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10 coisas que você precisa saber sobre a fome em 2013

Foto: PMA

As Nações Unidas publicaram, nesta quarta-feira, uma lista sobre as 10 coisas que todos devem saber a respeito da fome neste novo ano.

Confira abaixo os tópicos compilados pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA:

1. O mundo tem cerca de 870 milhões de pessoas que não têm o necessário para comer para levar uma vida saúdável. Isto significa que uma em cada oito habitantes do globo vai para a cama, todos os dias, passando fome. (Fonte: FAO, 2012)

2. O número de pessoas vivendo com fome crônica baixou para 130 milhões nas últimas duas décadas. Nos países em desenvolvimento, a prevalência da má nutrição caiu de 23,2% para 14,9% no período de 1990-2010. (Fonte: FAO, 2012)

3. A maioria do progresso contra a fome foi alcançado antes de 2007/2008, quando ocorreu a crise econômica global. Desde então, os avanços na redução do problema foram desacelerados e estagnados. (Fonte: FAO, 2012)

4. A fome é o problema número 1 na lista dos 10 maiores riscos de saúde. Ela mata mais pessoas todos os anos que doenças como Aids, malária e tuberculose combinadas. (Fonte: Unaids, 2010. OMS, 2011)

5. A má nutrição está ligada a um terço da morte de crianças com menos de cinco anos nos países em desenvolvimento. (Fonte: Igme, 2011).

6. Os primeiros mil dias da vida de uma criança, da gravidez aos dois anos de idade, são fundamentais para o combate à má nutrição. Uma dieta apropriada, nesta época da vida, protege os menores de nanismos físico e mental, que podem resultar da má nutrição. (Fonte: Igme, 2011).

7. Custa apenas 25 centavos de dólar americano, por dia, para garantir que uma criança tenha acesso a todas os nutrientes e vitaminas necessários ao crescimento saudável. (Fonte: Igme, 2011)

8. Se mulheres, nas áreas rurais, tiverem o mesmo acesso à terra, à tecnologia, à educação, ao mercado e aos serviços financeiros que os homens têm, o número de pessoas com fome poderia diminuir entre 100 e 150 milhões. (Fonte: FAO, 2011)

9. Até 2050, as mudanças climáticas e os padrões irregulares da temperatura terão colocado mais 24 milhões de pessoas em situação de fome. Quase metade destas crianças estarão vivendo na África Subsaariana. (Fonte: PMA, 2009)

10. A fome é o maior problema solucionável do mundo.

Fonte: Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU

Segurança Alimentar e Cidadania: Walter Belik no TEDxUnicamp 2012

Ações do governo reduzem impacto da alta mundial dos preços dos alimentos entre os mais pobres

Estudo preliminar apresentado na Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional mostra que medidas tomadas pela administração federal atenuam efeitos da crise provocada pela falta de comida.

Brasília, 26 – A crise alimentar mundial tem sido atenuada no Brasil com as políticas públicas implementadas pelo governo federal, segundo estudo preliminar sobre o impacto das frequentes alterações dos preços internacionais e da inflação de alimentos no país. O trabalho foi apresentado na Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em Brasília.

O estudo tem como objetivo subsidiar a construção de um sistema de monitoramento dos preços dos alimentos no Brasil e extrair sugestões de políticas públicas que levem em consideração as incertezas do mercado.
Os técnicos da Caisan discutiram os primeiros resultados da análise, realizada pelos pesquisadores Renato Maluf e Juliana Speranza, do Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional (Ceresan), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), nessa quinta-feira (25). A versão final deverá ser apresentada até o final de novembro.

O pesquisador Renato Maluf avalia que há desafios importantes no abastecimento alimentar no Brasil e no mundo. Entre os motivos para a alta dos alimentos, estão o pico do preço do petróleo, a especulação financeira no mercado de alimentos, os baixos estoques mundiais e as mudanças climáticas. Além disso, os indicadores internacionais mostram que, após as altas, os preços não voltam aos patamares anteriores.

No Brasil, ressalta o pesquisador, o preço dos alimentos tem crescido numa taxa superior à inflação. O que, no entanto, não tem impedido o acesso. “A política de valorização do salário mínimo, aliada ao reajuste do Bolsa Família e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), entre outros, tem garantido o acesso às populações mais vulneráveis, que estão conseguindo absorver os aumentos de preço.”

Com o estudos, os pesquisadores buscam uma metodologia para construir um observatório de preços dos alimentos no Brasil, associado ao DataSan, que é um sistema com indicadores sobre produção e disponibilidade de alimentos e nutrição. Os dados serão utilizados ainda para a construção de políticas no país e em blocos regionais, como o Mercosul, e uma agenda de pesquisa voltada para os custos de produção, para a agricultura familiar e as estruturas de mercado.

Ascom/MDS
(61) 3433-1021
www.mds.gov.br/saladeimprensa

Os jogos da fome

Esther Vivas

A crise alimentar açoita o mundo. Trata-se de uma crise silenciosa, sem grandes anúncios, que não interessa nem ao Banco Central Europeu, nem ao Fundo Monetário Internacional, nem à Comissão Europeia; mas que atinge a 870 milhões de pessoas, que passam fome, segundo indica o relatório “O estado da insegurança alimentar no mundo – 2012”, apresentado no dia 9 de outubro passado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Acreditamos que a fome está bem longe de nossos confortáveis sofás; que pouco tem que ver com a crise econômica que nos atinge. Porém, a realidade é bem distinta. Cada vez aumenta mais o número de pessoas que passa fome no Norte. Obviamente, não se trata da mesma fome que atinge aos países da África ou outros; porém, consiste na impossibilidade de ingerir as calorias e proteínas mínimas necessárias; e isso tem consequências sobre nossa saúde e nossas vidas.

Há anos, chegam até nós as terríveis cifras da fome nos Estados Unidos: 49 milhões de pessoas, 16% das famílias, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que incluem a mais de 16 milhões de crianças. Números que o escritor e fotógrafo David Bacon põe rosto em seu trabalho ‘Hungry By The Numbers‘ (Famélicos segundo as estatísticas). As caras da fome no país mais rico do mundo.

No Estado Espanhol, a fome converteu-se também em uma realidade tangível. Sem trabalho, sem salário, sem casa e sem comida. Assim estão muitíssimas pessoas golpeadas pela crise. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2009, calculava-se que mais de 1 milhão de indivíduos tinham dificuldades para consumir o mínimo necessário. Hoje, a situação, ainda sem cifras, é muito pior. As entidades sociais estão superlotadas; e nos últimos dois anos, duplicaram-se as demandas de ajuda por falta de alimentos, para comprar remédios etc. E, segundo informa a organização Save the Children, com cifras de 25% de pobreza infantil, cada vez são mais as crianças que comem somente uma vez ao dia, no restaurante escolar e graças a bolsas de estudo, devido a dificuldades econômicas enfrentadas por suas famílias.

