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A amamentação previne a obesidade

Atualmente, e principalmente devido aos estudos sobre as origens desenvolvimentistas da saúde e da doença, existem sugestões de que a nutrição em períodos vulneráveis possa alterar a estrutura da cromatina e a expressão gênica, assim como, potencialmente, influenciar a saúde do indivíduo a longo prazo. O rápido ganho de peso no início da infância está associado com a suscetibilidade à obesidade na vida adulta. Estudos sugerem que esse ganho de peso rápido está associado ao consumo de fórmulas infantis e que a ingestão de fórmulas infantis antes dos quatro meses de idade está positivamente relacionada com obesidade na infância.

O aleitamento materno representa uma das experiências nutricionais mais precoces do recém-nascido, dando continuidade à nutrição iniciada na vida intrauterina. A composição do leite materno, em termos de nutrientes, difere qualitativa e quantitativamente das fórmulas infantis, principalmente em relação ao seu conteúdo de calorias, proteínas, vitaminas e minerais.

A composição nutricional das fórmulas infantis tem evoluído consideravelmente nos últimos anos, com a inclusão de nutrientes importantes para o desenvolvimento pós-natal, como taurina e DHA (ácido docosahexaenoico). Mesmo assim, não possuem os compostos bioativos do leite materno, entre eles hormônios e fatores de crescimento que vão atuar sobre o crescimento, a diferenciação e a maturação funcional de órgãos específicos (como o intestino), afetando vários aspectos do desenvolvimento.

A composição única do leite materno está, portanto, implicada no processo de programação metabólica, alterando, por exemplo, o número e/ou tamanho dos adipócitos ou induzindo o fenômeno de diferenciação metabólica. A complexidade da rede neuroendócrina que regula o balanço energético, com seus múltiplos integrantes e o grande número de fatores bioativos presentes no leite humano, sugere uma infinidade de potenciais mecanismos de atuação do leite materno nesse processo.

Dra. Andréia Naves, nutricionista e educadora Física. diplomada pelo The Institute for Functional Medicine (USA) em 2007. Editora Científica da Revista Brasileira de Nutrição Funcional. Docente e Diretora da VP Consultoria Nutricional / Divisão Ensino e Pesquisa. Autora do Livros “Nutrição Clínica Funcional dos Princípios à Prática Clínica” e “Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. Colaboradora do livro “Suplementação Funcional Magistral: dos Nutrientes aos Compostos Bioativos”. Vice-presidente do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional (CBNF). Membro do The Institute for Functional Medicine – USA.

FONTE: http://bit.ly/mWgNL0

Controle de peso é tema de debate da indústria alimentícia

Em pesquisa que abrangeu todo o país, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), detectou, em relação às análises anteriores, um grande aumento no número de pessoas com sobrepeso e obesidade.

De acordo com o Instituto, 30% das crianças entre 5 e 9 anos sofrem com o problema. Já entre os adolescentes de 10 a 19 anos, a estatística cai para 20%. Mulheres adultas, registram um índice de 48%, enquanto os homens com idade superior a 20 anos, 50,1%. Esses dados alertam sobre o agravamento do problema em pessoas de todas as idades, tornando-se cada vez mais importante o cuidado com a alimentação.

Estar acima do peso é muito mais do que uma questão de estética. A obesidade é uma doença que implica em problemas emocionais, como a depressão, e físicos, como diabetes, apnéia, câncer, hepatite, osteoporose e doenças cardiovasculares e cardíacas.

Pensando nessa nova realidade brasileira, as principais tendências em ingredientes naturais, orgânicos e funcionais serão debatidas na segunda edição do Programa de Conferências Hi South America 2011, que acontecerá durante os dias 9 e 10 de agosto, no Novotel Center Norte, em São Paulo.

A HiSA, como também é conhecida, dedicou parte de sua conferência às palestras que tratam sobre a questão do sobrepeso. O evento apresentará todas as novidades em cuidados para o combate a obesidade, seja na prevenção, ou até mesmo no contorno do problema. Um dos destaques será a palestra da multi-nacional Danisco, através do Sr. Peter Wisler, diretor de desenvolvimento de novos negócios da empresa, com o tema “Fitoesteróis sustentáveis derivados do pinho e seus benefícios para a saúde cardiovascular”.

