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Workshop Estratégias Alimentares e de Abastecimento – I WEAA

TRANSMISSÃO SIMULTÂNEA

 Se você não conseguiu realizar sua inscrição a tempo ou não poderá estar em Porto Alegre nos dias do evento, assista AO VIVO pela internet tudo que acontece no WEAA!

 O link de acesso é http://multimidia.ufrgs.br/ramgen/broadcast/plageder/aovivo.rm

*  Para assistir a transmissão, o computador do usuário deve ter instalado algum Player com suporte ao formato RealMedia. É recomendável o uso do software RealPlayer (o link para a instalação do RealPlayer está disponível em: http://br.real.com/realplayer/thank_you_for_downloading.html).

 Participe de onde você estiver!

Desafios e oportunidades para as cidades e o meio rural

As estratégias alimentares e de abastecimento das grandes cidades vêm assumindo particular centralidade no contexto da crise de mobilidade, de energia e de saúde. Ao mesmo tempo, a alimentação é uma necessidade diária inadiável dos humanos, a qual demanda sofisticada logística. O abastecimento alimentar é um elo fundamental entre estratégias para alimentação da população, formas de uso de energia e mobilidade nos espaços urbanos. Portanto, a questão do abastecimento alimentar, considerando a  população cada vez mais numerosa e urbanizada, com exigências crescentes tanto no que diz respeito à qualidade nutricional quanto no que se refere à disponibilidade dos alimentos, sugere que as sociedades do século XXI reflitam sobre as estratégias alimentares e modelos de abastecimento.

Nesse contexto, o I Workshop Estratégias Alimentares e de Abastecimento (I WEAA) quer criar um espaço de discussão sobre tais estratégias que estão sendo adotadas nos espaços rurais e principalmente urbanos. O evento objetiva também integrar pessoas, iniciativas e pesquisas internacionais e nacionais em torno da temática da alimentação, produção, abastecimento e consumo de alimentos.

Para isso, o I WEAA busca proporcionar e fortalecer o diálogo entre acadêmicos, gestores dos setores público e privado, estudantes e representantes da sociedade civil como um espaço de reflexão sobre alimentação, abastecimento e desenvolvimento rural.

Para além dessas questões, objetiva-se como resultado final a organização de uma agenda de pesquisa que colabore para sistematizar e dinamizar estratégias de abastecimento, produção agroalimentar e interação entre produtores,  consumidores e gestores.

Comissão Organizadora agradece a participação de todos!

Veja aqui a programação.

FONTE: IWEAA

Câmara vai analisar política para abastecimento de alimentos

A proposta está sendo estudada pelo governo e deve ser enviada à Câmara para reunir as ações de vários ministérios sobre produção, compra, armazenamento e distribuição de alimentos.

A política para alimentos do governo federal tem conseguido fomentar a agricultura familiar e fez o Brasil sofrer menos com os efeitos da crise mundial nos preços dos alimentos. Apesar da política de estoques e distribuição de alimentos estar em bom andamento, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) acredita que é preciso disponibilizar transporte para ligar a produção de pequenos agricultores aos centros urbanos.

Fonteles é o relator de uma subcomissão destinada a avaliar as políticas de segurança alimentar no Brasil, ligada à Comissão de Seguridade Social e Família, que realizou audiência pública nesta quinta-feira (8).

O deputado acredita que a questão será levada para dentro do Plano Nacional de Logística, lançado neste ano, o que incluirá o Ministério dos Transportes na discussão. Atualmente, esse ministério não está envolvido nos debates sobre alimentos.

Uma proposta para uma política nacional de abastecimento já foi elaborada pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). Chefiada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, essa câmara reúne 19 ministérios no debate sobre a política do governo quanto à alimentação.

Encaminhamento
A coordenadora de Monitoramento das Ações de Segurança Alimentar do Ministério do Desenvolvimento Social, Carmem Priscila Bocchi, explicou que a proposta já pode ser enviada à Câmara, mas tem sido debatida com o Senado, onde outra proposta sobre o assunto foi apresentada.

Um projeto do Executivo poderia incluir gastos e atribuir funções a órgãos e ministérios, o que um projeto feito por deputados ou senadores nem sempre pode fazer.

Aquisição de alimentos
Segundo Carmem Bocchi, a transferência de recursos para municípios por meio de convênios dificulta os programas do ministério, e uma alternativa tem de ser encontrada.

