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Diminui consumo de arroz, feijão, frutas e hortaliças e aumenta de sal e açúcar

Paula Laboissière

O país enfrenta, atualmente, uma espécie de transição nutricional, já que hábitos até então comuns como o consumo de arroz e feijão registraram queda, enquanto carnes gordurosas e alimentos embutidos passaram a ser amplamente consumidos. A avaliação é da coordenadora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Déborah Malta.

Em entrevista à Agência  Brasil, ela explicou que o problema de alimentos como salsichas e linguiças é o alto teor de sal, responsável por aumentar o risco de doenças cardiovasculares. A presença de elevados níveis de açúcar na dieta do brasileiro, segundo a coordenadora, também representa uma agravante – sobretudo quando associada a um baixo consumo de frutas e hortaliças.

Os dados fazem parte da pesquisa Vigitel 2010, que mostra que 48,1% da população adulta no país estão acima do peso, enquanto 15% dos brasileiros estão obesos. O estudo indica ainda que apenas 18,2% das pessoas consomem cinco porções de frutas e hortaliças por cinco dias ou mais por semana; 34% consomem alimentos com elevado teor de gordura e 28% consomem refrigerantes cinco ou mais dias por semana.

O consumo diário de sal no Brasil, atualmente, é de 12 gramas – mais de duas vezes maior que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Já o açúcar é consumido de forma considerada exagerada por 61,3% da população.

“Temos, entre os brasileiros, uma piora dos hábitos alimentares”, avaliou Deborah. “Nos últimos anos, a desnutrição, que era um problema, recuou, mas a obesidade e o excesso de peso cresceram – em função de uma alimentação não adequada e não balanceada e também de níveis baixos de atividade física”, concluiu.

De acordo com a coordenadora, a meta do ministério é estabilizar o quadro de excesso de peso e obesidade entre adultos até a próxima década e, ao mesmo tempo, diminuir os índices entre crianças e adolescentes. A pasta firmou, em abril deste ano, um acordo com a indústria alimentícia com foco na redução de sal e de gorduras trans na fabricação de produtos como macarrões instantâneos.

FONTE: Jornal do Brasil

Pesquisa do IBGE contribuirá para combater obesidade

Daniela Amorim, Alexandre Rodrigues e Clarissa Thomé

Rio – Os dados sobre os hábitos alimentares dos brasileiros, divulgados hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), devem ajudar o Ministério da Saúde na formulação de políticas públicas para combater a obesidade e doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e câncer. A Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil mostrou que o brasileiro está ingerindo alimentos de alto índice calórico porém de baixo teor nutritivo, enquanto abusa do sal e do açúcar.

O estudo foi realizado pela primeira vez pelo IBGE, a partir de uma amostra de domicílios da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009). “Na verdade, eles (os resultados) confirmam a necessidade de políticas públicas”, afirmou Patrícia Constante Jaime, coordenadora geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

Ela disse que o ministério está trabalhando na construção de dois planos nacionais: um plano nacional para prevenção e controle da obesidade, em especial nos adolescentes, e outro plano nacional de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis. Ambos estão relacionados ao consumo de alimentos inadequados em uma dieta saudável.

De acordo com a coordenadora do ministério, o plano de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis será anunciado em setembro pela presidente Dilma Rousseff, durante uma conferência na assembleia mundial da Organização das Nações Unidas (ONU). Já o plano contra a obesidade deve ser colocado em consulta pública em setembro e anunciado à sociedade até o fim do ano.

“O plano de obesidade está sendo constituído de forma intersetorial, num diálogo amplo em vários ministérios, que vai desde o Ministério de Desenvolvimento Agrário, de Desenvolvimento Social, Ministério da Saúde, da Educação, dos Esportes, da Cidade e da Pesca”, afirmou Patrícia.

Segundo ela, já existem políticas públicas de educação para o consumo alimentar, no sentido de orientar o consumidor para escolhas mais saudáveis, mas também há políticas para garantir a qualidade do alimento colocado para o cidadão brasileiro. Alguns dos exemplos seriam as negociações para a redução dos níveis de sódio dos alimentos processados, o fomento à agricultura familiar e o aumento da disponibilidade de frutas e hortaliças para compra, aquisição e consumo da população brasileira.

“A primeira mensagem é: consuma mais alimentos básicos, consuma frutas, hortaliças, o arroz com feijão. É um hábito brasileiro, da nossa cultura alimentar, que precisa ser resgatado. É importante diminuir o consumo de refrigerantes e consumir água. Coma com consciência, não coma em excesso”, aconselhou a coordenadora do Ministério da Saúde.

Veja a pesquisa completa.

FONTE: http://bit.ly/p5aNlv

POF 2008-2009: mais de 90% da população comem poucas frutas, legumes e verduras

O consumo alimentar da população brasileira combina a tradicional dieta à base de arroz e feijão com alimentos com poucos nutrientes e muitas calorias. A ingestão diária de frutas, legumes e verduras está abaixo dos níveis recomendados pelo Ministério da Saúde (400g) para mais de 90% da população. Já as bebidas com adição de açúcar (sucos, refrescos e refrigerantes) têm consumo elevado, especialmente entre os adolescentes, que ingerem o dobro da quantidade registrada para adultos e idosos, além de apresentarem alta frequência de consumo de biscoitos, linguiças, salsichas, mortadelas, sanduíches e salgados e um menor ingestão de feijão, saladas e verduras.

A ingestão de alguns componentes de uma dieta saudável, como arroz, feijão, peixe fresco e farinha de mandioca, diminui à medida que aumenta o rendimento familiar per capita. Já o consumo de pizzas, salgados fritos, doces e refrigerantes se eleva. A ingestão de frutas, verduras e laticínios diet/light também aumenta com a renda.

Na área rural, as médias de consumo individual diário foram maiores para arroz, feijão, peixe fresco, batata-doce, farinha de mandioca e manga, entre outros. Já na área urbana, destacaram-se refrigerantes, pães, cervejas, pizzas e biscoitos recheados.

O consumo médio de calorias fora do domicílio correspondeu a aproximadamente 16% da ingestão calórica total e foi maior nas áreas urbanas, na região Sudeste, entre os homens e para indivíduos na faixa de renda familiar per capita mais elevada.