Os fitoesteróis, quando consumidos regularmente, são capazes de reduzir os níveis de colesterol no sangue, sem efeitos colaterais, diminuindo o LDL da circulação sanguínea, problema muito comum em pessoas com excesso de peso.

Ainda falando sobre como evitar ou minimizar os malefícios da obesidade no corpo humano, a DMS Nutricional apresentará a palestra “Um novo ingrediente funcional e natural do tomate para seu coração”, abordando os benefícios da fruta para o corpo humano.

Na mesma linha, a Basf, da Alemanha, representada por seu gerente técnico Juergen Gierke, traz o tema “Uma forma saudável para seu coração”, que aborda a forma ideal de manter o coração saudável através da ingestão dos alimentos corretos.

O excesso de consumo de açúcar, que tanto preocupa cientistas e médicos em todo o mundo, é outro tema de grande apelo popular a ser abordado no evento, durante a palestra “Redução de Açúcar: Desafios para a indústria, benefícios para o consumidor”, ministrada por Tiago Pusas, diretor de vendas e inovação da Mastersense.

Outra atração é a conferência “Nutrindo a Beleza de dentro para fora”, que aborda a eficácia e a importância dos nutracêuticos, e contará com a presença da Dra. Deshaine Rai, renomada cientista americana. Diferente da ação de um simples creme ou loção que tem ação cutânea, os nutracêuticos são ingeridos. Eles são compostos nutrientes que podem ser alimento, como a soja, por exemplo,

Uma dieta bem balanceada é o primeiro passo para pele e cabelo bonitos e, principalmente, para garantir o bom funcionamento do organismo e evitar a aparição de diversas doenças.

FONTE: Jornal do Brasil

Da fome à obesidade

O Brasil começa a viver o drama de países ricos. Com maior consumo de alimentos industrializados ricos em sódio, açúcares e gorduras, mais da metade da população apresenta sobrepeso ou é obesa. As classes C e D são as maiores vítimas.

Por Adriana Delorenzo

Uma epidemia surge no Brasil e o Sistema Único de Saúde não está preparado para atender todas as suas vítimas. O sobrepeso e a obesidade, somados, já atingem cerca de 60% da população adulta brasileira. Levantamento do Ministério da Saúde mostra que 48,1% dos adultos estão acima do peso e 15% são obesos. Os dados são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2010, para a qual foram entrevistadas 54.339 pessoas em todas as capitais do país. Desde 2006, quando a Vigitel começou a ser realizada anualmente, os números vêm crescendo. Há cinco anos, 42,7% da população estava com excesso de peso e 11,4%, com obesidade. Em 1975, apenas 2,8% dos homens e 7,8% das mulheres eram obesos, segundo o Estudo Nacional de Despesa Familiar (Endef) realizado naquele ano.

Enquanto parte do Brasil ainda tem fome, outra reproduz hábitos alimentares não saudáveis, provocando uma epidemia comum em países ricos. O Brasil ocupa a 19ª posição no ranking mundial entre os homens, e está em 15º quando se trata de mulheres, segundo pesquisa da revista médica americana The Lancet. Nos EUA, país líder mundial no ranking de obesidade, 25% da população é obesa. “Infelizmente conseguimos copiar o que eles têm de pior: o padrão alimentar”, diz a conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e professora da Universidade de Brasília (UnB), Elisabetta Recine.

Mas tanto no caso do excesso, como da escassez, quem tem menos renda é o mais afetado. Se o Brasil já apresenta esse grande contingente de pessoas acima do peso, o índice é maior entre as classes C e D. “Quando consideramos a faixa de renda e de escolaridade, temos mais obesos entre os mais pobres e menos escolarizados”, afirmou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista concedida a blogueiros progressistas, em 21 de maio. Uma série de fatores faz com que as pessoas cujo gasto com alimentação até pouco tempo pesava no orçamento hoje estejam no grupo de risco de desenvolverem as chamadas doenças crônicas não transmissíveis, tais como hipertensão, diabetes e cardiovasculares.