Atualmente, as aquisições de alimentos feitas pelo governo são feitas preferencialmente de agricultores familiares, principalmente os mais pobres, e beneficiários do Pronaf, programa que ajuda essa produção.

O ministério estuda fazer com que compras institucionais tenham dispensa de licitação para que órgãos, estados e municípios também possam comprar diretamente desses agricultores. Penitenciárias, escolas e restaurantes comunitários poderiam aderir.

A coordenadora do Programa de Alimentação Escolar do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE), Rosane Maria Nascimento da Silva, informou que, em 2010, 52% dos estados e municípios já haviam aderido a essas compras no caso da merenda escolar, mas o volume ainda não passa de 30% das compras totais.

Estoques
Segundo o assessor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Rogério Neuwald, o órgão tem tido uma boa atuação no estabelecimento de preços mínimos e na construção de estoques públicos de alimentos. “No Brasil, apenas 5% dos estoques ficam armazenados com os produtores. A maior parte fica com distribuidores e grandes varejistas. Nos países desenvolvidos, é o contrário”, disse.

Para o assessor da Conab, é preciso discutir até mesmo o papel das Ceasas, companhias locais de comercialização de hortifrutigranjeiros. “Em muitas cidades, elas estão localizadas em áreas nobres. Há uma pressão para retirá-las e construir prédios no lugar, mas onde a população vai buscar seus alimentos?”, perguntou.

O problema, segundo Carmem Bocchi, é que a venda desses produtos fica concentrada em grandes supermercados, e as populações mais pobres não têm acesso a alimentos in natura de qualidade.

Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Graziano: Estoques e planejamento contra a fome

José Graziano, novo Diretor-Geral da FAO, fala sobre a política de combate à fome no mundo.

“Temos que voltar a ter estoques. Numa situação de preços já voláteis, havendo crise, seca, guerra e tendo que se comprar grandes quantidades de alimentos, o preço vai ainda mais para cima”. A afirmação do diretor eleito da FAO, José Graziano da Silva, feita na entrevista coletiva realizada em Roma, na 2º feira, é um primeiro sinal de mudança substantiva na estratégia do organismo, que o brasileiro passa a dirigir a partir de janeiro de 2012.

Nas últimas décadas, a supremacia neoliberal colonizou boa parte da agenda das agencias e organismos internacionais. A terceirização das políticas de desenvolvimento aos ditos ‘livres mercados’ contaminou a esfera da segurança alimentar. Nações, sobretudo as mais pobres, e organismos multilaterais foram incentivadas a renunciar aos cuidados com a soberania alimentar.

A ordem era transferir aos livres mercados –mais eficientes e ágeis, dizia-se– a incumbência pelo suprimento da sociedade. Se o mercado mundial é capaz de prover a demanda de forma ágil e a preços mais competitivos, por que então carregar estoques estratégicos de custos onerosos e, sobretudo, qual o sentido de incentivar a produção agrícola local em busca de uma autosuficiência alimentar difícil e custosa aos cofres públicos? A crise financeira desencadeada a partir do 2º semestre de 2007, e a fulminante especulação com aos preços das commodities agrícolas a a partir de então, respondeu a essas dúvidas cobrando um custo alto em colapso alimentar e fome em muitos países.

No ápice da escassez e da fome as nações e organismos como a FAO estavam desarmados para suprir a demanda. Onde estavam os estoques? Onde continuam a repousar: em celeiros privados das grandes corporações que dominam o comércio e a produção mundial de alimentos e que fazem questão de manter em sigilo o volume dessas reservas. Para não prejudicar suas apostas nos mercados especulativos.

A mudança de orientação sinalizada agora por Graziano desautoriza o conservadorismo midiático que, desgostoso com a vitória brasileira na FAO, tratou em seguida de minimizar a sua importância. Nas perorações sobre a suposta irrelevância da FAO esqueceram de de considerar que a história mudou e a FAO terá que mudar também. A eleição de Graziano, na realidade – apoiada pelos países pobres e em desenvolvimento que mais sofreram com a crise e o êngodo neoliberal – já foi um sintoma dessa mudança.