Entre as prevalências de inadequação de consumo (percentuais de pessoas que ingerem determinado nutriente em níveis abaixo das necessidades diárias ou acima do limite recomendado) destacam-se o excesso de gorduras saturadas e açúcar (86% e 61% da população, respectivamente) e escassez de fibras (68% da população).

Essas e outras informações estão disponíveis no estudo “Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil”, realizado em parceria com o Ministério da Saúde, uma publicação da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009. Para a realização do estudo, foram coletadas informações sobre a ingestão individual de alimentos de todos os moradores com 10 anos ou mais de idade, distribuídos em nos 13.569 domicílios selecionados a partir da amostra original da POF-2008-2009, que contou com 55.970 domicílios. Pela primeira vez, foram levantadas informações sobre a ingestão de alimentos fora do domicílio.

Além destes resultados, o IBGE publica ainda outros dois produtos a partir dos dados da POF 2008-2009: a “Tabela de Medidas Referidas para os Alimentos Consumidos no Brasil”, publicação que apresenta as diferentes unidades de medidas relatadas pelos informantes para servir os alimentos que consumiram e suas respectivas quantidades em gramas; e as “Tabelas de Composição Nutricional dos Alimentos Consumidos no Brasil”. Estas tabelas foram amplamente utilizadas para a construção dos resultados apresentados.

Café, feijão, arroz e sucos apresentaram as maiores médias de consumo diário

As maiores médias de consumo diário per capita ficaram com o café (215,1g), feijão (182,9g), arroz (160,3g), sucos (145,0g), refrigerantes (94,7g) e carne bovina (63,2g). Os homens registraram menores consumos per capita do que as mulheres para as verduras, saladas e para grande parte das frutas e doces. O consumo per capita de cerveja e bebidas destiladas dos homens é cerca de cinco vezes maior do que o das mulheres.

Sobre o percentual de consumo fora do domicílio em relação ao consumo total, segundo cada tipo de alimento, destacaram-se: cerveja (63,6%), salgadinhos industrializados (56,5%), salgados fritos e assados (53,2%), bebidas destiladas (44,7%), pizzas (42,6%), sanduíches (41,4%), refrigerantes diet ou light (40,1%), refrigerantes (39,9%), salada de frutas (38,8%) e chocolates (36,6%). O consumo fora do domicilio foi maior para os homens na maioria dos alimentos, exceto pão integral, biscoito doce, produtos diet, chocolates, sorvetes e salgadinhos industrializados.

População rural consome mais grãos, frutas e peixes

Na classificação por situação de domicílio, as médias de consumo diário per capita na área rural foram maiores do que na área urbana para vários alimentos, com destaque para arroz (181,2g contra 156,2g), feijão (208,1g contra 177,9g), peixes frescos (53,5g contra 17,5g) e farinha de mandioca (19,1g contra 4,7g), manga (10,7g contra 3,5g), açaí (6,8g contra 2,2g) e batata-doce (4,3g contra 2,1g).

Já na área urbana destacaram-se: refrigerantes (105g contra 42,7g), pão de sal (56,9 contra 33,4g), cerveja (33,8g contra 17,5g) e sanduíches (13,5g contra 2,2g).

Peixe fresco é destaque na região Norte, preparações a base de milho no Nordeste e chá no Sul

Entre as regiões, o Centro-Oeste registra o maior consumo de arroz (195,4g), carne bovina (88,1g) e leite integral (45,4g). O feijão se destaca nas regiões Centro-Oeste (206,2g) e Sudeste (218,1g) e a batata inglesa no Sudeste (23,2g) e no Sul (18,6g). O consumo de chá é maior na região Sul (147,6g). No Nordeste, destacam-se o milho e respectivas preparações (50,9g) e o feijão verde ou de corda (22,0g), que quase não é citado nas outras regiões. Na região Norte, destacam-se três produtos cujo consumo é muito baixo ou inexistente no restante do país: peixe fresco e respectivas preparações (95,0g), farinha de mandioca (46,2g) e açaí (28,4g).

Em relação ao percentual de consumo fora do domicílio, o consumo de batata frita foi muito maior no Nordeste (72,2%), do que nas demais regiões. O consumo de massas fora do domicílio foi quatro vezes maior na Região Centro-Oeste (27,9%) do que no Norte (7,6%). No Sul, o destaque foi de outros pescados (69,5%), pães, bolos e biscoitos diet/light (48,3%) e linguiça (27,0%). No Norte, 91,5% do consumo de cerveja e 96,2% dos salgadinhos industrializados ocorreram fora do domicilio, da mesma forma que 72,6% do consumo de vinho no Nordeste.

Consumo de queijo e salada crua aumenta com a idade

A frequência de consumo de vários alimentos diminui com a idade: iogurtes, embutidos, sorvetes, refrigerantes, sucos/refrescos/sucos em pó reconstituídos, bebidas lácteas, biscoitos, embutidos, sanduíches, salgados e salgadinhos industrializados. O consumo diário de biscoitos recheados é bem maior entre os adolescentes (12,3g) do que entre adultos (3,2g) e idosos (0,6g). Por outro lado, os adolescentes registraram menor consumo diário per capita de saladas cruas (8,8g) do que os adultos (16,4g) e idosos (15,4g). Para os queijos, a ingestão diária aumentou de 3,8g/dia entre os adolescentes para 9,2g/dia entre os idosos. Já o consumo de cerveja foi de 3,3g/dia (adolescentes) para 41,3g/dia (adultos) e voltou a cair para 19,8g/dia (idosos).

Consumo de verduras, frutas e leite desnatado aumenta com a renda

O consumo diário de vários itens considerados parte de uma dieta saudável e equilibrada diminui à medida que a renda familiar per capita aumenta, como no caso do arroz, cuja ingestão diária chegou a 168,1g nas famílias com renda per capita de até R$296 e caiu para 129,7g nas famílias com renda per capita acima de R$ 1.089. O mesmo ocorre com o feijão, com 195,5g e 127,5g respectivamente.