O aumento do consumo de alimentos industrializados ricos em sódio, açúcares e gorduras é apontado como o principal elemento causador dessa situação. Além disso, o sedentarismo é cada vez maior entre a população, principalmente de baixa renda. “A pesquisa Vigitel mostrou que 30% das pessoas com mais de 12 anos de escolaridade fazem atividade física em seu tempo de lazer. Com menos de oito anos de escolaridade, só 14% praticam alguma atividade”, diz Padilha. “Isso porque às vezes a pessoa não vive num lugar seguro para fazer atividade física e não tem dinheiro para pagar academia.”

Por outro lado, para atender a chamada “nova classe média”, que em 2014 deve ser 57% da população entre 18 e 69 anos, com acesso a alimentos industrializados, o Sistema Único de Saúde (SUS) terá que se reorganizar. “Mas não é só o sistema de saúde, a sociedade também tem que se organizar, tem que ter ação da escola relacionada a isso, é preciso associar esporte com ação de lazer”, alertou o ministro da Saúde. Segundo Padilha, o Ministério convocou toda a indústria de alimentos para assinar um acordo para que a concentração de sódio seja reduzida. “O acordo visa à redução imediata em média de 15%, chegando até 30% naqueles produtos com maior concentração de sódio. No segundo semestre, será cobrada a redução de gorduras, ou seja, tem que ter o compromisso da indústria com isso”, diz ele.

Para Elisabetta, é importante que a indústria altere a composição dos alimentos para toda a população, não apenas para nichos de mercado. Hoje as classes A e B, que dispõem de mais recursos e acesso à informação compram alimentos diet, light, ricos em fibras, sem gorduras trans, orgânicos etc. Segundo ela, com o aumento de renda, as classes C e D estão consumindo alimentos supercalóricos, com baixa qualidade nutricional. “Temos que pensar alternativas de deixar os alimentos saudáveis mais acessíveis”, diz. “Essa é uma vantagem do alimento industrializado, ele é relativamente muito barato, sacia com muito pouco recurso.”

A indústria já tem estratégias de marketing para atingir esse novo mercado consumidor. A Nestlé, por exemplo, tem um programa de revenda porta a porta. Ele é destinado a mulheres que passam com um carrinho vendendo para comunidade kits com produtos da empresa. Elas ganham até um salário mínimo e meio.

Além do ato individual

“Os fatores ligados ao acesso à propaganda e a informações, além da necessidade de alimentação rápida, são determinantes no estado que estamos: um quadro de obesidade crescente e preocupante”, afirma a presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, Rosane Nascimento. Para ela, os acordos com a indústria são muito tímidos: “Falta muito para a indústria ser entendida como uma real parceira. Ainda predomina a questão econômica acima de todos os outros interesses, não há uma preocupação com a saúde pública. A indústria vende alimentos da mesma forma que vende um sapato, ou qualquer coisa. Sem medir as consequências do que o alimento pode causar à população consumidora”.

Grandes cadeias de fast food, segundo Rosane, passaram a incluir em seus cardápios opções de salada e outros alimentos mais saudáveis, dando a impressão de que a responsabilidade é só do consumidor. “O indivíduo tem um papel, mas o ambiente tem que colaborar, precisa haver um ambiente saudável”, explica Elisabetta. Para ela, quando uma pessoa vai ao supermercado e escolhe algum produto alimentício não se trata de um ato tão individual assim, já que o as pessoas são sensíveis diante da pressão da publicidade. “Como a culpa pode ser individual se o indivíduo é bombardeado por propaganda?”, questiona.

Tanto o Consea quanto a CFN, e diversas outras entidades da sociedade civil, defendem a regulação da publicidade de alimentos, especialmente para o público infantil. Seria uma forma de intervir na construção de um ambiente mais saudável para que o indivíduo decida o que deve comer. “As classes C e D se viram diante de uma nova realidade e não foram preparadas para fazer boas escolhas. Precisamos de medidas regulatórias e o governo não pode se omitir”, afirma Rosane, que sugere ainda campanhas educativas.

