidade e as doenças crônicas matam 4,5 milhões de pessoas por ano, desse total, 45% devido a doenças cardiovasculares”.

No mundo

No Chile e Costa Rica já existem Leis aprovadas para a promoção de alimentação saudável e o Peru está, no momento, debatendo a aprovação de uma Lei no mesmo sentido. “A aprovação da Lei no Chile criou a oportunidade de fortalecimento da educação nutricional no país”, disse Amorim.

A proposta do senador Eduardo Amorim será enviada agora para análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Em seguida, irá à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para decisão terminativa.

FONTE: http://bit.ly/PBBwun

Taxa sobre ‘fast-food’ ganha apoio de David Cameron

O primeiro-ministro britânico é o mais recente líder europeu a apoiar o novo imposto.

O futuro não parece ser promissor para os europeus que gostam de comer ‘fast-food’.

Um movimento para combater a obesidade através de um aumento da carga fiscal sobre os alimentos menos saudáveis está a ganhar força por toda a Europa, tendo conseguido o apoio recente do primeiro-ministro britânico, David Cameron. Em entrevista televisiva, o líder do governo de Londres expressou o seu apoio à ideia da introdução de um “imposto sobre a gordura”, de modo a impedir que os custos com a Saúde continuem a aumentar, enquanto a esperança de vida diminui.

“Isto é algo que temos que debater. A verdade é que temos um problema com o aumento da obesidade. Eu estou preocupado com os custos que isto vai ter para o Serviço Nacional de Saúde, bem como o facto de que algumas pessoas vão viver menos que os seus pais”, afirmou o chefe do governo britânico. Com efeito, os peritos estimam que os custos do tratamento à obesidade e a perda de produtividade causada pelo excesso de peso estão a custar cerca de 17 mil milhões de euros por ano à economia britânica.

As declarações de Cameron surgem depois de, no passado dia 1, a Dinamarca ter anunciado a introdução deste imposto, que coloca uma carga fiscal adicional em todos os alimentos que contenham mais de 2,3% de produtos polinsaturados, como a manteiga, o leite, o queijo, pizzas e ‘junk food’. Esta taxa, que segue o exemplo dado em Setembro pela Hungria, que também introduziu um imposto sobre a alimentação pouco saudável, está a ser estudado como modelo por parte de muitos países europeus.

FONTE: http://bit.ly/nyx3XM

Portugal: Alguém falou em imposto sobre o fast-food?

Miguel Moreira

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, propôs um imposto especial, não para o chamado ‘fast-food’, mas para os alimentos com excesso de sal, gorduras, açúcar ou calorias. A má interpretação da ideia e o instinto de sintetizar uma ideia levou a que a mesma fosse ‘chumbada’.

“Bastonário quer taxar o fast-food”. Os títulos multiplicaram-se e venderam, menosprezando uma ideia que faz todo o sentido, mesmo numa altura em que aventar a hipótese de um imposto é, no mínimo, perigoso.

O que José Manuel Silva propõe não é, na realidade, criar um imposto sobre o ‘fast-food’, sobre os hambúrgueres e as batatas fritas, mas aumentar a incidência de IVA sobre os alimentos prejudiciais à saúde. Essa verba seria, posteriormente, aplicada no setor, para reduzir a dívida, por exemplo.

A Hungria já seguiu esse caminho. Os alimentos com excesso de sal e gorduras são taxados de forma diferente, o que permite um encaixe anual que, imagine-se, suporta um terço do défice da Saúde, naquele país, onde a imprensa também foi rápida a etiquetar: “Imposto da batata frita”. Aliás, Portugal seguiu caminho idêntico, ao desencorajar o tabagismo.

Vista deste prisma, a ideia do bastonário é inteligente. Não deve ser olhada como “um novo imposto”, muito menos pode ganhar a alcunha de “imposto sobre o fast-food”. Deve, isso sim, ser analisada do ponto de vista da saúde pública.