Por outro lado, o consumo de várias frutas e verduras aumenta com a renda, como por exemplo a banana (15,4g e 24,8g), maçã (5,9g e 18,3g), salada crua (7,9g e 21,8) e tomate (3,7g e 10,0g). O mesmo acontece com o leite desnatado (1,8g e 9,4g).

Alguns tipos de alimentos que indicam uma dieta inadequada também aumentam com a renda, como o consumo de doces à base de leite (4,8g e 7,6g), refrigerantes (54,3g e 135,1g), pizzas (0,7g e 11,0g) e salgados fritos e assados (6,3g e 16,6g).

Adolescentes têm maiores médias diárias de ingestão de açúcar e colesterol

O consumo energético médio da população brasileira variou de 1.490kcal a 2.289kcal. As maiores médias de ingestão de energia foram dos homens na faixa de 14 a 18 anos (2.289kcal/dia). O segundo grupo de maior ingestão energética foi o dos homens de 19 a 59 anos de idade (2.163kcal/dia). Para ambos os sexos, os menores valores de ingestão energética foram na faixa de 60 anos ou mais: 1.490kcal/dia para mulheres e 1.796kcal/dia para homens.

Os lipídios (gorduras) representaram 28% da energia da dieta dos adolescentes e 27% da dos adultos e idosos. O percentual das proteínas variou de 15% a 16% para adolescentes e de 16% a 17% nos adultos e idosos, valores acima da recomendação do Ministério da Saúde (de 10% a 15%). A contribuição dos carboidratos entre os homens variou de 54,8% (dos 19 aos 59 anos) a 57,0% (dos 10 aos 13) e, para as mulheres, de 56,2% a 57,6% (mesmos grupos etários).

As médias diárias de ingestão de colesterol foram menores para as mulheres (de 186,3mg a 237,9mg) do que os homens (de 231,1mg a 282,1mg) em todos os grupos etários. O grupo de 14 a 18 anos teve as maiores médias de consumo de colesterol. A ingestão de fibras foi maior entre os homens (de 20,4g a 23,5g) do que entre as mulheres (de 17,6g a 18,8g).

A ingestão média diária de açúcares totais variou entre as faixas etárias, sendo mais elevada a dos adolescentes, variando de 105,4g a 113,1g nos rapazes e de 106,8g a 110,7g nas moças. O consumo médio diário de açúcar total entre os adolescentes foi cerca de 30% maior do que o dos idosos e entre 15% e 18% maior que dos adultos.

Região Norte tem maior consumo energético, ingestão de colesterol e fibras

A região Norte apresentou as maiores médias de ingestão de energia diária, que variaram de 1660kcal a 2496kcal. As menores médias foram observadas no nordeste, que variaram de 1448 kcal a 2289 kcal.

Com relação à participação das proteínas no total das colorias diárias, destaca-se novamente a região Norte. O limite de 15% do total das calorias diárias provenientes das proteínas é também ultrapassado em todos os grupos de idade na nordeste.

As regiões Sul e Sudeste apresentaram as menores médias diárias de ingestão de colesterol. Por outro lado, a região Norte registrou os valores mais elevados de consumo.

Para os diferentes tipos de gordura (ácidos graxos, saturadas, monoinsaturados e trans) destacaram-se as regiões Sul e Sudeste como aquelas regiões que apresentaram as maiores médias de ingestão.

No que se refere à participação dos açúcares no total das calorias diárias, o limite máximo de 10% é extrapolado em todas as regiões. No caso do Sul e do Sudeste, foram identificadas as maiores participações dos açúcares totais no total das calorias diárias, como destaque para as adolescentes do sexo feminino, em torno de 26% de participação. A menor participação foi identificada na região Norte, para os idosos do sexo masculino, como 13,4%.

O consumo médio diário de fibras apresentou maiores valores nas regiões norte e nordeste, com resultados que variaram de 18,2g a 25,8g, no caso da região norte, e de 17,7g a 24,5g para a região sudeste.

A recomendação da participação dos carboidratos, de 55% a 75% do consumo calórico diário total, foi observada em todas as regiões, como algumas poucas exceções. A menor participação observada, de 52,3%, foi estimada para os homens com 60 anos ou mais de idade na região Centro-Oeste.

Consumo baixo de cálcio e alto de sódio atinge todos os grupos etários

Na análise de inadequação de consumo (o percentual de pessoas que consomem determinada substância fora dos limites recomendados, para cima ou para baixo), chamam atenção algumas informações levantadas sobre crianças e adolescentes.

Na faixa dos 10 aos 13 anos de idade, 96,4% dos adolescentes do sexo masculino e 97,2% do sexo feminino registraram ingestão de cálcio abaixo do valor mínimo diário recomendável (1.100mg); o mesmo ocorreu com a vitamina D (10mcg) para 99,4% dos meninos e 99,0% das meninas; e, com a vitamina E (9mcg), para 99,2% e 99,8%, respectivamente. Já a ingestão de sódio acima do limite diário máximo tolerável desse grupo (2.200mg) foi registrada para 81,5% dos meninos e 77,7% das meninas nesse grupo etário.

Na faixa de 14 a 18 anos, o consumo diário inadequado de cálcio (abaixo de 1.100mg) foi registrado para 95,1% dos adolescentes do sexo masculino e 97,3% do sexo feminino; para a vitamina D (abaixo de 10mcg), para 99,4% e 98,8%; e, para a vitamina E (menos de 12mcg), para 99,9% e 100%, respectivamente. O consumo diário excessivo de sódio para este grupo etário (acima de 2.300mg) foi visto para 88,9% para o sexo masculino e 72,9% para o feminino.

Na faixa etária de 19 a 59 anos, as maiores prevalências de inadequação de consumo diário ficaram com a vitamina D (menos de 10mcg), que atingiu 99,6% dos homens e 99,2% das mulheres; a vitamina E (menos de 12mcg), que chegou a 99% e 100%, respectivamente. Já o consumo diário insuficiente de cálcio (menos de 800mg para homens de todo o grupo e mulheres até 50 anos e de 1.000mg para mulheres de 51 a 59 anos) atingiu 83,8% dos homens, 90,7% das mulheres até 59 anos e 96,7% das mulheres de 51 a 59 anos. O consumo diário em excesso de sódio (acima de 2.300mg) foi registrado para 88,7% dos homens e 69,7% das mulheres.