“A obesidade é causada por uma questão multifatorial. É uma questão dos hábitos, de sedentarismo, genética, mas também do impacto da publicidade de alimentos”, avalia Isabela Henriques, coordenadora do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. Segundo ela, é preciso intervir nessas três frentes. “O aumento da obesidade está numa curva ascendente; se nada for feito, a tendência é aumentar.”

Mas, como mostrou a experiência da Resolução 24/10, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a regulamentação enfrenta pressões contrárias. “É um cabo de força complicado, não só no Brasil, mas globalmente”, avalia Elisabetta. A Resolução 24 previa que a indústria teria que colocar alertas nas embalagens com informações sobre os eventuais riscos que o consumo em excesso dos alimentos poderia causar. Mas a indústria alimentícia se juntou e conseguiu, através de liminar, anular a resolução, cujo conteúdo ainda é bem mais tímido do que países como a Inglaterra estão fazendo. Lá, uma lei de 2006 proibiu propagandas de alimentos com alto teor de sódio, açúcares e gorduras em programas televisivos destinados à faixa etária abaixo de 16 anos. O parlamento do Chile aprovou em 21 de abril um projeto de lei que cria regras para a publicidade de alimentos, proíbe para crianças menores de 14 anos e só permitindo a veiculação após as 22 horas. Nos EUA, foram lançadas diretrizes no início de maio também com o objetivo de restringir a publicidade destinada ao público infantil.

Direito à alimentação adequada

Para 79% dos pais, a publicidade de alimentos não saudáveis prejudica os hábitos alimentares das crianças. Esse foi o resultado de pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pelo Instituto Alana. Foram entrevistadas 596 pessoas, pais e mães de crianças de até 11 anos. Segundo o levantamento, 78% dos entrevistados acreditam que a publicidade desses produtos levam as crianças a “amolarem” seus pais para que comprem produtos anunciados e 76% disseram que os comerciais dificultam o esforço de educar os filhos a se alimentarem de forma mais saudável.

Segundo Isabela, a população é lesada por uma publicidade enganosa, que atinge principalmente o público infantil. Além de a criança não ter discernimento para escolher, seu paladar está sendo formado por produtos que contêm realçadores de sabor e muitas vezes muito açúcar. “A indústria precisa assumir o impacto que gera na saúde pública”, afirma.

O Instituto desenvolve uma série de ações no Espaço Alana, no Jardim Pantanal, na periferia de São Paulo (SP). Segundo a nutricionista do Instituto, Micheli Rangel Albuquerque, em 2010, 33,7% das 240 crianças atendidas pela creche apresentavam obesidade. “Apesar de oferecermos uma alimentação balanceada, na casa dessas crianças elas não têm acesso a frutas e outros alimentos saudáveis”, explica.

“Projetamos uma situação absolutamente descontrolada. Não haverá recursos para tratar pessoas que ficarão ou já estão doentes. São doenças que começam de forma silenciosa e trazem consequências sérias: perda da qualidade de vida, da capacidade de trabalho do indivíduo. Há um custo alto”, diz Elisabetta. Ela alerta que quando se discute a regulamentação, “há um mito de que se quer acabar com a indústria ou cercear a liberdade de expressão”. “Certamente a indústria de alimentos trouxe ganhos. Mas hoje temos uma situação onde ela oferece produtos num cenário sem regulamentação, sendo que antes não tínhamos consciência e nem vivíamos os impactos que essas doenças trazem”.

Elisabetta explica que o direito à alimentação, incluído no ano passado entre os direitos sociais na Constituição, prevê não só a garantia de um país livre da fome e desnutrição, mas também de alimentação adequada. “Não podemos acabar com a fome e gerar doenças”, diz. “Hoje qualquer criança está tendo violado seu direito à alimentação adequada, pois há um conjunto de informações distorcidas formando seus hábitos alimentares.”

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