Por isso, não é de se estranhar que, inclusive, o prestigiado jornal estadunidense, The New York Times, publicara, em setembro de 2012, uma galeria fotográfica de Samuel Aranda, ganhador do World Press Photo 2011, que, sob o título ‘In Spain, austerity and hunger‘ (Na Espanha, austeridade e fome) retratara as consequências dramáticas da crise para milhares de pessoas: fome, pobreza, despejos, paralisações…; mas, também, muita luta e mobilização. O Estado Espanhol conta com as taxas de pobreza mais elevadas de toda a Europa, ficando atrás somente da Romênia e da Letônia, segundo um relatório da Fundação Foessa. Uma realidade que se impõe e vem a público, apesar de que alguns a querem silenciar.

A crise econômica, por outro lado, está intimamente ligada à crise alimentar. Os mesmos que nos conduziram à crise das hipotecas subprime, que originou o estouro da “grande crise”, em setembro de 2008, são os que, agora, especulam com as matérias primas alimentares (arroz, milho, trigo, soja…), gerando um aumento significativo de seus preços e convertendo-as em inacessíveis para grandes camadas da população, especialmente nos países do Sul. Fundos de investimento, companhias de seguros, bancos… compram e vendem ditos produtos nos mercados de futuros com a única finalidade de especular com os mesmos e fazer negócio. O que existe de mais seguro para investir do que a comida, se todos temos que comer a cada dia…?

Na Alemanha, o Deutsche Bank anunciava lucros fáceis para quem investia em produtos agrícolas no auge. Negócios similares eram propostos por outro dos principais bancos europeus, o BNP Paribas. O Barclays Bank ingressava, em 2010 e 2011, quase 900 milhões de dólares por especular com a comida, segundo dados do World Development Movement. E não temos porque ir muito longe. Catalunya Caixa oferecia a seus clientes grandes benefícios econômicos a custa de investir em matérias primas sob o slogan: “depósito 100% natural”. E o Banco Sabadell contava com um fundo especulativo que operava com alimentos.

Apesar de tudo que falam, a fome não tem tanto a ver com secas, conflitos bélicos etc.; mas com os que controlam e ditam as políticas agrícolas e alimentares e em mãos de quem estão os recursos naturais (água, terra, sementes…). O monopólio do atual sistema agroalimentar por um punhado de multinacionais, com o apoio de governos e instituições internacionais, impõe um modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos a serviço dos interesses do capital. Trata-se de um sistema que gera fome, perda da agrodiversidade, empobrecimento camponês, mudança climática… e onde se antepõe o lucro econômico de uns poucos às necessidades alimentares de uma grande maioria.

‘Os jogos da fome’ era o título de um filme de ficção dirigido por Gary Ross, baseado no Best-seller de Suzanne Collins, onde uns jovens, representando suas comunidades, tinham que enfrentar-se para alcançar o triunfo e ganhar comida, bens e presentes para o resto de suas vidas. Às vezes, a realidade não está muito distante da ficção. Hoje, alguns “jogam” com a fome para ganhar dinheiro.

*Esther Vivas, membro de Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales (CEMS) UPF. Tradução: Adital.

Vídeo: Soberania Alimentar

O compromisso com a soberania nacional se dá, inclusive, por meio de uma soberania alimentar, pautada pela solidariedade, sustentabilidade e desenvolvimento das classes populares em nosso país.O curso “Soberania alimentar, entre o campo e a cidade: curso de formação de lideranças do PAA­” parte deste entendimento. Para fomentarmos este debate, divulgamos vídeo do Programa Movimento, produzido pela Quem TV Produções e CEFURIA, em 2010.

Fonte: Centro de Formação Milton Santos – Lorenzo Milani

Sistema de produção e distribuição concentrador gera fome, diz especialista

A fome no mundo não é consequência da escassez de alimentos. Teoricamente, o que é produzido hoje seria suficiente para alimentar todos os habitantes do planeta. Sendo assim, por que tantas pessoas passam fome? A resposta vem da Oxfam, uma organização não governamental (ONG) de origem inglesa que atua em 90 países, inclusive o Brasil – onde está presente há cerca de 50 anos -, e que tem com uma de suas bandeiras o combate à fome e a adoção de políticas públicas que propiciem o aumento da produção de alimentos. Há seis meses, a Oxfam lançou a campanha Cresça (Grow, na língua inglesa).

A entidade defende a ideia de que o problema da fome decorre de fatores como a dificuldade no acesso aos alimentos por causa da especulação com os preços e o pouco apoio dado aos pequenos agricultores. Muriel Saragosa, coordenadora de campanhas da Oxfam no Brasil, considera positiva a experiência brasileira de combate à fome e recomenda que seja copiada por outros países. Mas entende que o país poderia avançar ainda mais se o governo reforçasse os programas de apoio à agricultura familiar.

O que levou a Oxfam a lançar a campanha cresça?

Foi o fato de que os dados sobre a produção de alimentos são um pouco assustadores. Hoje, há um aumento do número de pessoas com fome e a gente sabe que nós estamos produzindo alimentos em quantidade suficiente para que todo mundo tenha o que comer todos os dias. O que está levando as pessoas a terem mais fome hoje que há 20 anos são outros fatores.

Quais são estes fatores?

Um deles é a alta volatilidade dos preços, porque nós temos uma especulação muito grande em cima dos alimentos. O segundo fator é que a fome é rural. Há mais gente com fome no meio rural do que nas cidades. Isso significa que essas pessoas vivem em terras com solo esgotado, ou seja, não apto à produção de alimentos, ou porque não têm acesso a terra e água. O aumento da demanda global por terra e água, que ocorre hoje, faz com que estes bens também se tornem commodities. E, também nesse caso, há pessoas especulando em cima de terra, como se fosse uma forma de guardar dinheiro, em vez de permitir que ela seja usada para produzir alimentos ou para matar a fome de quem tem fome.

Outra coisa que eleva a insegurança alimentar no mundo é que o sistema de produção e distribuição de alimentos está concentrado nas mãos de poucas empresas. Quatro empresas controlam a venda de sementes no mundo. Seis companhias controlam 75% dos agroquímicos. Três empresas controlam quase 90% do comércio de cereais. Com se não bastasse isso, há também um aumento da especulação em torno do preço dos alimentos.

Por causa da crise financeira de 20Ò8, as empresas que apostavam na bolsa passaram a apostar na alta do preço futuro dos alimentos. E, como não há transparência nas informações sobre os estoques de alimentos, ou seja, as empresas privadas não informam quanto há de estoque nem onde eles estão, cada vez que aparece uma notícia de seca em alguma parte do mundo, começa-se a especular que o preço dos alimentos vai subir, isso passou a ser uma rotina, principalmente depois de 2008. A concentração do estoque de alimentos nas mãos de poucas empresas dá a elas o direito de fazer o que quiserem com os preços.

A concentração de terras ocorre em larga escala também no Brasil?

No Brasil, isso ocorre menos que na África, mas também ocorre. Hoje, nós temos grandes companhias internacionais comprando terras no Brasil; temos também a China comprando grandes extensões territoriais para alimentar sua população. Outra questão importante, que também contribui para agravar o problema, está relacionada às mudanças climáticas, que estão gerando uma série de pressões e eventos catastróficos, como as secas e as enchentes, que têm grande impacto sobre a produção de alimentos e colocam a população já marginalizada em uma situação ainda mais difícil.