No grupo etário de 60 anos ou mais, a inadequação da vitamina E (menos de 12mcg/dia) teve prevalência de 100% para ambos os sexos. Já a da vitamina D chegou a 99,6% dos homens e 99,4% das mulheres. No caso do cálcio, os limites mínimos são de 800mg para os homens até 70 anos e de 1.000mg acima dessa idade e, para as mulheres, de 1.000mg para todo o grupo. A prevalência de inadequação no grupo chegou a 85,9% para os homens até 70 anos, a 94,3% dos homens a partir dessa idade e a 95,8% das mulheres. Já a ingestão diária de sódio acima do limite tolerável de 2.300mg chegou a 80,4% dos homens e 62,2% das mulheres.

FONTE: IBGE

Dieta, obesidade, doença crônica e políticas públicas

Ronaldo Silva (Sanitarista)

Aproximadamente 25% dos cânceres podem ser evitados por medidas que incluem mudanças na alimentação, nutrição, composição da gordura corporal e atividade física.

Estas mudanças causam impacto também em diversas doenças crônicas como hipertensão e diabetes. No conjunto, elas são responsáveis por mais de 60% das mortes no mundo e no Brasil.

Ao contrário do panorama encontrado na década de 1950, na qual a maioria da população brasileira era rural, atualmente a maior parte dos brasileiros concentra-se em centros urbanos onde o sedentarismo e a má alimentação são bastante comuns.

Diversas publicações técnicas vêm sendo publicadas nos últimos anos correlacionando alimentação, nutrição, composição de gordura corporal e atividade física a doenças crônicas. Entre elas, o câncer.

Recentemente o Instituto Nacional de Câncer (INCA) publicou os resumos executivos das publicações ³Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer: uma Perspectiva Global² em 2007, e ³Políticas e Ações para Prevenção do Câncer no Brasil: Alimentação, Nutrição e Atividade Física², em 2009.

As duas publicações são fontes relevantes para implantar políticas públicas que modifiquem o cenário de sedentarismo e obesidade no qual vive a nossa população.

Este ano, o periódico da Organização Mundial da Saúde (OMS) ³Bulletin of World Health Organization² publicou um artigo de revisão sistemática sobre política fiscal e seu impacto na dieta, obesidade e doença crônica.

A OMS recomenda a utilização de políticas fiscais (taxação e subsídios) para encorajar uma alimentação e nutrição saudável.

Entretanto, existem poucas evidências científicas de que esta política fiscal tenha algum impacto.

Além disso, não há evidências de que os modelos de taxação utilizados no controle do tabaco possam ser transferidos para a alimentação, uma vez que a alimentação, ao contrário do tabaco, é essencial para manter a vida e envolve mecanismos de escolha mais complexos.

Os autores deste estudo concluem que taxas e subsídios sobre os alimentos podem influenciar o consumo em países de alta renda e que impor taxas substanciais para os alimentos que engordam podem melhorar a composição da gordura corporal e o risco de doenças crônicas.

Estes achados justificam a utilização de taxas e subsídios como estratégia de prevenir a obesidade. Além disso, os pesquisadores recomendam que sejam realizadas pesquisas em países de baixa e média renda e também que se analisem os custos administrativos e de implementação, uma vez que eles representam potenciais barreiras para a  implementação efetiva destas intervenções. 

A população brasileira está aumentando, envelhecendo e se tornando mais sedentária. Os números de casos novos e mortalidade por câncer também estão aumentando. Políticas públicas efetivas, especialmente voltadas para prevenção do câncer podem reduzir o risco do desenvolvimento da doença.

Bibliografia:

1.      Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer. Resumo. Alimentos, nutrição, atividade física e prevenção do câncer: uma perspectiva global. Rio de Janeiro: INCA, 2007.

2.      Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer.
Políticas e ações para prevenção do câncer no Brasil: alimentação, nutrição e atividade física. Rio de Janeiro: INCA, 2009.

3.      Thow AM, Jan S, Leeder S, Swinburn B. The effect of fiscal policy on diet, obesity and chronic disease: a systematic review. Bulletin of The World Health Organization 2010; 88:609-614.

FONTE: http://www.coinet.com.br/pagina/?CodPagina=176

Brasileiro come menos arroz com feijão e mais comida industrializada em casa

 Entre 2002-03 e 2008-09, a aquisição média anual per capita (quanto de um produto a família adquire em um ano, dividido pelo número de pessoas da família) caiu 40,5% para o arroz polido (de 24,5 kg para 14,6 kg), feijão, queda de 26,4% (de 12,4 kg para 9,1 kg) e açúcar refinado, de 48,3% (de 6,1 kg para 3,2 kg). No mesmo período, aumentaram, entre outros, o refrigerante de cola (39,3%, de 9,1 kg para 12,7 kg), a água mineral (27,5%, de 10,9 kg para 13,9 kg) e a cerveja (23,2%, de 4,6 kg para 5,6 kg).

A evolução do consumo de alimentos no domicílio no período também indica a queda na participação relativa de itens tradicionais na composição do total médio diário de calorias adquirido pelo brasileiro, como arroz (de 17,4% para 16,2%), feijão (de 6,6% para 5,4%) e farinha de mandioca (de 4,9% para 3,9%), enquanto cresceu a proporção de comidas industrializadas, como pães (de 5,7% para 6,4%), embutidos (de 1,78% para 2,2%), biscoitos (de 3,1% para 3,4%), refrigerantes (de 1,5% para 1,8%) e refeições prontas (de 3,3% para 4,6%).

Essas e outras informações estão disponíveis nas publicações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009: “Aquisição alimentar domiciliar per capita – Brasil e Grandes Regiões” – que avalia as quantidades de alimentos adquiridas pelas famílias brasileiras para consumo domiciliar, bem como as formas dessa aquisição – e “Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil” – que estuda a qualidade dos alimentos disponíveis para consumo no domicílio.