FONTE: Carta Maior, em http://bit.ly/rqqY4i

A fome é uma criação humana

O Brasil está diante de uma oportunidade inédita: acabar com a fome e com a pobreza extrema, que atormentam milhões de famílias em praticamente toda a história do país. Mas para Selvino Heck, assessor extraordinário da Secretaria Geral da Presidência da República, é preciso mais. Não podemos conviver com os maiores índices de desigualdade social e econômica do mundo sem nos mobilizarmos num ato de cidadania para reverter esse quadro. Selvino Heck, assessor extraordinário da Secretaria Geral da Presidência da República. Endereço eletrônico: selvinoheck@terra.com.br

Mundo Jovem: Por que existe fome no Brasil e no mundo?

Selvino Heck: Se olharmos esse momento histórico brasileiro e mundial, nós temos uma questão estrutural e uma questão conjuntural. Estamos numa crise econômica profunda, que começou em 2007 e, segundo os especialistas, deverá continuar talvez por uma década ainda. Isso tem levado ao aumento da fome no mundo. Todas as reflexões têm mostrado essa situação: a fome, que estava diminuindo (em torno de 800 milhões), hoje está atingindo cerca de um bilhão de pessoas. E cresce nos países mais pobres, especialmente na África e na Ásia, mas cresce também, por incrível que pareça, nos Estados Unidos e na Europa. Porque há uma crise que faz com que o crescimento econômico seja menor e que a concentração de renda e de riqueza esteja aumentando no mundo. Mas, pela primeira vez na história, essa crise não está acontecendo da mesma forma no Brasil e na América Latina e não está tendo também os mesmos efeitos.

Do ponto de vista estrutural, a fome é resultado do tipo de sociedade que temos: uma sociedade capitalista que concentra renda, exclui as pessoas, não permite que haja igualdade e uma melhor distribuição de renda. Então a razão estrutural é esta: uma sociedade que visa ao lucro, e o lucro acontece junto com o acúmulo de riqueza e de renda. Além disso, nós vivemos 20, 30 anos de neoliberalismo. O neoliberalismo significa: “Quem pode mais, chora menos”. Mas não se trata apenas da política econômica e social, é também uma política cultural, de valores, que influencia na maneira como as pessoas agem em relação umas às outras. Precisamos fazer um trabalho longo de reconstrução de valores de solidariedade.

Mundo Jovem: Então, a fome é uma situação criada pela organização humana?

Selvino Heck: O exemplo é o próprio Brasil, que sempre apresentou fome e miséria em grau acentuado e que na última década está diminuindo. Existem políticas sociais, governamentais, existe o programa Fome Zero e um conjunto de outras políticas que enfrentaram a fome. Já existe no Brasil, há uns 15, 20 anos uma forte presença de organizações sociais: toda a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, no início coordenada pelo saudoso Betinho.

Isso significa que, se a sociedade se mobiliza, se o governo tem políticas públicas para enfrentar a fome, ela diminui e pode até acabar. Se você olhar um país como Cuba, lá não existe fome há muito tempo, porque existem políticas de Estado que colocam como questão central o direito ao acesso das pessoas à alimentação. A fome não é natural. A fome depende das políticas sociais e econômicas.

Mundo Jovem: O que ainda persiste no Brasil é a desigualdade?

Selvino Heck: Nós temos no Brasil uma questão estrutural ao longo de séculos: sempre se produziu uma desigualdade econômica e social muito grande, e que continua. Vem diminuindo pouco. Márcio Pochmann, presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), afirma que 10% ainda concentram um percentual de 70% da riqueza nacional, sendo que os 90% mais pobres têm acesso a apenas 25% a 30% da renda nacional. Na opinião dele, se a gente considerar as famílias donas de conglomerados econômicos, cinco mil famílias detêm mais ou menos 45% da renda brasileira, o que é uma concentração absurda.

Em 2003, nós estávamos entre os quatro ou cinco piores países do mundo em distribuição de renda. Hoje estamos entre os 15, 20 países com a pior distribuição de renda do mundo. Ou seja, melhoramos bastante, mesmo assim a desigualdade ainda persiste.

No início dos anos 2000 tínhamos no Brasil em torno de 50 milhões de pessoas que, ou passavam fome diariamente, ou não tinham alimento suficiente regularmente. Hoje, diminuiu mais ou menos pela metade, mas temos ainda em torno de 16 milhões de pessoas que estão na extrema pobreza, e esse é um universo que se pretende atacar agora. No momento em que a presidenta Dilma propõe que um país rico é um país sem pobreza, isso significa enfrentar o tipo de desenvolvimento econômico, enfrentar a desigualdade na distribuição de renda, a desigualdade econômica e social. Dizer que num país rico não há pobreza significa também dizer que se alguém vai ganhar, outro vai ter que perder. É muito mais difícil, mas tão urgente quanto acabar com a fome é construir um país com mais igualdade social e econômica.