Qual a visão da Oxfam sobre a agricultura familiar?

Ao contrário do que diz a propaganda, quem produz a maior parte dos alimentos que estão nas mesas dos brasileiros é a agricultura familiar. Hoje, 87% da mandioca que o brasileiro come vêm da agricultura familiar, da mesma forma que 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% dos suínos, 50% da carne de frango e aves em geral e 21% do trigo. Os grandes produtores são responsáveis, principalmente, pelas commodities. Eles produzem aquilo que vai para o exterior. Hoje, por exemplo, o Brasil produz 24% da carne que é consumida no mundo. Desse total, 19% vêm de uma única empresa, o grupo JBS. Mas é a agricultura familiar a grande responsável pelos alimentos que vão para a mesa do brasileiro. Por isso, ela tem que ser valorizada.

O apoio que a agricultura familiar recebe hoje do governo é condizente com o seu peso?

Hoje, a agricultura familiar tem, por parte do governo, um apoio maior do que tinha em épocas passadas. Porém, mesmo assim, a distribuição de recursos é muito desigual Um exemplo: o orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário, principal base de apoio no governo aos pequenos agricultores, corresponde a 57% do orçamento do Ministério da Agricultura, que está voltado, principalmente, para o agronegócio. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem uma deficiência muito grande de pessoal, principalmente nas áreas de pesquisa e extensão rural, setores que, no âmbito do governo federal, estão voltados, prioritariamente, para as commodities e o agronegócio.

No caso da extensão rural, apesar de ter ocorrido um grande esforço por parte do governo para melhorar a qualidade da assistência técnica para a agricultura familiar, esse apoio ainda está muito condicionado a uma assistência por pacotes tecnológicos. Mesmo o financiamento que vem dos bancos é sempre direcionado para um atendimento mais padronizado. Com isso, fica muito difícil para um sistema que aposta na diversidade e no não uso de agrotóxicos conseguir um financiamento agrícola. Isso, indiscutivelmente, é um problema. .

As mudanças climáticas poderão comprometer a produção de alimentos no mundo?

Essa é uma questão muito importante porque os eventos catastróficos ligados às mudanças climáticas pressionam muito mais os pequenos produtores de alimentos do que os grandes, porque os pequenos não têm o que a gente chama de resiliência, que é a capacidade de levantar recursos no banco para se reerguerem. Outra coisa é que o controle dos recursos naturais está escapando das mãos dos pequenos produtores de alimentos devido às dificuldades de acesso à terra. Hoje, está cada vez mais difícil conseguir água para irrigação. Além disso, recursos naturais como florestas ou a pesca estão mais escassos. A terra no Brasil é extremamente concentrada. E isso é um problema para o pequeno produtor.

É possível reverter a crise climática ou o cenário pessimista é irremediável?

Nós estamos caminhando mal. Os países que têm a maior parcela de culpa na produção dos gases do efeito estufa não estão fazendo a sua parte. Não estão cumprindo os acordos internacionais e não estão investindo em fazer algo diferente. Nós consideramos que é importante ter ações de prevenção das mudanças climáticas e de adaptação a esse novo cenário. Mas a realidade é que ninguém está pondo dinheiro na mesa. E nós temos várias propostas. Uma é a instituição de uma taxa sobre transações financeiras, que poderia formar um fundo para financiamento de programas de adaptação aos efeitos da crise climática pela agricultura familiar.

Outra campanha é taxar o combustível dos grandes navios que transportam mercadorias de um país a outro. Seria uma taxa bem pequena que não iria aumentar o preço dos alimentos, mas que incentivaria a produção local dos alimentos, diminuindo o uso dos combustíveis fósseis que contribuem para o efeito estufa. O Brasil deveria fazer isso, pois é uma liderança mundial, é a sexta economia do mundo.

Em relação à produção de alimentos, qual o cenário com o qual vocês trabalham para as próximas décadas?

O que estamos dizendo é que precisamos fazer alguma coisa com urgência. Precisamos, com urgência, que a sociedade tome conhecimento desses problemas e que os movimentos que já têm conhecimento disso sejam fortalecidos e se tornem capazes de conversar com os tomadores de decisão. Precisamos que a agricultura familiar seja fortalecida para garantir, com mais segurança, que as pessoas tenham não só disponibilidade de comida, mas também meios de comprar essa comida. Precisamos investir mais na produtividade, na resiliência e na sustentabilidade dos pequenos produtores e, em particular, nas mulheres, que são hoje a maioria dos pequenos produtores de alimentos e não têm visibilidade como tal.

Outra coisa importante é que a gente precisa parar com esse processo de apropriação da terra e da água por parte das grandes corporações, em detrimento da produção de alimentos e da sustentabilidade ambiental. Temos que parar de produzir carne de vaca para que uma minoria coma em detrimento da produção de feijão e arroz.

Que análise vocês fazem dos programas brasileiros de combate à fome?

No Brasil, houve uma melhora significativa. Inclusive, o fato de o Brasil estar fazendo isso dentro de um sistema democrático e com governança social, em espaços como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), é um exemplo positivo que nós, como Oxfam, estamos documentando e compartilhando com nossos colegas de outros países, para que possam aproveitar o que há de bom da experiência brasileira e ir mais longe. Há uma ideia de que no Brasil não há mais fome. Mas isso não é verdade. O problema continua a existir. Há no Brasil 16 milhões de miseráveis. E quem está na miséria está com fome, porque não pode produzir ou porque não tem acesso a comida. E a maioria dessas pessoas está no campo. E para o Brasil nós temos duas grandes prioridades. A primeira é aumentar a consciência da população em geral sobre a alimentação, sobre o que comer, se o alimento é saudável, se atrás dele há trabalho escravo. A segunda prioridade é trabalhar com a agricultura familiar.

Fora do Brasil, onde a situação é mais crítica?

Sem dúvida que a África é o continente em pior situação. Dentro da África, a região mais crítica é a do Sahel. O mundo não se preocupa com a África. A cooperação internacional diminuiu muito nos últimos anos. A receita que tem sido levada para Lá é que é só produzir soja, milho e algodão que o problema vai ser resolvido. Esse modelo foi – e continua sendo – Levado para a África nos últimos 30 anos, quando a gente sabe que a solução do problema da fome passa pela agricultura familiar adaptada de maneira que os produtores possam trabalhar segundo a realidade local. Na África, a agricultura familiar que produz alimentos tem sido colocada cada vez mais à margem nos espaços de produção. Você vê investimentos em irrigação que vão para a soja, o milho e não vão para o mileto (tipo de cereal), não vão para as mulheres que produzem o feijão-fradinho, que fazem a comida local. O que nós temos hoje na África é uma concentração de área agrícola de qualidade voltada para a produção de commodities e uma diminuição da área destinada à produção local de alimentos.