Esses alimentos constituíam, no período da pesquisa, 68,9% da despesa média mensal familiar com alimentação, contra 75,9% registrados em 2002-03, indicando uma mudança nos gastos com alimentação no domicílio. Entre as médias de aquisição domiciliar per capita anual de alimentos em todo o país em 2008-2009, destacam-se os grandes grupos de bebidas e infusões, (50,7 kg); laticínios (43,7 kg); cereais e leguminosas (39,0 kg); frutas (28,9 kg); hortaliças (27,1 kg) e carnes (25,4 kg). A aquisição na área urbana foi maior do que a média nacional para bebidas e infusões (55,2kg) e bem menor na área rural (28,9 kg). O mesmo ocorreu com as frutas (30,3kg na área urbana, 21,9 kg na rural), mas a situação se inverteu com os grupos de cereais e leguminosas (34,1 kg urbano, 62,5 kg rural) e carnes (24,6 kg urbano, 29,6 kg rural).

Entre as regiões, o Sul se destacou na média de aquisição anual per capita dos grupos de carnes (35,7 kg), laticínios (67,4 kg), bebidas e infusões (64,1 kg), hortaliças (38,6 kg), frutas (36,5 kg) e alimentos preparados e misturas industriais (4,8 kg), todos acima das respectivas médias nacionais e das outras regiões. O Centro-Oeste e o Nordeste tiveram as maiores médias para cereais e leguminosas (50,2 kg e 43,6 kg, respectivamente). Na comparação entre áreas urbanas e rurais, o arroz polido e as carnes bovinas apresentaram médias superiores às médias nacionais na área rural (18,4 kg e 18,1 kg respectivamente), enquanto o leite de vaca pasteurizado teve médias maiores na urbana (29,2 kg).

A avaliação nutricional mostrou que, em 2008-2009, a disponibilidade média per capita de alimentos correspondeu a 1.611 kcal/dia, menos que em 2002-2003 (1.791 kcal). O estudo identificou algumas características negativas dos padrões de consumo alimentar em todo o país e em todas as classes de renda, como o teor excessivo de açúcar (16,36%) e a participação insuficiente de frutas (2,04%) e verduras e legumes (0,80%) na alimentação. Nas regiões economicamente mais desenvolvidas (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) e, de modo geral, no meio urbano e entre famílias com maior renda, havia consumo elevado de gorduras, em especial as saturadas. Também foram observados padrões positivos de consumo, como a adequação sistemática do teor protéico dos alimentos (12,08%) e a elevada participação de proteínas de origem animal (6,69%).

Aquisição de bebidas e frutas é maior na área urbana, a de cereais e carnes, na área rural

Na análise das médias anuais per capita de aquisição domiciliar em todo o país, destacaram-se os grupos de bebidas e infusões, com 50,7 kg; laticínios (que incluiu leites, queijos, iogurte e derivados), com 43,7 kg; cereais e leguminosas (38,9 kg); frutas (28,9 kg); hortaliças (27,1 kg); e as carnes (25,4 kg).

Os resultados desses grupos variaram bastante na comparação entre as áreas urbana e rural. No grupo de bebidas e infusões, a área urbana apresentou média de aquisição domiciliar per capita anual 9% maior do que a média nacional (55,2 kg), a área rural teve média 43% menor (28,9 kg). Também no grupo das frutas, a média urbana foi de 30,3 kg, 5% maior do que o índice nacional, enquanto a média rural foi de 21,9 kg, 24% menor. Já tanto o grupo de cereais e leguminosas (34,1 kg urbano, 62,5 kg rural) quanto o de carnes (24,5 kg urbano, 29,6 kg rural) tiveram comportamento inverso.

A forma de aquisição de alimentos mais usada em todo o país foi a monetária, mesmo na área rural. Na situação rural, a aquisição não monetária só ultrapassou a monetária nos grupos Laticínios (26,1 kg contra 17,3 kg, uma diferença de 51%) e Pescados (3,9 kg contra 3,7 kg, diferença de 5,4%). Outros grupos alimentares tiveram participações significativas da aquisição não monetária, mesmo sendo inferior à monetária, com destaque para Hortaliças (38%), Frutas (43%) e Carnes (21%).

Famílias da Região Sul adquirem mais laticínios, carnes, bebidas, hortaliças e frutas

A aquisição das carnes teve destaque no Sul (35,7 kg) e no Norte (31,4 kg), acima da média nacional de 25,4 kg. O Norte manteve a liderança na aquisição do Pescado (17,5 kg), muito acima da média Brasil (4,0 kg).

Além das Carnes, o Sul também teve médias acima da nacional e das outras regiões para os grupos Laticínios (67,4 kg), Bebidas e Infusões (64,1 kg), Hortaliças (38,6 kg), Frutas (36,5 kg), Alimentos Preparados e Misturas Industriais (4,8 kg). No Sudeste, destacam-se Laticínios (50,5 kg), Bebidas e infusões (55,8 kg) e Alimentos Preparados e Misturas Industriais (4,3 kg), todos acima das médias nacionais.

Os hábitos de consumo alimentar das famílias do Centro-Oeste e Nordeste refletiram as grandes quantidades per capita anuais adquiridas de cereais e leguminosas (50,2 kg e 43,6 kg, respectivamente), mais altas que a média nacional de 39,0 kg. Por exemplo, no Centro-Oeste, o arroz teve média per capita de 36,3 kg enquanto a média nacional era de 26,5 kg e, no Nordeste, a média do feijão foi de 12,3 kg (a nacional foi de 9,1 kg).

Arroz e feijão são mais adquiridos na área rural e pela população de menor rendimento

Entre os alimentos tradicionalmente presentes no cardápio das famílias brasileiras, as maiores aquisições per capita anuais em 2008-2009 foram o leite de vaca pasteurizado (25,6 kg), carnes bovinas (17,0 kg) e o arroz polido (14,6 kg). Na área rural, o arroz polido e as carnes bovinas tiveram médias superiores às nacionais (18,4 kg e 18,1 kg respectivamente); já o leite de vaca pasteurizado teve médias maiores na urbana (29,2 kg). Destaca-se o leite de vaca fresco, cuja média na área rural foi de 30,4 kg, 211% sobre a média nacional de 9,8 kg, e que contribuiu para a grande aquisição não monetária dos Laticínios na área rural.