Não pode ser avaliada do ponto de vista do encaixe que permite, mas olhando os efeitos positivos de um eventual agravamento do custo de produtos maléficos para saúde.

Os pormenores da aplicação deste agravamento fiscal, que José Manuel Silva apresenta, estão bem estruturados. Nenhuma cadeia de fast-food pagará mais impostos. Poderá ter lucros mais reduzidos, mas esse será o pequeno preço a pagar pelo incremento de hábitos de alimentação saudáveis. Talvez passem a apostar em produtos saudáveis, criando um novo paradigma da ‘comida rápida’.

Esqueçamos os números. O que representaria uma medida dessas na saúde das gerações vindouras? Temos sinais de que seria muito positiva. Basta reparar na redução do consumo do tabaco, após a lei (tão criticada) que limitou o consumo a espaços regulados, ou abertos.

O bastonário da Ordem dos Médicos teve a ousadia de propor mais impostos num período difícil – com as famílias fartas, sequer, da palavra “imposto” -, em nome da saúde pública. Mas teve, acima de tudo, o mérito de lançar uma discussão nova.

FONTE: http://bit.ly/qSfgRr

Hungria avança aumento de impostos para combater obesidade

O Governo húngaro vai mesmo avançar com um aumento de impostos para combater as elevadas taxas de obesidade da população.

Produtos que tenham taxas elevadas de gordura, sal e açúcar serão os alvos do chamado imposto das batatas fritas.

Para lá de combater a obesidade, o governo húngaro quer limitar os custos das doenças provocadas pela “fast food” no sistema de saúde.

A taxa começou, esta quinta-feira, a ser aplicada e significa 37 cêntimos a mais nos produtos em causa. Por ano, a receita esperada pelo Executivo é na ordem dos 70 milhões de euros.

FONTE: http://bit.ly/ofvAZ6

Especialistas sugerem imposto sobre comida pouco saudável

Médicos britânicos alertam que, em 2030, metade da população será obesa e só uma acção firme do Governo pode impedir este drama

Em 2030, metade dos adultos britânicos serão obesos, se nada for feito para contrariar a tendência. Os médicos lançam o alerta e advertem que está nas mãos do Governo impedir tal drama.

Os especialistas prevêem que, se a tendência se mantiver, dos actuais 11 milhões de obesos britânicos, passaremos para 26 milhões, adianta a SkyNews, citando a revista médica «The Lancet». Por isso, os médicos sugerem que se aplique um imposto adicional de 10 por cento sobre os alimentos pouco saudáveis.

Klim McPherson, epidemiologista da Universidade de Oxford, citado pela Sky, toma como exemplo o caso do agravamento fiscal sobre o tabaco, que acabou por reduzir o consumo no país. «Um imposto não seria impopular se as pessoas soubessem quais são as questões», disse o especialista.

«As pessoas sabem a obesidade é um problema real. As pessoas não sabem, como indivíduos, o que fazer sobre isso. Mas os Governos sabem o que fazer sobre isso», acrescenta.

Além deste imposto adicional, os especialistas também sugerem restrições à publicidade de fast food e medidas para impedir que as crianças passem horas frente ao televisor ou ao computador. Medidas como estas, dizem, podem ser muito mais eficientes do que operações contra a obesidade ou mesmo medicamentos para fazer emagrecer.

FONTE: http://bit.ly/ntxzTh

Deu no New York Times: Walmart vai vender menos gordura

A maior empresa de varejo norte-americana, a Walmart, anunciou no mês passado que vai disponibilizar mais alimentos com menos sódio, sais e açúcares em suas lojas. As mudanças serão introduzidas em um período de cinco anos e prometem reduzir o sódio em 25%, eliminar as gorduras trans adicionadas industrialmente e reduzir os açúcares em 10%.

Outras medidas propostas pela empresa serão a redução dos valores de alimentos saudáveis e a elaboração de um selo que será aplicado nos alimentos saudáveis, de acordo com a medição do conteúdo de sódio, gordura e açúcar.