Mundo Jovem: E o desperdício de alimentos?

Selvino Heck: Há um desperdício de alimentos por falta de uma estrutura melhor para que o alimento chegue à população. E isso implica melhorar a infraestrutura no Brasil. Muitas vezes se produzem alimentos que não chegam até a população. Há problemas de transportes e outros que levam ao desperdício. Há também toda uma cultura, um modelo de desenvolvimento que, muitas vezes, começa na nossa casa, onde, ao sobrar comida, coloca-se no lixo. Mas há principalmente uma situação de desperdício em restaurantes, hotéis… É uma cultura, uma visão consumista de quem paga e se dá o direito de jogar as sobras no lixo.

Já foi criado um banco de alimentos para juntar restaurantes, hotéis, escolas, enfim, instituições em geral, para reutilização e redistribuição desses alimentos. Mas é fundamental também pensar numa escala de valores, em que cada um de nós deve se sentir responsável, solidário, consciente de que a comida que temos, e que até sobrou, outros não têm.

O Brasil não tem política de abastecimento. Perde-se trigo, arroz, mandioca etc. porque não há política de estoque. No Conselho Nacional de Segurança Alimentar, uma das coisas que estão sendo priorizadas é que os governos municipal, estadual e federal possam garantir isso: onde há alimento de sobra, ter onde estocar. Ou ter alimento estocado para regular preços, pois no Brasil, muitas vezes, a inflação acontece pela falta de um regulador de distribuição de alimentos.

Mundo Jovem: O que é preciso ser feito para equilibrar a alimentação?

Selvino Heck: Historicamente, o Estado brasileiro esteve a serviço de poucos. Nosso desafio é, entre outros, construir um Estado democrático, a serviço de todos. Hoje o Brasil é a sétima economia do mundo e, no entanto, existem 13 milhões de famílias precisando do Bolsa Família. É um país que tem agricultura, tem água, sol, clima favorável; pode plantar duas a três vezes na mesma terra durante um ano, coisa que quase nenhum outro país do mundo tem. Precisamos da parceria do governo, das igrejas, das organizações sociais, da juventude para, de forma coletiva, construir um novo modelo, uma nova proposta, com uma nova mentalidade e uma nova perspectiva de sociedade.

Mundo Jovem: E não se deveria investir mais nas crianças?

Selvino Heck: A meta do Plano Nacional de Educação é dobrar o investimento em educação, desde a creche (construir mais 6 mil creches no Brasil), a Educação Básica, o Ensino Médio, o Ensino Profissionalizante e até o Ensino Superior. Mas não é suficiente construir e dar acesso à escola, e sim observar também que tipo de ensino, como lida com a realidade das pessoas.

O mundo está numa encruzilhada. Temos que decidir que mundo, que tipo de desenvolvimento se deseja, como conciliar com as questões ambientais. E o Brasil está num outro tipo de encruzilhada: é uma das referências do mundo, está em crescimento econômico, mas que tipo de sociedade se deseja construir? Esse é um desafio. Queremos matar a fome de pão, mas não basta apenas matar a fome de pão, embora isso seja fundamental e prioritário. Junto com o matar a fome de pão, deve-se saciar a sede de beleza, cidadania, democracia… Essa consciência coletiva é fundamental para enfrentarmos a fome e a pobreza.

Mundo Jovem: Que ações sugere para os jovens?

Selvino Heck: Primeiro, é um desafio. Ninguém tem respostas prontas. A juventude de 20, 30 anos atrás não é a mesma de hoje, portanto as formas de organização necessariamente serão outras. Hoje, a comunicação da juventude é uma comunicação instantânea, e essas novas formas de linguagem são fundamentais no sentido de serem incorporadas no dia a dia, para um trabalho social que se queira fazer, ou num movimento de conscientização e organização da juventude.

A primeira coisa a fazer é partir da realidade atual da juventude, dos seus problemas, das suas inquietudes. Então, ou se acham novos caminhos, novas formas de linguagem ou a juventude não pensará num mundo onde a solidariedade é fundamental e o cuidado com o meio ambiente é decisivo.

FONTE: http://bit.ly/mG91gy

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