A análise dos produtos selecionados, do ponto de vista das classes de rendimento médio mensal familiar, mostrou que apenas o arroz (27,6 kg) e o feijão (10,3 kg) tiveram médias de aquisição per capita anuais acima do total Brasil (26,5 kg e 9,1 kg respectivamente) na faixa mais baixa de rendimentos totais (até R$ 830,00) e abaixo dessa mesma média (18,6 kg e 7,3 kg, respectivamente) na classe de rendimentos mais alta (acima de R$ 6.225,00).

Em relação às quantidades adquiridas dos demais produtos e grupos selecionados, observam-se significativas diferenças entre as classes de menor e maior rendimento, com essa última apresentando proporcionalmente médias bem maiores: bebidas alcoólicas (19,2 kg contra 2,1 kg, 799% superior), os alimentos preparados e misturas industriais (8,4 kg contra 1,4 kg, 514% maior), bebidas não-alcoólicas (84,8 kg contra 16,9 kg, 401% maior), iogurte (4,3 kg contra 0,9 kg, 379%), frutas (59,3 kg contra 14,3 kg, 316%), leite de vaca pasteurizado (40,2 kg contra 11,6 kg, 246%) e hortaliças (44,3 kg contra 15,5 kg, 187%).

Entre 2003 e 2009, brasileiro compra menos açúcar, arroz e feijão e mais refrigerante e cerveja

Na comparação com a pesquisa de 2002-2003, houve redução das quantidades médias adquiridas na maioria dos grupos definidos pela POF, com maiores quedas nos grupos de cocos, castanhas e nozes (redução de 77,8%), farinhas, féculas e massas (diminuindo 20,5%) e cereais e leguminosas (menor em 19,4%).

O grupo das frutas teve aumento de 17,9% na aquisição domiciliar per capita média anual de 2002-2003 (24,5 kg) para 2008-2009 (28,9 kg). Para o grupo das bebidas e infusões o aumento foi de 12% (45,3 kg em 2002-2003, 50,7 kg em 2008-2009).

Entre os produtos individuais, destaca-se a considerável redução nas quantidades adquiridas de arroz e feijão, composição tradicional da mesa do brasileiro. A média per capita de arroz polido foi de 24,6 kg 2002-2003 para 14,6 kg em 2008-2009 (queda de 40,5%). A média de feijão passou de 12,4 kg para 9,1 kg (redução de 26,4%).

O açúcar refinado caiu de 6,1 kg em 2002-2003 para 3,2 kg em 2008-2009, proporcionalmente a maior queda dentre os produtos selecionados (48,3%). O açúcar cristal teve redução de 33,9%, de 12,2 kg para 8,0 kg. A farinha de trigo e a farinha de mandioca tiveram reduções de 33,2% (de 5,1 kg para 3,4 kg) e 31,4% (de 7,8 kg para 5,3 kg) respectivamente.

Entre os produtos que apresentaram aumento de suas quantidades per capita médias entre 2002-2003 e 2008-2009, destacam-se o refrigerante de cola, que aumentou em 39,3% (de 9,1 kg para 12,7 kg), a água mineral, em 27,5% (de 11,0 kg para 14,0 kg) e a cerveja, em 23,2% (de 4,6 kg para 5,6 kg). Na área rural, esses três produtos tiveram aumentos ainda mais expressivos: as quantidades médias adquiridas do refrigerante de cola foram de 3,2 kg para 6,1 kg (aumento de 92%), da água mineral de 1,6 kg para 6,1 kg (aumento de 291%) e da cerveja de 1,7 kg para 3,2 kg (aumento de 88%). O pão francês, que teve pequena variação positiva (1,6%) no total Brasil (de 12,3 kg para 12,5 kg), registrou aumento significativo na área rural, de 4,8 kg para 6,0 kg (aumento de 26%).

Dividindo-se a população em quintos de rendimento médio mensal familiar, observou-se queda entre as duas pesquisas, em todos os quintos, nos grupos de cereais e leguminosas; hortaliças; farinhas, féculas e massas; e laticínios. O grupo dos pescados apresentou aumento em torno de 13% no último quinto e quedas em todos os demais. Já o grupo de bebidas e infusões teve alta em todos os quintos, sendo as maiores nos dois primeiros (22% e 24%). No grupo de alimentos preparados e misturas industriais, o maior aumento ocorreu no primeiro quinto (67%) e o menor no último (21%). O grupo dos panificados teve quantidades similares registradas no mais alto quinto de rendimento e aumento nos outros quintos, notadamente nos dois primeiros (18% e 15% respectivamente).

Consumo de arroz, feijão e açúcar caiu nas regiões metropolitanas desde 1974

Para comparar os resultados da pesquisa com os dados do Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF 1974-75) e os das POFs anteriores, só foram consideradas as quantidades adquiridas de produtos alimentares por despesas monetárias e apenas as informações das regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de Brasília/DF.

Sob essa perspectiva, alguns componentes tradicionais do cardápio das famílias tiveram queda expressiva. O arroz polido teve redução de 60% na quantidade anual per capita adquirida de 1975 (31,6 kg) a 2009 (12,6 kg). A redução foi mais intensa entre as POFs 1995-1996 e 2008-2009 (53%). O feijão também teve sua aquisição para consumo no domicílio reduzida em 49%, sendo que, de 1996 a 2003, o ritmo da queda foi mais suave (10%). Já o açúcar refinado (15,8 kg em 1974-75) teve acentuada queda, chegando a 3,3 kg em 2008-2009 (redução de 79%).

Famílias consomem mais açúcar e menos frutas e hortaliças do que o recomendado

A POF 2008-2009 estimou que a disponibilidade domiciliar média diária de alimentos corresponde a 1.611 kcal por pessoa, sendo 1.536 kcal no meio urbano e 1.973 kcal no rural. A disponibilidade de carboidratos representava 59% das calorias, 12% eram proteínas e 29%, lipídios. Isso evidencia adequação da dieta às recomendações nutricionais (entre 55% e 75% para carboidratos, de 10% a 15% para as proteinas e entre 15% e 30% para calorias lipídicas, oriundas de gorduras). A única evidência de desequilíbrio vem do excesso de açúcares: 16,4% das calorias totais contra um máximo de 10% fixado pelas recomendações nutricionais.