Fonte: Correio Braziliense

Relatório “Estado do Mundo 2011 – Inovações que Nutrem o Planeta”

“Não podemos mais continuar crescendo em um planeta que é finito sem a readaptação dos diferentes setores, sem um novo modelo de produção e consumo que seja sustentável”, defendeu Eduardo Athayde, presidente do Worldwatch Institute no Brasil(WWI Brasil). Ele participou do debate sobre segurança alimentar e as inovações para a sustentabilidade no campo, tema do relatório “Estado do Mundo 2011 – Inovações que Nutrem o Planeta”.

O debate foi realizado na quarta-feira (19/10), em São Paulo, durante o lançamento da versão em português do documento.

“Somos 7 bilhões de pessoas. Um em cada sete de nós acorda pela manhã e não sabe o que comer. Sequer, se vai comer”, alerta. “Enquanto isso, especialistas discutem como produzir mais e não como consumir o que já é produzido de forma sustentável e igualitária.” Dados do relatório indicam, por exemplo, que entre 25% e 50% da colheita dos países mais pobres estraga ou é contaminada por pragas ou fungos antes de chegar à mesa.

Vale lembrar que 1804 a população humana atingiu o primeiro bilhão. Passados apenas 130 anos, isto é, em 1930, o número já era de 2 bilhões. O crescimento populacional continuou muito acelerado, tanto é que hoje somos quase 7 bilhões e caminhamos a passos largos para chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050. “Diante dessa realidade, como garantir segurança alimentar considerando ainda os 78 milhões de novos consumidores acrescidos anualmente à população humana”, questiona Athayde.

O presidente cita algumas ações protagonizadas no continente africano para o combate à fome. As inovações estão descritas no relatório Estado do Mundo:

– Na Gâmbia, 6.000 mulheres se organizaram em associação de produtoras, criando um planejamento de co-gestão sustentável para a exploração local de ostras;

– Em Kibera – uma das maiores favelas africanas que fica em Nairobi, capital do Quênia – mais de 1.000 agricultoras estão cultivando hortas “verticais” em sacos de terra perfurados, alimentando suas famílias.

Ainda segundo o estudo, “dando às mulheres o mesmo acesso que os homens aos recursos agrícolas, poderia aumentar a produção nos países em desenvolvimento em 20% a 30%” e isso poderia reduzir em até 150 milhões o número de pessoas com fome no mundo.

Para Athayde, o mundo precisa crescer readaptando os diversos setores de produção. “Isso significa decrescer os níveis de produção e consumo, gerando o crescimento de lucros por meio da inteligência, da eficácia da ciência e da capacitação para a sustentabilidade”.

O documento alerta também que “o preço mundial dos alimentos sofre forte pressão de aumento, impulsionado pela crescente demanda por carne na Ásia, trigo na África e biocombustíveis na Europa e América do Norte, entre outros fatores”.

Obtenha o documento completo aqui

FONTE: SEMIÁRIDO, por indicação de MariaPapirus

Hortas urbanas e a crise alimentar global

Rob Sawers, São Paulo, Brasil. No mundo todo sobem os preços dos alimentos básicos. A FAO admite, abertamente, uma “crise alimentar global”. Há fortes evidências de que os preços dos alimentos são um dos fatores críticos de desassossego político por todo o mundo. As causas dessa crise são variadas e incluem o clima errático e os altos preços do petróleo. Sem dúvida, como em épocas anteriores de fome e escassez de alimentos, a crise alimentar não é só o resultado de fenômenos naturais, mas é agravada pela avidez de lucrar com a miséria humana mediante a manipulação dos mercados. Hoje, os camponeses têm a capacidade de alimentar o mundo, mas para aqueles que controlam os criatórios industriais, os mercados de exportação e as cadeias de supermercados é mais conveniente forçar a alta dos preços ainda mais. O aumento dos lucros provocado pela mudança climática está ficando muito tentador para as empresas.

Enquanto os camponeses por todo o mundo sofrem os efeitos dessa ofensiva corporativa contra a agricultura tradicional, são os pobres urbanos os que sofrem os riscos mais agudos de desnutrição nessa crise alimentar. Sua alimentação e nutrição é completamente dependente da indústria alimentar, mas seus ganhos não sobem no ritmo suficiente para escapar da fome.

Está claro que necessitamos soluções alternativas. Para aqueles que enfrentam uma desnutrição iminente enquanto vêem como os preços sobem semana após semana, não dá mais para simplesmente esperarem calados que o governo ou o desenvolvimento dirigido pelo capitalismo chegue ao bairro. Em todo o continente americano, de Buenos Aires a Detroit, muitas comunidades reagiram proativamente a essa crise. Grupos comunitários em incontáveis cidades iniciaram hortas urbanas nos bairros pobres e oferecem uma alternativa nutricional para os que sobrevivem comendo em bancas de rua e sobras. Além disso, tornam possível o desenvolvimento de economias locais para comercializar seus produtos. Infelizmente, a única outra economia local para alguns desses bairros, como na Favela Sabopemba de São Paulo, é o tráfico de drogas. Sob esse aspecto, as hortas e os mercados não são apenas uma fonte de nutrição e de ganho, mas também podem estimular uma mentalidade alternativa que resista à desumanização do narcotráfico e à fatalista dependência ao desenvolvimento capitalista.

Os cultivos urbanos de hortaliças foram adotados pelas comunidades como resposta à inflação dos preços dos alimentos, mas o primeiro impulso à agricultura urbana em massa foi uma resposta de Cuba às carências de alimentos devidas ao “Período Especial” no início dos anos 1990. Com a caída do socialismo no leste europeu, Cuba ficou sem as importações subsidiadas de petróleo, sem agrotóxicos e sem fertilizantes. Da noite para o dia, as antes prósperas agroindústrias cubanas fecharam. A ilha não teve outra opção senão utilizar todo o seu espaço disponível para plantar hortaliças e alimentar a sua população. Em poucos anos, Cuba estava produzindo em suas hortas orgânicas tanto como o seu sistema agrícola industrializado dos anos 1980. A única diferença foi que os cubanos, então, passaram a comer alimentos muito mais saudáveis graças aos vegetais frescos. Além disso, essa transformação colocou os meios de produção nas mãos das comunidades, e não nas mãos das burocracias estatais. Em meados dos anos 1990, 60% de todos os produtos frescos consumidos em Havana eram plantados dentro dos limites da cidade.

Desde então, florescem por todo o continente as hortas urbanas, mas não porque haja carência de alimentos, mas sim pelo aumento da disfuncionalidade dos mercados alimentares.

Popularizado pelo documentário The Garden, de 2008, a horta da central sul de Los Angeles era a maior horta urbana de hortaliças dos Estados Unidos e produzia comida para milhares de moradores do centro da cidade. Promovida pela comunidade e por ONGs locais, a horta resistiu às pressões do governo da cidade e do proprietário ausente de um terreno abandonado. No final, a horta foi arrasada por tratores. A destruição da horta parecia ser um ato de raiva do proprietário, mas talvez a ideia de que os chicanos do centro da cidade resistissem à indústria agroalimentar corporativa era algo muito ameaçador para deixar passar.