O vice-presidente da Walmart, Leslie Dach, disse em entrevista ao jornal New York Times que os preços mais baixos e reformulações dos alimentos foram motivados por exigências dos próprios clientes da empresa. Segundo o executivo, o público que compra no Walmart economizará cerca de US$ 1 bilhão por ano em frutas, verduras e legumes frescos por ano.

De acordo com o New York Times, o Walmart vende mais gêneros alimentícios do que qualquer outra empresa nos Estados Unidos. Segundo o diário, especialistas locais em nutrição disseram que as mudanças podem ter um grande impacto na acessibilidade a alimentos saudáveis e na saúde das famílias e crianças norte-americanas.

Fonte: Assessoria de Comunicação do CONSEA, com informações do Portal UOL e do jornal New York Times

Assessoria de Comunicação
(61) 3411.3349 / 2747
ascom@consea.planalto.gov.br

Fast food passa a exibir tabela nutricional

Em acordo com o governo, mais de 60 redes de alimentos se comprometem a divulgar dados sobre seus produtos

Cardápios, embalagens e cartazes mostrarão total de calorias, proteínas, gorduras, fibras e carboidratos

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Mais de 60 das principais redes de lanchonetes e restaurantes do país passarão, em 2011, a divulgar as informações nutricionais dos alimentos que vendem.

Os estabelecimentos deverão informar em local visível dados como valor energético e quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras e sódio de cada alimento.
Essas informações serão dispostas em tabelas e impressas em embalagens (se houver), cartazes, cardápios ou folhetos. Se a empresa tiver site, também deve divulgar ali os dados nutricionais.
As empresas têm seis meses para cumprir o acordo, que saiu depois de mais de um ano de discussões entre as partes e que foi firmado no começo deste mês com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ministério Público Federal de Minas Gerais.
O pacto proposto pelo ministério é um “termo de ajustamento de conduta”. A adesão é voluntária, mas funciona como ultimato para que a resolução de 2003 (que prevê a rotulagem obrigatória de alimentos) seja obedecida antes da instauração de um processo.
Para aumentar a adesão, fizeram a ponte entre o poder público e os estabelecimentos a ANR (Associação Nacional de Restaurantes) a ABF (Associação Brasileira de Franchising).
“Esperamos que, assim, o consumidor faça escolhas mais saudáveis e o número de casos de doenças crônicas, como hipertensão, diminua”, disse ontem Denise de Oliveira Resende, gerente de alimentos da Anvisa.

LISTA DE LOJAS

Anvisa e ANR não divulgaram a lista das 62 empresas, mas disseram à reportagem da Folha que, entre as principais redes do país que assinaram o acordo estão: Amor aos Pedaços, Bob’s, Café do Ponto, Giraffa’s, Kopenhagen, Rei do Mate, Spoleto e Vivenda do Camarão.
A rede de lanchonetes McDonald’s não entrou no pacto porque em 2005 uma liminar, também do Ministério Público Federal de Minas Gerais, determinou que as informações nutricionais da empresa fossem divulgadas.
Outras redes que foram citadas pela Anvisa e pela ANR como integrantes do acordo afirmaram já exibir informações nutricionais em suas lojas, como a Salad Creations e a China in Box.
De acordo com João Baptista, diretor da ANR e coordenador do grupo setorial de redes de alimentação da ABF, no total são 4.671 pontos de venda que se adaptarão às regras propostas.
Esse número envolve todas as franquias no país de uma rede, caso a empresa tenha assinado o acordo. No entanto, a responsabilidade final pelo cumprimento das exigências cabe ao franqueado, segundo Baptista.
“O mérito desse acordo foi a possibilidade de todos poderem determinar, em conjunto, ações que serão benéficas ao consumidor”, disse o diretor da entidade que representa os restaurantes.

Colaborou GUILHERME GENESTRETI, de São Paulo
 
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