O teor proteico estimado foi considereado adequado nas cinco grandes regiões do país (entre 11% e 13% das calorias totais); já a participação das gorduras no Sul e Sudeste (31% a 32% das calorias totais) é excessiva, sendo que o teor de gorduras saturadas (originárias principalmente de produtos animais e ligadas a doenças do coração e diabetes) está muito próximo do limite (8,9% e 9,4% das calorias totais, respectivamente). O consumo de açúcar também é alto em todas as regiões, variando de 13,9% no Norte a 17,4% no Sudeste.

A proporção de calorias lipídicas no meio urbano se aproxima do limite máximo de 30% fixado pelas recomendações nutricionais, havendo excesso de gorduras saturadas (8,7%), devido à participação dos óleos e gorduras vegetais e ainda a contribuição de produtos de origem animal (carne bovina, frango, embutidos e leite e derivados).

Alimentos de origem vegetal, como cereais, leguminosas, raízes e tubérculos, correspondiam em 2008-2009 a 45% das calorias. A participação de cereais e derivados era de aproximadamente 35%, tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais, mas pães, biscoitos e macarrão foram mais consumidos no meio urbano, ao passo que arroz, farinha de trigo e outros cereais e derivados se destacaram nas zonas rurais.

Óleos, gorduras, açúcar de mesa, refrigerantes e bebidas alcoólicas contabilizavam 28% das calorias em 2008-2009, ao passo que 19% eram de carnes, leite e derivados e ovos. A carne bovina teve participação de 4,6% nas cidades e de 3,8% no campo. Já o frango representou 4,2% no meio urbano contra 3,5% nas áreas rurais.

Alimentos essencialmente calóricos participaram com aproximadamente 28% do total de calorias, mas a contribuição individual de açúcar de mesa foi maior no meio rural que no urbano (14,1% contra 10,5%) enquanto a de refrigerantes foi maior no urbano (2,0%) do que no rural (0,8%).

Frutas, verduras e legumes correspondiam a 2,8% das calorias naquele ano, um quarto das recomendações de pelo menos 400 gramas diários ou de 9% a 12% das calorias de uma dieta de 2.000 kcal. A participação desses alimentos foi maior no meio urbano (3,2%) que no rural (1,8%).

A participação do arroz (23,3%) na disponibilidade alimentar da região Centro-Oeste é de uma e meia a duas vezes maior que nas demais regiões do país. Já a participação da farinha de trigo (6,6%) na região Sul excede de quatro a seis vezes a observada nas demais regiões. Por outro lado, uma disponibilidade aquém da média nacional ocorre nas regiões Norte e Nordeste com relação a leite e derivados (3,7% e 4,6%, respectivamente) e a verduras e legumes (0,5% e 0,7%).

Famílias de maior rendimento consomem mais gordura e menos carboidratos

Quanto maior o rendimento das famílias, maior o consumo de gorduras e menor o de carboidratos. A contribuição mínima de 55% de carboidratos para as calorias totais não se cumpre para a classe de renda mensal superior a 15 salários mínimos, com o agravante de que cerca de 30% dos carboidratos da dieta nesta classe de renda (16,5% em 54,6%) correspondem a açúcares livres (açúcar de mesa, rapadura, mel e açúcares adicionados a alimentos processados).

No caso das gorduras, o limite máximo de 30% das calorias totais é ultrapassado a partir da classe de renda mensal de mais de seis salários mínimos. Gorduras saturadas tendem a aumentar com a renda, sendo que o limite para este nutriente (10% das calorias totais) é alcançado na classe de renda mensal entre dez a 15 salários mínimos (9,5%) e ultrapassado na classe de mais de 15 salários mínimos (10,6% das calorias totais).

O limite máximo de 10% de calorias oriundas de açúcares é ultrapassado em todas as classes de rendimentos. Embora o teor de proteínas na dieta tenda a aumentar com os rendimentos, a proporção de calorias proteicas foi adequada em todas as classes de renda. A fração de proteínas de origem animal também tende a aumentar com a renda, mas dentro de um espectro de valores relativamente altos e adequados, sendo de 50% na classe de menor renda e 60% na classe de maior renda.

A POF 2008-2009 mostra que leite e derivados, frutas, verduras e legumes, gordura animal, bebidas alcoólicas e refeições prontas são mais consumidos pelas classes com maior rendimento. Com tendência inversa, estão feijões e outras leguminosas, cereais e derivados (devido ao declínio da participação do arroz com a renda) e raízes e tubérculos (devido ao declínio da participação da farinha de mandioca com a renda). Observou-se redução com a renda para açúcar de mesa e aumento para refrigerantes, além de aumento com a renda para carne bovina e embutidos e redução ou estabilidade para os outros tipos de carne.

Disponibilidade alimentar diária cai de 1.791 kcal para 1.611 kcal em seis anos

A disponibilidade diária per capita média de alimentos para consumo no domicílio foi reduzida de 1.791 kcal em 2002-2003 para 1.611 kcal em 2008-2009, refletindo o aumento relativo do consumo alimentar fora do domicílio. Os gastos com alimentação fora do domicílio, que correspondiam a 24,1% do total de gastos com alimentação em 2002-2003, se elevaram para 31,1% em 2008-2009.

Alimentos que tiveram aumento de mais de 5% na participação no total de calorias incluem pão francês (13%), biscoitos (10%), queijos (16%), outros laticínios (39%), carne bovina (15%) e embutidos (25%), frutas e sucos de fruta (25%), refrigerantes (16%), bebidas alcoólicas (28%) e refeições prontas e misturas industrializadas (40%). Os que registraram redução de mais de 5% na participação no total de calorias incluem arroz (queda de 6%), feijões (diminuição de 18%), farinha de trigo (de 25%) e de mandioca (de 19%), leite (caiu 10%) e açúcar (menor em 8%).

Consumo de carboidratos cai e o de gorduras aumenta

A evolução da composição nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos evidencia diminuição do teor em carboidratos compensada pelo aumento do teor em gorduras e em proteínas. A fração dos carboidratos que mais se reduz é a que exclui os açúcares livres. A fração de proteínas que aumenta é a de origem animal.