Esse trágico exemplo de machismo corporativo não deve desanimar os pobres urbanos que procuram assumir o controle de sua segurança alimentar. Em muitos outros países, os governos começam a reconhecer os benefícios dos cultivos urbanos em nível popular e promovem esses projetos. O governo argentino e o equatoriano sancionaram projetos e, assim, iniciaram alguns projetos comunitários nas cidades de Buenos Aires e em Quito e, inclusive, do México e Detroit, para mencionar apenas alguns deles. Em São Paulo, a organização comunitária Cidades Sem Fome (CSF) desenvolveu um projeto de cultivo urbano que utiliza o espaço desperdiçado e não utilizado, dentro ou próximo dos bairros, com a finalidade de empreender uma produção orgânica de hortaliças. Na maioria dos casos, a CSF persuadiu os donos dos terrenos no sentido de que um terreno em uso comum plantado com hortaliças implica menos responsabilidade legal do que deixar o espaço vazio, que expõe a terra a ser utilizada como depósito de lixo ou que abre a possibilidade de ser invadida com habitações precárias. Com esse modelo de pedir emprestada a terra, a CSF desenvolveu uma cooperativa de cultivo orgânico de mais de vinte hortas espalhadas por uma das maiores cidades do mundo.

Os resultados das hortas urbanas são imediatos e óbvios para aqueles que de outra forma não teriam nenhum acesso a frutos e hortaliças frescas e, nem se fale, a produtos orgânicos, locais. O fundador da Cidades Sem Fome, Hans Dieter Temp, alerta aos iniciantes no plantio que comecem cultivando alfaces e rabanetes. A ideia é começar com plantas de rápido crescimento, propiciando que os cultivadores vejam o mais rápido possível os benefícios em sua dieta e em seus ganhos. Depois, incentivam-se as pessoas para que assumam uma variedade mais ampla de hortaliças, para obter uma maior variedade nutricional. As pessoas que trabalham com a CSF cultivam atualmente uma diversidade de produtos, incluindo diversas hortaliças locais, como o chuchu.

Um dos aspectos mais inspiradores desse movimento, e de fato de todo o potencial dos cultivos urbanos em geral, é que essas hortas começaram a transformar os bairros que sofrem de extrema pobreza, de desnutrição, de desemprego e das garras firmes das quadrilhas de traficantes. Na Favela Sabopemba, notória por sua pobreza, os jovens têm pouquíssimas oportunidades de conseguir emprego, e as tentações do narcotráfico são grandes. No caso das mulheres, ou estão desempregadas, ou trabalham como lavadeiras ou domésticas para famílias de classe média em outras partes da cidade.

Mas o poder do trabalho coletivo (mutirão) é forte, e os organizadores do movimento já vêem as melhorias na nutrição e na mentalidade das pessoas. Temp recorda o quão difícil era convencer as mulheres do bairro de que elas mesmas podiam fazer a diferença para elas e sua comunidade. O estranho foi que quando mostraram a elas a exuberante horta de um bairro nos arredores, já funcionando, as mulheres da Sabopemba a princípio ficaram paralisadas. O sentimento dessas mulheres parecia ser: “Como é possível nós fazermos algo tão bonito”? Mas as mulheres da Sabopemba uniram-se à CSF e o ato de cultivar coletivamente começou a desconstruir a mentalidade de desânimo. Essas mulheres deram às suas crianças e aos vizinhos algo muito especial nos bairros, a satisfação de serem capazes de conseguir algo em suas comunidades e em si mesmas. Temp acrescenta que quando a Sabopemba começou a cultivar, as conversas que ouvia enquanto trabalhavam eram principalmente rumores sobre o abuso do crack e os preços que diferentes traficantes cobravam. Agora, as mulheres trocam saberes de cultivo ou de cozinha enquanto trabalham. Apesar de uma evidência informal, o movimento considera que isso mostra uma virada dramática na mentalidade.

Entretanto, a mentalidade é só uma pequena parte do problema porque em São Paulo os supermercados estão longe das favelas e os preços são incrivelmente caros para os pobres. Uma mãe com bocas para alimentar e que trabalha lavando roupa para famílias de classe média no outro lado dessa mega-metrópole, pode ter que pegar vários ônibus para ir ao supermercado e voltar. Com esse tipo de transbordos épicos, um pé de alface ou algumas mangas maduras podem ser amassados ou murcharem até chegar em casa para preparar a comida. Ainda que esse tipo de problema possa soar grosseiramente mundano e sem relevância para as realidades da pobreza, muita gente na Favela Sabopemba apontou exatamente esse tipo de situações como parte dos obstáculos que enfrentam para conseguir uma boa alimentação. O que ocorre é que diante da perspectiva de chegar em casa com uma alface que quase não podem pagar, para a qual investem tempo e dinheiro em transporte, e que depois de tudo chega estragada, simplesmente escolhem o barato e confiável: arroz e massa, e não frutos e verduras nutritivos.

O que é necessário, e a CSF espera ser parte dessa mudança, é um afastamento da agricultura industrial de grande escala e das cadeias de supermercados que distribuem seus produtos. No Brasil, e com certeza em todo o continente americano, as corporações gigantes controlam grande parte da produção agrícola dos países. O modelo corporativo industrial de agricultura se apoia em subsídios governamentais maciços, na especialização e na intensificação de cultivos, e utiliza maquinaria cara e agroquímicos. Contra esse Golias da produção, os pequenos posseiros e as unidades de produção familiares não têm muitas oportunidades de competir. As pequenas unidades de produção se endividam e quebram, e a garra dos gigantes corporativos da agricultura fica mais apertada.

Por sua vez, essas corporações do agronegócio, integradas verticalmente, confiam nos supermercados como mecanismo para aumentar seus lucros. Os supermercados podem ser a etapa na qual se representa o drama da exclusão social. Uma percentagem da população mundial (percentagem que cresce rapidamente), vê nos supermercados o acesso primário a alimentos frescos. Exibem para o consumidor uma variedade de bens, com marcas e pacotes que cultivam o reconhecimento das marcas e uma lealdade a elas. Nesses paraísos dos lucros das corporações, os que compram se dividem em linhas de classe baseadas no que cada um pode pagar e nas mercadorias que sobreviverão à longa viagem de volta para casa. Os ricos e os pobres talvez comprem nas mesmas lojas, mas saem delas com compras muito diferentes.

A divisão é igualmente marcante entre classes de produtores. Muitos camponeses em pequena escala simplesmente não podem se manter no negócio vendendo seus produtos do campo aos supermercados porque estes pagam preços de atacado que se tornam baixíssimos artificialmente. Por exemplo, a cadeia francesa de supermercados Carrefour é muito poderosa no Brasil, pois conta com 50 milhões de consumidores em umas quinhentas lojas no sul do Brasil.1 Na época em que foram realizadas as entrevistas para este texto, o Carrefour em São Paulo pagava aos agricultores seis centavos de real (R$ 0,06) por pé de alface. Para quem tem centenas de milhares de hectares, e milhões ou bilhões para gastar com maquinaria sofisticada e químicos, é possível obter lucro de alfaces vendidas a seis centavos de real. Mas para os camponeses com pequenas áreas que tentem competir, já não é rentável cultivar. Acabam indo para as cidades, para lavar roupas, ou vender drogas nas ruas; e a tendência à deterioração rural continua.

Para confrontar ambos os lados desse desafio que se apresenta aos moradores dos bairros, a CSF cultiva hortas que ao serem suficientemente grandes podem ser economicamente produtivas, e não estão unicamente tocando na linha de vida nutricional. Produzir excedentes conduz ao desenvolvimento de mercados locais para frutos e verduras orgânicos nos bairros que nunca antes tiveram tais luxos. Estess mercados são, de fato, um dos aspectos mais excitantes do modelo de Cidades Sem Fome, porque começam a desmoronar o apartheid nutricional que divide São Paulo entre ricos e pobres. Além da satisfação e da auto-estima que provêm dos vizinhos trabalharem juntos no mutirão desses mercados, os baixos preços dão acesso a produtos agrícolas frescos a uma faixa muito mais ampla da população. Um pé de alface nesses mercados é vendido por R$ 1,00; comparado com o Carrefour, é um preço muito menor para o consumidor e é um ganho muito mais alto para o produtor.

Os preços nesses mercados “camponeses” locais de hortaliças frescas são menores do que nos supermercados, entre outras coisas devido à ausência de intermediários. Como salientamos antes, no exemplo de como o Carrefour fixa o preço da alface, os supermercados corporativos exigem uma diferença enorme entre o preço de atacado e o de varejo para os produtos frescos, com a finalidade de sustentar os custos indiretos das corporações internacionais inteiras. Do pessoal dos supermercados para cima, passando pelos engenheiros e mecânicos, e os escritórios administrativos, as equipes legais, os assessores financeiros, os executivos, os membros do conselho e direção; toda a conta, até a última linha, é paga pelos agricultores e consumidores. Mas por que os camponeses que lutam e os sem posse que moram nos bairros são forçados a fazer parte de uma estrutura injusta e tão sobrecarregada? Por que as mulheres da Favela Sabopemba têm que contribuir com os pacotes de benefícios da direção do Carrefour?

Pensado como modelo de desenvolvimento ou como solução à crise alimentar global, alguns alegarão que o cultivo de hortaliças e os mercados locais são “pouca coisa”, um simples curativo na ferida ocasionada por um sistema de produção alimentar que está fugindo do controle. Talvez seja assim, e as soluções de longo prazo não estejam nas cidades que consomem, mas sim no campo que produz. Os camponeses e os pequenos proprietários por todo o mundo clamam a favor de uma reforma agrária enquanto a máquina de produzir alimentos de modo intensivo, baseada no capital, estraga mais terra e torna obsoletos mais mercados locais. Mas à medida que a luta dos camponeses segue adiante, talvez invisível ou alheia para a população urbana do mundo, os pobres marginalizados nas cidades e bairros não podem continuar esperando que se cumpram as promessas do desenvolvimento capitalista. Quando os preços dos alimentos chegam a alturas ridículas, pensar que o capitalismo lhes oferecerá frutos é uma fantasia que já não podem se dar ao luxo de pagar.

Um dos principais desafios desse movimento autônomo, que busca se livrar da agricultura industrial e da fome urbana, é encontrar um método de distribuição dos produtos agrícolas que passe ao largo dos supermercados e de todos os problemas que geram. É por isso que os mercados de hortaliças orgânicas nas favelas, que a Cidades Sem Fome promove, são tão importantes. Não é só porque colocam hortas e produtos orgânicos diretamente nas mãos daqueles que mais desesperadamente os necessitam; desempenham um papel de respaldo a esse valente distanciamento do sistema que destrói economias, habitats, e famílias.

 1 Reardon, Thomas. et al. “Supermarkets in Africa, Asia, and Latin America.” American Journal of Agricultural Economics. V.85. No.5 (2003) 1144.

FONTE: GRAIN

A Crise Alimentar Ataca Novamente

Esther Vivas, com tradução de Roberta Sá

A ameaça de uma nova crise alimentar já é uma realidade. O preço dos alimentos começou a aumentar para níveis recorde novamente, de acordo com os dados de fevereiro de 2011 do Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que realiza uma análise mensal dos preços da cesta básica de alimentos em nível global, formada por grãos, sementes oleaginosas, produtos lácteos, carne e açúcar.  O Índice chegou a um novo máximo histórico, o mais alto desde que a FAO iniciou o estudo dos preços dos alimentos em 1990. Nos últimos meses, os preços estabilizaram, mas analistas predizem mais altas nos próximos meses.

Este aumento no custo dos alimentos, especialmente grãos básicos, traz sérias conseqüências para os países do Sul com baixa renda e dependência da importação de alimentos, e para as milhares de famílias nestes países que dedicam entre 50 e 60% de sua renda em alimentos – um número que aumenta para 80% nos países mais pobres.  Nestes países, o aumento do preço dos produtos alimentares os torna inacessíveis.

Estamos nos aproximando de um bilhão de pessoas – uma a cada seis do planeta – que hoje não tem acesso à alimentação adequada. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou que a crise alimentar corrente aumentou o número de pessoas que sofrem de fome crônica em 44 milhões. Em 2009, este número foi superado, chegando a 1.023 bilhões de pessoas mal-nutridas no Planeta; quantitativo que baixou ligeiramente em 2010, mas sem retornar para os níveis anteriores à crise econômica e alimentar de 2008 e 2009.

A crise atual acontece em um contexto de abundância de alimentos. A produção de alimentos multiplicou-se ao longo das três décadas desde os anos 60, enquanto a população meramente dobrou desde então. Temos alimentos suficientes. Contrariamente do que instituições internacionais como a FAO, o Baco Mundial e a Organização Mundial do Comércio dizem, não é um problema de produção, mas sim um problema de acesso aos alimentos. Estas organizações insistem no aumento da produção através de uma nova Revolução Verde, que somente tornaria as crises alimentar, social e ecológica, piores.

Rebeliões Populares

As rebeliões populares no norte da África e Oriente Médio tiveram dentre os muitos catalisadores o aumento no preço dos alimentos. Em dezembro de 2010, na Tunísia, a porção mais pobre da população ocupou a linha de frente do conflito, demandando, dentre outras coisas, o acesso aos alimentos.

Em janeiro de 2011, jovens realizaram demonstrações na Argélia, bloqueando rodovias, queimando lojas e atacando estações policiais para protestar contra o aumento dos preços dos alimentos básicos. Casos similares foram vistos na Jordânia, Sudão e Iêmen. O Egito é o maior importador de trigo do mundo, e depende da importação de alimentos.

Evidentemente outros fatores entraram em jogo nos levantes: altos índices de desemprego, falta de liberdade democrática, corrupção, falta de habitação e serviços básicos, etc. De qualquer forma, o aumento dos preços dos alimentos foi um dos catalisadores iniciais.