A maioria dos alimentos com participação crescente no total das calorias mostrou aumentos relativamente maiores nos estratos de renda inferiores levando a uma diminuição da distância entre famílias de maior e de menor renda. Isso ocorreu com pão francês, queijos, embutidos, frutas e sucos de fruta, refrigerantes, bebidas alcoólicas e refeições prontas e misturas industrializadas. No primeiro quinto de rendimento, houve um aumento da participação percentual de pão francês no total de calorias diárias disponíveis, ao passo que no último quinto de renda esta participação caiu. Ainda sobre as famílias do primeiro quinto de renda familiar, observa-se uma elevação de 1,1% para 2,1%, ou seja, praticamente 100% de aumento, na participação relativa das misturas industrializadas, enquanto que para as famílias com maiores rendimentos (último quinto de rendimento familiar) este aumento ficou em 25%.

FONTE: Comunicação Social do IBGE http://bit.ly/hASAei

Cai qualidade da refeição feita em casa, afirma IBGE

 O brasileiro está comendo mal em casa. As frutas e verduras, que deveriam corresponder a uma proporção entre 9% e 12% das calorias diárias ingeridas, representam 2,8%. Já os alimentos essencialmente calóricos (óleos e gorduras vegetais, gordura animal, açúcar de mesa e refrigerantes), atingem 28% das calorias consumidas.

Entre os 20% mais ricos, o consumo desses alimentos ultrapassa a proporção recomendada por nutricionistas, que é de 30%, e alcança 31,8%. Os dados fazem parte do levantamento Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil, feito por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009.

Para chegar a essas informações, os pesquisadores avaliaram apenas os alimentos disponíveis nas residências. E ressalvam que comparando-se com a POF anterior, de 2002-2003, a despesa com alimentação fora de casa saltou de 24,1% para 31,1% – crescimento de sete pontos porcentuais. Entre uma pesquisa e outra, a disponibilidade média per capita de alimentos passou de 1.791 calorias diárias para 1.611 calorias diárias, mas a diferença pode ser atribuída à troca de alimentos consumidos fora do domicílio.

Segundo o trabalho, o brasileiro diminuiu drasticamente a compra de itens básicos, como arroz, feijão e açúcar, em sua alimentação. De 1975 para 2009, o arroz polido teve redução de 60% na quantidade anual per capita adquirida – de 31,6 quilos para 12,6 quilos, quando se analisa as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.

A aquisição do feijão para consumo em casa caiu de 14,7 quilos anuais para 7,4 quilos (redução de 49%). Já o açúcar caiu de 15 8 quilos para 3,3 quilos (menos 79%). O refrigerante de guaraná subiu de 1,3 quilos anuais para 6 quilos. Essa comparação histórica é possível porque são levados em consideração dados do Estudo Nacional de Despesa Familiar (1974-1975). Comparações com pesquisas mais recentes mostram que essa queda se acentuou mais recentemente. De 2002-2003 para 2008-2009, a aquisição anual de arroz polido caiu 40,5%, a de feijão, 26,4% e a aquisição do açúcar refinado, 48,3%.

Comida artificial

Nesse mesmo período, subiu o consumo de alimentos preparados e misturas industriais (o que não era computado no Estudo Nacional dos anos 70). Hoje a média nacional está em 3,5 quilos anuais, alcançando 8,3 quilos entre os 20% mais ricos. Entre os 20% mais pobres, o consumo desse tipo de alimento corresponde a 2,1% das calorias consumidas diariamente. Já entre os 20% mais ricos, as refeições prontas correspondem a 8,3% das calorias ingeridas. O brasileiro também aumentou a compra de refrigerante fabricado à base de cola (39,3%), água mineral (27,5%) e cerveja (23,2%).

No carrinho do supermercado, bebidas e infusões são os itens mais adquiridos – a média domiciliar per capita é de 50,7 quilos seguido por laticínios (43,7 quilos). Só então entram os cereais e leguminosas (39 quilos), frutas (28,9 quilos), hortaliças (27,1 quilos) e carnes (25,4 quilos). A média da aquisição na área urbana é maior do que na rural para bebidas e infusões (55,2 quilos ante 28,9 quilos) e frutas (30,3 quilos ante 21,9 quilos). Mas a situação se inverte no grupo de cereais e leguminosas (62,5 quilos na região rural ante 34,1 quilos na região urbana), e carnes (29,6 quilos ante 24,6 quilos).

A forma de aquisição é predominantemente monetária. Mas na região rural a forma não monetária (doação, produção própria, pesca) é maior na aquisição de laticínios e pescados. Leite e derivados, frutas, verduras e legumes, gordura animal, bebidas alcoólicas e refeições prontas são mais consumidos pelas classes com maior rendimento. A diferença pode chegar a 799% no caso de bebidas alcoólicas (19,2 quilos contra 2,1 quilos).

O consumo de alimentos preparados é 514% maior entre os 20% mais ricos em comparação com os 20% mais pobres (8,4 quilos contra 1 4 quilo). O mesmo ocorre com bebidas não alcoólicas (401%), iogurtes (379%), frutas (316%), leite de vaca pasteurizado (246%). Apenas arroz e feijão foram mais adquiridos por aqueles com menor renda. Quem ganhava até R$ 830, adquiriu 27,6 quilos de arroz e 10,3 quilos de feijão. Os que têm renda acima de R$ 6.225 compraram 18,6 quilos e 7,3 quilos respectivamente.

O estudo do IBGE também constatou que a Região Sul do País tem a despensa mais farta. A aquisição anual per capita de carnes (35 7 quilos), laticínios (67,4 quilos), bebidas e infusões (64,1 quilos), hortaliças (38,6 quilos), frutas (36,5 quilos) e alimentos preparados e misturas industriais (4,8 quilos) está acima das respectivas médias nacionais e de outras regiões. Para os pesquisadores, esta diferença pode ser explicada pelo hábito cultural, com aquisições mais frequentes e localização do domicílio próxima da área de trabalho – as pessoas vão em casa para almoçar.

FONTE: EXAME.com http://bit.ly/gRavxz

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