A Causa Central

Quais as causas desta nova alta no custo de nossas refeições? Apesar de instituições internacionais e especialistas terem apontado diversos elementos, tais como fenômenos metereológicos que afetaram as colheitas, o aumento da demanda em países emergentes, especulação financeira, o aumento da produção de agrocombustíveis, dentre outros – vários índices apontam para a especulação com matérias primas alimentares como uma das principais razões para o aumento nos preços dos alimentos.

Em 2007-2008 o mundo sofreu uma profunda crise alimentar.  Os preços dos alimentos básicos, tais como trigo, soja e arroz, subiram em 130%, 87% e 74% respectivamente. Naquela época, assim como agora, diversas causas convergiram, mas as mais importantes foram a produção de agrocombustíveis e o crescimento dos investimentos especulativos nos mercados futuros de alimentos. Este aumento no preço dos alimentos estabilizou-se em 2009, em parte provavelmente devido à crise econômica e a redução na especulação financeira.

Na metade de 2010, com os mercados financeiros mais calmos e altas somas de recursos públicos injetados nos bancos privados, a especulação dos alimentos atacou novamente e os preços dos alimentos começaram a subir. Para “salvar os bancos”, após a crise financeira de 2008-2009, estima-se que os governos dos países mais ricos aplicaram um total de 20 trilhões de dólares para estabilizar o sistema bancário e baixar as taxas de juros.

Com o afluxo de dinheiro, os especuladores perceberam incentivos para adquirir novos empréstimos e comprar mercadorias que previsivelmente iriam aumentar de valor rapidamente. Os mesmos bancos, fundos de alto risco, etc. que causaram a crise hipotecária são atualmente responsáveis pela especulação das matérias primas e o aumento nos preços dos alimentos, aproveitando-se dos mercados globais não regulados de commodity.

A crise alimentar está intimamente ligada à crise econômica e à lógica do sistema que promove, por exemplo, planos para socorrer a Grécia e a Irlanda sacrificando sua soberania com instituições internacionais, assim como sacrifica a soberania alimentar dos povos pelos interesses do mercado.

A Garantia dos Produtores ou a Prosperidade dos Especuladores?

Sempre houve alguma especulação nos preços dos alimentos e esta lógica por trás dos mercados futuros. Na forma atual, os mercados futuros datam da metade de 1900, quando foram iniciados nos Estados Unidos. São acordos legais padronizados para comprar e vender mercadorias físicas em um período de tempo previamente estabelecido no futuro e tem sido o mecanismo de garantia de preço mínimo para o produtor que enfrenta oscilações do mercado.

Funciona assim: Produtores vendem sua produção aos comerciantes antes da colheita para se protegerem das incertezas no clima, por exemplo, e para garantir um preço futuro. O comerciante também se beneficia. Quando a colheita é ruim, o produtor ainda recebe uma boa renda e quando a colheita é ótima, o comerciante se beneficia ainda mais.

Este mesmo mecanismo é usado pelos especuladores para fazer dinheiro a partir da não regulamentação dos mercados de matérias primas, que foi estimulado na metade dos anos 90 nos Estados Unidos e Grã-Bretanha pelos bancos, políticos do livre mercado e fundos de alto risco, no contexto do processo de liberalização da economia mundial. Os contratos para comprar e vender alimentos se tornaram “derivativos” que poderiam ser negociados independentemente das transações agrícolas reais. Um novo negócio nasceu – a especulação dos alimentos.

Hoje os especuladores têm mais peso nos mercados futuros, apesar destas transações não terem nada a ver com a oferta e procura real. Mike Masters, gerente da Masters Capital Management, aponta que em 1998 os investimentos financeiros especulativos nos setores agrícolas foram em torno de 25%, e hoje em dia está em torno de 75%.  Estas transações são realizadas nos mercados, sendo o Mercado de Commodities de Chicago o mais importante deles no nível mundial, enquanto na Europa alimentos e matérias primas são negociadas nos mercados futuros de Londres, Paris, Amsterdam e Frankfurt.

Um “Depósito 100% Natural”

Em 2006/2007, após a queda nos mercados de empréstimos hipotecários nos Estados Unidos, investidores institucionais como bancos, empresas de seguros e fundos de investimento buscaram locais mais seguros e rentáveis para investir seus recursos financeiros. Alimentos e matérias primas se tornaram uma alternativa popular. Com os preços dos alimentos subindo, investimentos nos mercados de futuro em alimentos aumentaram, empurrando os preços dos grãos para cima e piorando a inflação dos preços dos alimentos.

Na Alemanha, o Deutsche Bank anunciou ganhos fáceis com os investimentos nos produtos agrícolas em ascensão. E oportunidades de negócios similares foram promovidas pelo principal banco europeu, o PNP Paribas. Em janeiro de 2011 o Catalunya Caixa estimulou seus clientes a investirm em matérias primas sob o slogan “depósito 100% natural”.

O que eles ofereceram? A garantia de 100% do capital, com a possibilidade de obter lucros acima de 7% ao ano. Como? De acordo com os anúncios, tendo como base a “evolução dos rendimentos em três produtos alimentares: açúcar, café e milho”. Para assegurar tais altos rendimentos, os anúncios apontam que os preços destes três produtos aumentaram em 61%, 34% e 38% respectivamente ao longo dos últimos meses devido à “demanda crescente que está aumentando acima da taxa de produção”, por causa do aumento da população mundial, e produção de agrocombustíveis.

Entretanto, o Catalunya Caixa deixou de fora uma importante informação: a especulação de alimentos que causou estes belos lucros aumenta o preço dos alimentos, torna-os inacessíveis para grande parte da população no Sul Global e condena milhares de pessoas à fome, pobreza e morte nestes países.

Dependência no Petróleo

Outro elemento que exacerbou a crise alimentar é a dependência pesada em petróleo do modelo atual de produção e distribuição de alimentos. O aumento no preço do petróleo tem impacto direto no aumento similar do custo dos alimentos básicos. Em 2007 e 2008 o preço do petróleo e o preço dos alimentos atingiram níveis recordes. Entre julho de 2007 e junho de 2008, o petróleo bruto passou de 75 dólares o barril para 140 dólares, enquanto o preço da cesta de alimentos básicos passou de 160 dólares para 225, de acordo com o Índice de Preço dos Alimentos da FAO.

Alimentos e agricultura se tornaram profundamente dependentes do petróleo. Após a Segunda Guerra Mundial e com a Revolução Verde nos anos 60 e 70, e com o suposto aumento na produção, um modelo intensivo e industrial de agricultura foi adotado. No sistema atual, nosso alimento viaja milhares de quilômetros antes de chegar às nossas mesas; a produção requer o uso intensivo de maquinários, pesticidas químicos, herbicidas e fertilizantes. Este modelo não poderia existir sem o petróleo.

O aumento do preço do petróleo e a estratégia dos governos para combater as mudanças climáticas conduziram a um aumento nos investimentos na produção de combustíveis alternativos, agrocombustíveis como o biodiesel e o bioetanol, produzido a partir do açúcar, milho e outros cultivos. Mas esta produção entrou em competição direta com a produção de alimentos para o consumo e agora se tornou outra causa para o aumento dos preços dos alimentos.

O Banco Mundial reconhece que quando o preço do petróleo aumenta acima de 50 dólares o barril, 1% de aumento causa 0.9% de aumento no preço do milho, já que “para cada dólar de aumento no preço do petróleo a rentabilidade do etanol aumenta e conseqüentemente a demanda de milho cresce”.

Desde 2004, dois terços do aumento da produção mundial de milho foram destinados para satisfazer a demanda norte-americana de agrocombustíveis. Em 2010, 35% do milho colhido nos Estados Unidos, que representa 14% da produção mundial, foi usado para produzir etanol. E a tendência é de crescimento.

Mas além das causas como a especulação dos alimentos e o aumento do preço do petróleo, que tem um impacto no crescimento dos investimentos em agrocombustíveis, liderando a competição entre a produção de grãos para o consumo e para transporte, o sistema alimentar e agrícola é profundamente vulnerável e está nas mãos do mercado. A crescente liberalização do setor nas últimas décadas, a privatização dos recursos naturais (água, terra, sementes), a imposição de modelo internacional de mercado servindo aos interesses privados, etc., nos levou à crise atual.

Enquanto a agricultura e o alimento continuarem sendo considerados mercadorias nas mãos de “quem paga mais”, e interesses comerciais prevalecerem sobre as necessidades alimentares e os limites do Planeta, nossa segurança alimentar e o bem estar da Terra estão longe de serem assegurados.

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*Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais (Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales) da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona). Ela é a autora de “Em Pé Contra a Dívida Externa” (En pie contra la deuda externa – El Viejo Topo, 2008) dentre outras publicações, e contribui no Programa CIP Américas.

FONTE: ALIMENTO para PENSAR

Justiça social para regular a saída da crise

José Graziano da Silva*

A crise mundial exige respostas rápidas para recuperar a demanda e linhas  de ação para substituir a desordem financeira por um ciclo de expansão,  regulado pela justiça social

Coordenar a transição de um ciclo de desenvolvimento para outro é uma das equações políticas mais difíceis da vida de uma sociedade. Lançada em janeiro de 2003 com o programa Fome Zero, a política de segurança alimentar do Brasil cumpriu esse papel ao unir sob um amplo guarda-chuva de ações (com ênfase na atenção urgente à fome) a recuperação do poder de compra do salário mínimo e a criação de empregos.

Ampliar o poder aquisitivo das famílias mais pobres, especialmente de seu gasto alimentar mediante a transferência condicionada de renda e, de forma simultânea, promover reformas favoráveis à sua inserção produtiva foi o amálgama geral do programa. Essa combinação contribuiu para desarmar resistências, que não devem ser descuidadas ao se inaugurar um novo ciclo, obteve os resultados rápidos que a emergência social exigia, e alcançou legitimidade política em diferentes camadas da população.

O governo pôde, então, tomar iniciativas de caráter mais estrutural, dando autonomia progressiva às políticas setoriais, como o fomento à agricultura familiar, que fortaleceram as linhas de passagem para uma nova dinâmica de crescimento inclusivo. A coerência desta trajetória é exemplificada em alguns números: entre 2003 e 2010, a desnutrição infantil caiu 61%, o crédito para a agricultura familiar cresceu oito vezes e a renda das famílias do campo aumentou três vezes mais do que a média nacional, enquanto a pobreza rural diminuiu em 15%.

O que faz da experiência brasileira um marco inspirador não é apenas a abrangência e a rapidez dos resultados, mas é, sobretudo, a revelação de interações virtuosas entre o combate à fome e as novas dinâmicas de crescimento. Um exemplo é a demanda cativa anual de R$ 1 bilhão criada para a agricultura familiar pela obrigatoriedade de compra de produtores locais de um terço dos alimentos para a merenda escolar. Políticas como esta podem ser adaptadas à realidade de outros países, reproduzindo seu impulso emancipador nas comunidades locais, com importantes consequências para a segurança alimentar de toda a sociedade.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o governo brasileiro já compartilham com outros países da América Latina e do Caribe a experiência de compra de produtos da pequena agricultura para abastecer a merenda escolar. O Brasil não reinventou a roda na luta contra a fome. Contudo, ampliou sua capacidade de flexibilização ao articular programas de sucesso dentro e fora do país. Bebeu principalmente da fonte do New Deal, que ajudou os Estados Unidos e o mundo a superarem a grande depressão da década de 1930 ao priorizar a recuperação da demanda.

O êxito brasileiro comprova que a ação do Estado continua sendo uma força importante para redefinir a matriz do crescimento na transição de um ciclo econômico para outro. A recriação em 2003 do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) constituiu um fórum de renegociação dessa nova hegemonia democrática. Ao longo do processo foram executadas mudanças estruturais de dimensões históricas.

Esse conjunto de ações devolveu ao mercado interno de massa um papel central que permitiu ao país sustentar seu crescimento, em meio à contração do comércio e do emprego mundial. Hoje podemos dizer aquilo que na década de 1990 era um anátema: a sociedade só controla seu desenvolvimento quando é capaz de regulá-lo com políticas públicas articuladas de forma democrática por um Estado indutor, em parceria com uma sociedade civil organizada e a participação ativa da iniciativa privada.

É isto que o Brasil continua fazendo, como demonstra a IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que acontecerá entre 7 e 10 deste mês, em Salvador, capital do Estado da Bahia, com uma participação prevista de mais de dois mil delegados de todo o país e mais de cem internacionais. Entre eles estão a Frente Parlamentar Contra a Fome para a América Latina e o Caribe, que trabalha a favor de orçamentos indispensáveis para a segurança alimentar.

Incorporar um leque ecumênico de forças à luta contra a fome é o que também faz a FAO com a reforma e ampliação do Comitê de Segurança Alimentar Mundial, congênere global do Consea. Construir segurança alimentar no âmbito mundial pode ajudar a superar uma crise econômica para a qual não existe, precisamente, uma agenda capaz de pôr fim ao círculo vicioso e paralisante de consumidores que não compram, fábricas que não produzem e bancos que não emprestam.

Quase 80% da humanidade vive hoje com menos de US$ 10 por dia e destinam a maior parte dessa renda à alimentação. Cerca de 70% das pessoas do mundo que sofrem desnutrição vivem junto à terra, sem dela poderem extrair produtos e renda suficientes para garantir nem mesmo sua sobrevivência. Para a porção majoritária do planeta, portanto, a manifestação mais palpável da crise é o impacto da turbulência financeira nas flutuações abruptas que ela impõe na produção, na oferta e nos preços dos alimentos.

A crise mundial exige respostas rápidas que propiciem a recuperação da demanda e agendas de consenso que estabeleçam linhas de ação para substituir a desordem financeira por um ciclo de expansão, regulado pela justiça social. A luta contra a fome pode ser um dos pilares dessa travessia.

*Diretor-geral eleito da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), cargo que assumirá em janeiro de 2012.

FONTE: PORTAL VERMELHO 

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